Talvez até mais do que naquela noite histórica uma semana antes no Aspmyra Stadion, o segundo confronto de 90 minutos foi o típico duelo “Davi contra Golias”.
A Inter, assim como o Manchester City e o Atlético de Madrid antes, certamente já tinha aprendido que não se pode subestimar o time vindo do Círculo Polar Ártico.
Ser eliminado da principal competição europeia, da qual foi finalista na temporada passada, não seria apenas um vexame gigantesco para o atual líder da Serie A, mas provavelmente também significaria o fim da linha para o técnico Cristian Chivu.
Apesar de Lautaro Martinez não estar 100% fisicamente no jogo de ida, Chivu ainda optou por escalar o artilheiro do time, mas a escolha acabou não dando certo, já que o campeão mundial argentino precisou sair machucado.
A lesão também tirou Lautaro do jogo no Estádio Giuseppe Meazza, então quem comandou o ataque foi Marcus Thuram, que tinha apenas dois gols na Champions League nesta temporada.
Time titular mais jovem da Inter na temporada
Jens Petter Hauge e Kasper Hogh mais uma vez ficaram encarregados de incomodar a defesa da Inter, com Hauge já tendo cinco gols em uma campanha de UCL que está sendo incrível para os noruegueses.
Chivu fez seis mudanças em relação ao jogo de ida, escalando o time mais jovem da Inter em uma partida de Champions League nesta temporada (média de 28 anos e 27 dias), enquanto o técnico do Bodo, Kjetil Knutsen, manteve a mesma escalação.

Alessandro Bastoni, que está sendo especulado como alvo do Barcelona para a próxima janela, se tornou o primeiro italiano a alcançar 50 jogos como titular pela Inter na UCL, e no geral, é apenas o quinto jogador de linha do clube a atingir essa marca, depois de Javier Zanetti, Esteban Cambiasso, Ivan Cordoba e Lautaro.
Dizer que o Bodo estava sendo pressionado nos primeiros 30 minutos é até pouco.
Inter domina desde o início
Além de ter 67% de posse de bola nos primeiros 15 minutos, a Inter finalizou seis vezes em 23 minutos, mostrando que a noite seria longa para os visitantes.
A única salvação do Bodo era que nenhuma dessas chances tinha virado gol – mesmo com três finalizações no alvo – e a pressão continuou com mais quatro tentativas da Inter antes de Hakon Evjen arriscar o primeiro chute dos noruegueses aos 36 minutos.

No intervalo, o panorama seguia o mesmo, e para se ter uma ideia do domínio ofensivo da Inter, ao final do jogo, o time havia finalizado 30 vezes.
Na verdade, as 12 finalizações dos italianos no primeiro tempo foram o maior número já registrado pelo clube em um mata-mata de UCL sem marcar gol nos primeiros 45 minutos (desde 2003/04).
Erro de Akanji deu vantagem ao Bodo
É claro que, se você não aproveita as chances, acaba dando oportunidade ao adversário – e foi exatamente isso que aconteceu.
Mais seis finalizações da Inter nos primeiros 10 minutos do segundo tempo passaram em branco até que um erro grave de Manuel Akanji permitiu que Hauge calasse o San Siro ao abrir o placar no terceiro chute do Bodo.
O sexto gol do jogador nesta edição da Champions não foi importante só para ele, pois também quebrou o recorde de gols de um norueguês por um clube norueguês em uma única campanha de Liga dos Campeões/Copa dos Campeões.
Ainda assim, a Inter seguiu pressionando, com 71% de posse de bola, e vários jogadores com mais de 90% de acerto nos passes, mostrando que os donos da casa fizeram de tudo para sufocar o adversário e evitar mais sustos.
Inter fez tudo o que podia
Com Nicolo Barella vencendo a maioria dos seus 10 duelos individuais, Thuram ganhando nove de 12 disputas e Francesco Esposito também levando a melhor em mais da metade dos duelos, não dá para dizer que a Inter não foi agressiva quando precisou.
Mesmo com toda essa superioridade, Chivu ainda optou por uma tripla substituição logo após a marca de uma hora de jogo, mas 10 minutos depois, Evjen passou pela defesa parada e marcou contra Yann Sommer, praticamente definindo a classificação.

O primeiro gol de Bastoni na UCL, já com 14 minutos para o fim, serviu apenas como consolo, e muitos torcedores da Inter já estavam deixando o estádio.
Para ser justo, ele e seus companheiros não pararam de tentar até o apito final – Bastoni, por exemplo, deu 116 passes na partida, mais que o dobro de qualquer jogador do Bodo.
Ninguém vai subestimar o Bodo agora
Foram 96 passes com 90,6% de precisão, mostrando um jogador fazendo de tudo para ajudar o time a avançar, mas, no fim das contas, o que fica é que o Bodo aproveitou as chances nos dois jogos e a Inter não – simples assim.
A Inter entrou 78 vezes no terço final do campo, o dobro do Bodo (39), teve 70,2% de posse de bola durante mais de 90 minutos e trocou 357 passes no campo de ataque, contra apenas 185 dos noruegueses...
Esses e tantos outros números favoreceram o gigante italiano, então, se houve algum erro, foi o excesso de confiança no jogo de ida.
O Bodo não tem nada com isso, e sua bela história europeia continua. Agora ninguém em sã consciência vai subestimar esse time.

