Ceferin, falando um dia depois de a UEFA ter chegado a um acordo com o Real Madrid, encerrando assim a disputa judicial sobre a fracassada Superliga, também ressaltou a importância de manter uma pirâmide de competições unificada e aberta no futebol europeu.
Um jogo da LaLiga entre o Villarreal e o Barcelona estava previsto para acontecer nos Estados Unidos, enquanto uma partida da Serie A entre Milan e Como seria disputada na Austrália, antes de as autoridades das ligas desistirem dessas ideias no ano passado.
Ceferin aconselhou os clubes a não trocarem "raízes por alcance".
"As ligas nacionais tiram sua força do território, da tradição e da torcida presente nos estádios. Exportar jogos nacionais para o exterior pode até servir a interesses de curto prazo, mas enfraquece o vínculo e compromete a lealdade", afirmou o advogado e dirigente esloveno.
"Como construir identidade se o jogo é tirado de sua casa... como manter a paixão local se ela é entregue para fora?", indagou.
Ceferin, que está à frente da UEFA desde 2016, enfatizou que o futebol europeu "nunca será fechado", fazendo referência clara ao projeto da Superliga, que originalmente previa a participação garantida de alguns clubes populares.
"É uma competição para todos. E aquilo que pertence a todos é mais forte do que qualquer força isolada... escolhemos a unidade em vez da divisão. Optamos pela responsabilidade em vez da improvisação", declarou.
"Só nesta temporada, mais de 400 milhões de euros (R$ 2,4 bi) serão distribuídos entre clubes que não participam da fase de grupos da Liga dos Campeões. Desse valor, 308 milhões (R$ 1,8 bi) vão para clubes que nem sequer disputam competições europeias. Algo assim seria possível em um sistema voltado apenas para o lucro? Tenho certeza de que a resposta é óbvia".
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, que também discursou durante o Congresso da UEFA, parabenizou a federação europeia e o Real Madrid pela resolução da disputa judicial.
"Porque o futebol vence quando estamos unidos", disse Infantino.
