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'El Morumbi te mata'? São Paulo busca contra o Boca uma noite para reavivar a mística

Sem Calleri, São Paulo aposta em Luciano para vencer o Boca no Morumbi
Sem Calleri, São Paulo aposta em Luciano para vencer o Boca no MorumbiFoto por MARCOS BRINDICCI / GETTY IMAGES SOUTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

A mística do "El Morumbi te mata", faixa que a torcida do São Paulo costuma estender no estádio em jogos de mata-mata, estará presente na noite desta terça-feira contra o Boca Juniors, pelo jogo de volta da Sul-Americana. A expectativa é que o público chegue os 60 mil torcedores (camarotes e cativas são vendidos até o momento de a bola rolar, o que torna difícil um número exato), o maior do estádio em dois anos.

Sem comemorar um título internacional há quase 14 anos (o último foi justamente a Sula de 2012), os torcedores tricolores que viram o time ser bicampeão da Libertadores nos anos 1990 continuam sonhando com a volta dos bons momentos, mesmo não sendo a Libertadores a competição em disputa. Por isso, a alta procura pelos bilhetes. E uma festa unificada, na chegada do time, preparada pelas torcidas organizadas.

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O fato de do outro lado estar o Boca Juniors, outro time que deixou de ser um grande protagonista do cenário continental há quase 20 anos, ajuda no contexto. Paredes e cia. entram em campo com as mesmas expectativas que os são-paulinos. É o jogo da temporada.

Retrospecto recente do São Paulo na Sula
Retrospecto recente do São Paulo na SulaStats Perform/Opta

O time dirigido por Dorival Jr., que rifou o clássico contra o Palmeiras pelo Brasileiro levando a campo um time quase 100% reserva, precisa de dois gols de diferença a favor para ficar com a vaga no tempo regulamentar. Vitória simples leva a decisão para os pênaltis, o que vem sendo um problema para o São Paulo no Morumbi. O São Paulo não terá Calleri. Sem o camisa 9, a expectativa de gols recai sobre o camisa 10, Luciano. Dos 14 gols feitos por ele este ano, 12 foram no Morumbi. 

Em 2024, em casa, o Tricolor caiu nas quartas da Libertadores para o Botafogo – em outra noite de Morumbi lotado, com mais de 61 mil pessoas. Um ano antes, pela Sula, outra derrota nos pênaltis para a LDU. Assim como agora, naquela vez o São Paulo entrou para o jogo da volta precisando vencer por dois ou mais gols de diferença. Pressionou, jogou a maior parte do tempo com um a mais, faz 1 a 0 com Arboleda, mas não conseguiu ampliar o placar. Na disputa, James Rodríguez perdeu a cobrança dele.

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Um tabu a favor

Desclassificações à parte (além da LDU, teve outra para o Lanús em 2020, apesar da vitória por 4 a 3 — o confronto terminou 6 a 6 no agregado, mas os argentinos passaram porque fizeram um gol a mais fora de casa, depois de terem vencido em casa por 3 a 2), o São Paulo não perde um jogo da Sul-Americana no Morumbi desde 2020.

A lista de vitórias do São Paulo na Sul-Americana

04/11/2020: 4 x 3 Lanús-ARG (São Paulo eliminado pelo gol fora de casa. Agregado: 6 a 6. Ida: 3x2)

14/04/2022: 2 x 0 Everton-CHL

19/05/2022: 3 x 0 J. Wilstermann-BOL

25/05/2022: 1 x 0 Ayacucho-PER

07/07/2022: 4 x 1 Universidad Católica-CHL

03/08/2022: 1 x 0 Ceará-CE

08/09/2022: 2 x 0 Atlético-GO

(Em 2022, o São Paulo perdeu a final para o Independiente del Valle, em final única, em Córdoba)

18/04/2023: 2 x 0 Puerto Cabello-VEN

08/06/2023: 5 x 0 Tolima-COL

27/06/2023: 2 x 0 Tigre-ARG

10/08/2023: 2 x 0 San Lorenzo-ARG

31/08/2023: 1 x 0 LDU (São Paulo eliminado nos pênaltis)

11/08/2026: 3 x 1 Bolívar

São Paulo x Boca Juniors (jogo de ida: 1 x 0 para os argentinos)

São 13 vitórias em sequência. E nove delas por dois ou mais gols de diferença. O Boca, hoje, defende uma sequência recente de 12 jogos de invencibilidade.

A expressão “El Morumbi te mata”, hoje muito mais retórica do que no passado, ganhou força nos anos 1990. A equipe bicampeã da Libertadores e do mundo, dirigida por Telê Santana, fez do Morumbi, de fato, a sua casa. 

Inclusive com duas viradas contra o Newell’s Old Boys. Em 1992, na própria final (o São Paulo devolveu o placar de 1 a 0 e ganhou nos pênaltis) e, em 1993, nas oitavas de final, depois de um placar ainda mais adverso. A derrota de 2 a 0 na Argentina acabou revertida com uma goleada por 4 a 0.

Torcida do São Paulo na final da Sula de 2012 (que marcou a despedida do meia Lucas Moura do Brasil, antes da volta em 2023)
Torcida do São Paulo na final da Sula de 2012 (que marcou a despedida do meia Lucas Moura do Brasil, antes da volta em 2023)NELSON ALMEIDA / AFP

Nas duas conquistas, independentemente de ser jogo de ida ou volta, o São Paulo venceu todas as oito partidas que fez em casa na fase de mata-mata. Inclusive com uma goleada por 5 a 1 sobre a Universidad Católica no primeiro jogo da final da edição de 1993.

A mística permaneceu até dez anos atrás. Campeão da Libertadores em 2005 e vice em 2006, o Tricolor jogou 24 confrontos pela competição entre 2004 e 2016. No tempo normal das partidas em casa, foram quatro derrotas, dois empates e 18 vitórias. Um aproveitamento de 78%.

Mas depois vieram os tempos ruins. Como as eliminações melancólicas para Defensa y Justicia e Talleres, em 2017 e 2019, respectivamente, pela Sula e Libertadores, ainda nas fases eliminatórias, nos dois casos antes mesmo das fases de grupos das duas competições.

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