Neste domingo (1º), às 18h, o primeiro jogo da final do Campeonato Gaúcho volta a escrever um capítulo inédito. Depois de 10 anos sem finais consecutivas entre os rivais, Grêmio e Inter decidem novamente o título, agora sob o comando de dois técnicos estrangeiros.
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Pela primeira vez desde 1909, ano do Grenal inaugural, a taça será disputada com treinadores de fora do Brasil frente a frente. A novidade começou ainda na fase classificatória, quando Luís Castro e Paulo Pezzolano inauguraram essa condição à beira do campo, com triunfo colorado por 4 a 2.

Desde aquela vitória, em 25 de janeiro, o uruguaio Pezzolano ainda não conseguiu dar regularidade ao Inter, ao menos no Brasileirão. O time ocupa a zona de rebaixamento, com apenas dois pontos em quatro rodadas.
Ainda assim, o histórico recente do clube pode jogar a seu favor, pensando no médio prazo: antes da chegada do atual treinador, o Inter teve quatro técnicos estrangeiros no recorte dos últimos cinco anos, somando 114 jogos. Uma convivência longa com sotaques distintos no vestiário.
No Grêmio, o caminho foi outro. O clube recorreu menos a treinadores de fora do país. Desde 2021, são 18 jogos sob o comando de Gustavo Quinteros. Luís Castro é apenas o terceiro europeu a comandar o Tricolor ao longo de sua história.

Na quarta-feira (25), após a vitória por 2 a 1 sobre o Atlético-MG na Arena do Grêmio, com um jogador a mais desde os 16 minutos, Castro ressaltou o quanto os times evoluíram desde o Grenal de janeiro.
“São duas equipes totalmente diferentes, certamente para melhor. O tempo desenvolve os times, e o Inter estará melhor, assim como o Grêmio”, afirmou.
Mudanças desde o último Grenal
A evolução azul passa por um time mais equilibrado, visto nos últimos jogos. Depois de uma atuação apática na derrota por 2 a 0 para o São Paulo, Pavón, Enamorado e Mec ajudaram a dar mais fluidez e encaixe ao esquema do treinador português.
Visitante no primeiro jogo da decisão, o Inter chega com algumas incógnitas. O meio-campo ainda é um setor em aberto, com Ronaldo e Bruno Gomes disputando posição. O que não muda é a convicção de Pezzolano.
“Eles são os favoritos. É a realidade. Contrataram muito, investiram pesado, têm jogadores de grande nível. Nós também temos bons jogadores. Eles têm um treinador muito experiente, com 20 anos a mais do que eu. Não digo isso para tirar responsabilidade, é apenas a realidade”, afirmou o uruguaio.

Mesmo que o Estadual já não carregue o peso simbólico de outras épocas, a rivalidade dos Pampas segue como um capítulo à parte do futebol mundial. Imaginar qualquer um dos dois técnicos igualar — ou ameaçar — o legado de Carlos Volante começando com uma derrota contundente parece improvável.
Ainda assim, a decisão adiciona mais um marco histórico: será a 17ª vez que o duelo farrapo define o título gaúcho com uma final propriamente dita. São oito conquistas para cada lado. O troféu mais recente, de 2025, está no Beira-Rio, palco do segundo e decisivo jogo, no próximo domingo (8).

Se Volante marcou época pelo lado colorado — e antes disso, como jogador, atuou com tanta excelência como meio-campista defensivo no Flamengo nos anos 1940 que seu nome virou sinônimo da posição —, o estrangeiro de maior destaque no Grêmio é o uruguaio Juan Mujica.
Em 1987, ele disputou cinco clássicos como treinador, com duas vitórias, dois empates e uma derrota. Um retrospecto que, ao menos do ponto de vista matemático, Luís Castro pode sonhar em alcançar.
