O treinador rebateu os rumores sobre um suposto desentendimento com Ronaldo e esclareceu os motivos de ter deixado o atacante no banco durante a vitória sobre a Noruega.
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Jesus também desmentiu categoricamente as especulações veiculadas pela imprensa de que o camisa 7 teria se recusado a participar das atividades de campo nos dias seguintes ao jogo em Oslo.
"Ele não se recusou a treinar. O Francisco Conceição estava lesionado, o (João) Félix fez trabalho de descarga de fadiga e o Cristiano fez trabalho de academia, mobilização no campo e reforço no hotel. Não se recusou. Hoje é o quarto dia, portanto ele vai treinar. Acham que algum jogador de uma seleção se recusa a treinar? Só se quisesse ir embora. Ninguém se recusa a treinar", disse o técnico em coletiva na véspera do duelo contra a Dinamarca, válido pela terceira rodada do Grupo A4 da Liga das Nações, em Copenhague.
"Disse ao Cris que ele não iria jogar contra a Noruega nem contra a Dinamarca de início. Trabalhei um ano com ele e conheço perfeitamente suas condições físicas. Sei que, quando havia jogos de três em três dias, raramente ele atuava em todos."

"Disse a ele que, se precisasse nos últimos minutos do jogo contra a Noruega, o colocaria em campo. Mas a partida exigiu outras características e optei por não utilizá-lo. Esse é o ponto verdadeiro."
Esta foi a primeira vez em 18 anos que o craque português não saiu do banco de Portugal em uma partida oficial.
Autoridade no comando
Ao abordar o peso do histórico dos atletas na seleção, Jorge Jesus destacou que o respeito ao estatuto dos veteranos não se sobrepõe às necessidades táticas do coletivo e que a decisão final cabe exclusivamente à comissão técnica.
"O estatuto permite ao jogador, pelo seu passado, que o treinador tenha cuidado nas decisões antes de o jogo acontecer. Mas, depois que a bola rola, o treinador decide em função do que é melhor para a equipe. Num clube manda o presidente; na equipe mando eu. Em tudo o que eu estiver."
"Posso prometer o que quiser, sou eu o treinador. Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias. Nem ele, nem ninguém no futebol, nem nenhum presidente. Nunca, zero", exclamou Jesus.
O técnico também revelou o que ouviu de Ronaldo e comentou a conversa com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, que viajou à Dinamarca para tentar apaziguar os ânimos no elenco
"Ele me disse: 'Estou aqui para você decidir. Quer que eu jogue, eu jogo. Quer que eu vá para o banco, eu vou.' O presidente quis saber o que se passava por causa do que se falava em Portugal, mas depois do jantar já tínhamos resolvido o problema, que na verdade não era um problema."
"O mais difícil são jogadores de nível médio que julgam que são grandes. Com grandes jogadores é fácil. Eles percebem melhor o jogo e o que o treinador quer. Difíceis de trabalhar são os que acham que são grandes", concluiu o ex-comandante do Flamengo.

