Ferrel teria sido obrigado a sofrer três gols no jogo em El Alto para que sua família não fosse assassinada.
A situação provocou forte comoção no vestiário do Guabirá. Todo o grupo de jogadores e comissão técnica compareceram à coletiva de imprensa após a partida em sinal de solidariedade ao companheiro.
"Estava com medo. Tínhamos que perder por 3 a 0 ou 4 a 0, eu acho. O que acontecia se eu fizesse um gol? Matariam o meu companheiro? Não quis continuar e pedi a substituição ao professor", relatou o atacante Víctor Ábrego.
Veja como foi Always Ready 6x0 Guabirá
Investigações revelam dívida do goleiro
O episódio ganhou uma reviravolta nesta terça-feira. Segundo os principais jornais da Bolívia, Manuel Ferrel mantinha uma dívida financeira com terceiros que, diante do não pagamento, ameaçaram assassinar sua mãe e outros familiares.
Com 35 minutos do primeiro tempo, o Always Ready já vencia por 3 a 0. Desestabilizado emocionalmente, Ferrel pediu para deixar o campo aos 39 minutos, sendo substituído por Jorge Arauz — que sofreu o quarto gol no minuto seguinte ao entrar no gramado.
FBF descarta paralisação
Apesar da gravidade do escândalo, o presidente da FBF, Fernando Costa, garantiu que a competição da Divisão Profissional prosseguirá sem riscos de paralisação.
"A ideia que temos é de que o futebol não deve parar. Interromper a competição afetaria todos os clubes, quando o correto é focalizar as sanções sobre os responsáveis por este lamentável e grave episódio", disse Costa à imprensa.
Ferrel e dirigentes do Guabirá já prestaram depoimentos formais ao Ministério Público. O departamento jurídico da Federação acompanha o caso de perto e oferece suporte legal para garantir o andamento do processo.
Com o placar elástico, o Always Ready manteve a liderança da liga boliviana ao lado do Bolívar, ambos com 42 pontos a 11 rodadas do encerramento. O Guabirá figura na nona posição, ainda na disputa por vagas em competições internacionais.
