Bayern, Boca, Japão, China e mais: relembre as participações estrangeiras na Copinha

Santos enfrentou o Kashiwa Reysol, do Japão, na segunda fase da Copinha de 2014
Santos enfrentou o Kashiwa Reysol, do Japão, na segunda fase da Copinha de 2014RICARDO SAIBUN / AGIF / AGIF VIA AFP

A Copinha não é apenas o torneio de base mais popular do futebol brasileiro. Podemos dizer que também é do mundo. Realizada desde 1969, a competição revelou grandes craques e também teve participações peculiares de clubes internacionais e até de seleções.

A ideia de trazer convidados estrangeiros partiu da Federação Paulista de Futebol (FPF), organizadora da disputa. Mas a iniciativa não foi, digamos, muito produtiva. Pelo menos para quem decidiu se aventurar nos campos do estado de São Paulo. 

Confira a tabela da Copinha no Flashscore 

Quer saber as razões? O Flashscore viaja no tempo e conta essa história. 

Bayern: o único europeu da Copinha

O Bayern de Munique sempre teve uma grande admiração pelo futebol brasileiro e prontamente aceitou o convite para disputar a então Taça Cidade de Juniores de 1985, convertendo-se no único clube europeu que marcou presença na Copinha em toda história.  

Bayern foi o único clube europeu a disputar a Copa São Paulo de futebol júnior
Bayern foi o único clube europeu a disputar a Copa São Paulo de futebol júniorFlashscore

A edição daquele ano contou com 32 times, bem diferente dos 128 de 2026. O Bayern integrou o Grupo A e esteve longe de uma campanha memorável, vencendo apenas um jogo e caindo ainda na primeira fase. 

Tudo começou no dia 5 de janeiro, quando o gigante bávaro tomou um 4 a 0 do Santos, dentro da Vila Belmiro, com dois gols de Paulo Leme, um de Junior e outro de Pedro Paulo. 

O Bayern se recuperou na segunda rodada, derrotando o América-RJ por 3 a 2, mas não conseguiu repetir o desempenho contra o Pinheiros, do Paraná, sendo superado por 3 a 0 e encerrando prematuramente sua participação no torneio de base.

Papelão argentino nos campos paulistas

Na década de 1990, a Federação Paulista intensificou os convites a times estrangeiros, e um deles foi o poderoso Boca Juniors, da Argentina. Os garotos xeneizes, assim como os bávaros, se meteram em uma fria. Mas a situação foi ainda pior, já que o Bayern terminou em terceiro lugar na chave, enquanto o Boca nem isso conseguiu.

Boca Juniors começou a Copinha de 1993 perdendo para o Vasco de Jardel
Boca Juniors começou a Copinha de 1993 perdendo para o Vasco de JardelFlashscore

Os argentinos perderam todos os seus jogos, a começar pela derrota por 2 a 0 para o Vasco, então campeão da Copinha do ano anterior. Aquele time cruz-maltino contava com um jogador que viria a brilhar no futebol profissional: Jardel, que deixou sua marca contra o Boca. A partida, como não poderia deixar de ser em um Brasil x Argentina, pegou fogo e os jogadores trocaram “gentilezas” após um pontapé de um atleta vascaíno.

O Boca seguiu sendo saco de pancadas do Grupo E. Perdeu para a Portuguesa por 1 a 0, e se despediu da competição levando um 4 a 0 da Juventus-SP. Além de terminar na última posição, o Boca Juniors não marcou um gol sequer. 

Naquela Copinha, outra equipe internacional convidada foi o Peñarol, do Uruguai. E imagina o roteiro? Terminou em último do Grupo G, com apenas um ponto, somando derrotas para São Caetano (2 a 0) e Corinthians (2 a 1). A única igualdade foi com o Botafogo (1 a 1). 

Japão aprontou contra o Grêmio

Possivelmente quem é mais velho vai se recordar do anime japonês Super Campeões. A ida de Zico para o futebol asiático estreitou os laços entre o país do futebol e o Japão. Na década de 1990, essa relação amistosa chegou na Copinha, com a seleção Sub-20 do Japão sendo convidada para a disputa. 

No Grupo H, em São José dos Campos, os japoneses tiveram a mesma sorte dos clubes que contamos nas histórias anteriores, não passando da primeira fase. Mas entre as derrotas para Guarani (3 a 1) e Capivariano (2 a 1), eles conseguiram vencer os garotos do Grêmio por 4 a 3, evitando que terminassem a disputa na lanterna da chave. 

Japão não passou da primeira fase, mas derrotou o Grêmio
Japão não passou da primeira fase, mas derrotou o GrêmioFlashscore

A seleção japonesa permaneceu em São Paulo, hospedada no icônico bairro da Liberdade, para acompanhar a fase final do torneio de base. Eles retornaram ao país natal antes da decisão devido a um triste episódio: um terremoto devastou Kobe, uma das principais cidades do Japão.

A tragédia deixou mais de 6.400 mortos, 35 mil feridos e 300 mil desabrigados. De acordo com relatos da época, ninguém da delegação japonesa que esteve em São Paulo teve familiares mortos no terremoto.

Chineses também venceram uma 

Dois anos depois da participação japonesa, outra seleção asiática disputou a Copinha. E também não passou da primeira fase. A China Sub-20 integrou o Grupo B, sediado em São Paulo, e conseguiu ao menos repetir a façanha japonesa de conquistar uma vitória na competição. 

Os chineses foram derrotados pelo São Paulo por 1 a 0, e depois foram goleados pela Portuguesa por 5 a 2. Já eliminados e tendo pela frente o União São João de Araras, a China saiu de cabeça erguida, arrancando uma vitória por 2 a 1. 

Al-Hilal rompe hiato, mas repete histórico

Depois das participações pouco proveitosas de equipes estrangeiras, a organização da Copinha resolveu abandonar a ideia. Esse hiato só foi encerrado em 2010, quando o Al-Hilal, da Arábia Saudita, foi convidado para a disputa.

Era a chance dos sauditas construírem uma nova história gringa na Copinha. Pois é... Ficou só na história mesmo. 

O Al-Hilal empatou com o Paulínia em 2 a 2 e salvou um pontinho
O Al-Hilal empatou com o Paulínia em 2 a 2 e salvou um pontinhoFlashscore

O Al-Hilal não passou da primeira fase. Em um Grupo U formado por Remo, Atlético Paranaense e Paulínia, os sauditas terminaram em último lugar. Dos males, o menor. Eles conseguiram um pontinho no empate em 2 a 2 com o Paulínia. 

Kashiwa Reysol quebra a sina

Parecia que nossos intrépidos gringos não teriam felicidades na Copinha, não é mesmo? Errado. O Kashiwa Reysol, do Japão, representou em 2014, avançando à segunda fase pelo índice técnico.

Kashiwa Reysol fez bonito na Copinha 2014
Kashiwa Reysol fez bonito na Copinha 2014Flashscore

Presente no Grupo W, a equipe asiática começou sua jornada empatando em 1 a 1 com o São Paulo. Na segunda rodada, venceu o time da casa, superando o Grêmio Barueri por 2 a 1, de virada. No último jogo da fase classificatória, o Kashiwa não deu chances ao Auto Esporte, da Paraíba, goleando o adversário por 5 a 1 e terminando em segundo lugar, com os mesmos sete pontos do líder São Paulo, mas atrás no saldo de gols.

No mata-mata, o time japonês não resistiu ao Santos, campeão daquela edição. Os Meninos da Vila golearam por 4 a 0, com um gol do meia Serginho, bicampeão paulista com o Peixe em 2015 e 2016 e que, curiosamente, acabou fazendo história no futebol asiático, chegando a conquistar a Liga dos Campeões da Ásia pelo Kashima Antlers e a se naturalizar chinês.