Análise: Entenda as dificuldades que o Chelsea teve contra o PSG no duelo da Champions

Khvicha Kvaratskhelia, do PSG, encarando três jogadores do Chelsea
Khvicha Kvaratskhelia, do PSG, encarando três jogadores do ChelseaJavier Garcia / Shutterstock Editorial / Profimedia

O Chelsea já sabia que teria uma missão difícil no segundo jogo das oitavas de final da Champions League contra o atual campeão Paris Saint-Germain.

O gigante da Ligue 1 tinha uma vantagem de três gols após uma explosão nos minutos finais no Parque dos Príncipes, chegando a Stamford Bridge com 5 a 2 no placar agregado.

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O time precisava de uma atuação perfeita e de uma noite ruim do PSG para ter alguma chance de avançar, mas Liam Rosenior podia destacar que seu time estava impecável em casa na Champions nesta temporada, com quatro vitórias em quatro jogos, 10 gols marcados e apenas um sofrido.

Os visitantes também estavam confiantes para avançar às quartas de final, já que a campanha fora de casa na competição em 2025/26 era de três vitórias, um empate e só uma derrota.

A situação do Chelsea piorou antes do apito inicial quando, assim como no primeiro jogo, a escalação inicial foi vazada para a imprensa.

Rosenior fez quatro mudanças no time titular, com Robert Sánchez, Mamadou Sarr, Jorrel Hato e Andrey Santos entrando nos lugares de Filip Jorgensen, Malo Gusto, Wesley Fofana e Reece James.

Pior início possível para o Chelsea

A única mudança de Luis Enrique em relação ao primeiro jogo foi Khvicha Kvaratskhelia entrando no lugar de Desire Doué, e os parisienses ainda tiveram o privilégio de ter o jogo do campeonato nacional, que seria disputado entre as duas partidas, adiado.

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O Chelsea, por outro lado, vinha de um duelo desgastante de mais de 90 minutos contra o Newcastle, partida em que perdeu por 1 a 0.

Infelizmente para o Chelsea e para Sarr, que fazia sua estreia como titular na competição, o jogo já estava praticamente decidido logo aos seis minutos.

Uma bola simples lançada pelo goleiro do PSG, Matvey Safonov, não foi dominada pelo camisa 19 do Chelsea, e Kvaratskhelia ganhou na força e finalizou para o gol, vencendo Sánchez.

2 a 0 em menos de 15 minutos

Já era possível ouvir reclamações da torcida da casa naquele momento, mas, para dar crédito aos anfitriões, Cole Palmer, Trevoh Chalobah, Enzo Fernández e Pedro Neto tentaram finalizar ao gol (todas as tentativas foram bloqueadas) nos sete minutos seguintes.

Mas logo depois, o Chelsea perdeu a posse no meio-campo, permitindo que o PSG avançasse pela direita. Após Achraf Hakimi encontrar Bradley Barcola, ele chutou forte e marcou o segundo, sem chances para Sánchez.

Sequência do gol de Bradley Barcola contra o Chelsea
Sequência do gol de Bradley Barcola contra o ChelseaOpta by Stats Perform

Esse foi o segundo gol de Barcola na Champions em uma semana, após passar um ano sem marcar na competição, deixando o placar agregado em 7 a 2 para o PSG, e ainda nem tinham se passado 15 minutos em Stamford Bridge.

Mais três tentativas de João Pedro vieram em seguida, mas o Chelsea estava sendo dominado em todos os setores e era praticamente alvo de brincadeira dos campeões franceses.

Passes sem objetivo claro

Apesar de alguns jogadores do Chelsea estarem trocando passes com precisão — Chalobah, por exemplo, teve impressionantes 98% de acerto —, no geral, era um toque de bola sem objetivo, raramente com propósito.

Visualmente até agradava, mas a torcida continuava mostrando insatisfação, já que os ataques eram facilmente neutralizados pelos visitantes.

Números do jogo
Números do jogoOpta by Stats Perform

O único jogador que conseguiu se destacar entre os anfitriões foi Moisés Caicedo. O equatoriano parecia ser o único do Chelsea jogando próximo do seu melhor nível.

No fim, seus três dribles certos em três tentativas, oito duelos individuais vencidos em 11 disputados, uma jogada aérea vencida em uma tentativa e sete recuperações de posse foram estatísticas impressionantes para um jogador de um time derrotado.

Gráfico de pressão
Gráfico de pressãoOpta by Stats Perform

Vaias no intervalo

Infelizmente, ele e seus companheiros enfrentaram um time não só fluido, dinâmico e perigoso nas transições, mas também que se esforçou muito mais do que os anfitriões.

Kvaratskhelia, por exemplo, participou de 14 duelos individuais, acertou 22 dos 27 passes, teve o maior número de toques na área do Chelsea entre os jogadores do PSG e ainda foi o que mais desarmou.

Mais números do jogo
Mais números do jogoOpta by Stats Perform

Quando o árbitro apitou para o intervalo, a quantidade de vaias no estádio certamente incomodou Rosenior e seu elenco, com muitos torcedores já deixando o estádio naquele momento.

Sarr foi substituído e Rosenior fez mais três mudanças até os 15 minutos, incluindo o capitão da noite, Enzo Fernández.

Enzo agita os bastidores

Comentários pós-jogo atribuídos ao argentino também agitaram os bastidores. Apesar de ter contrato com o clube até 2032, ele foi questionado por repórteres se permaneceria no clube, e respondeu: “Não sei – faltam oito jogos e a Copa da Inglaterra. Tem a Copa do Mundo, e aí vamos ver.”

O semblante dele ao ser substituído já dizia tudo. As mudanças só serviram para desestabilizar o pouco equilíbrio que o Chelsea tinha, já que, um minuto depois, o reserva do PSG, Senny Mayulu, marcou o terceiro gol dos visitantes. E aí, mais uma debandada da torcida da casa.

Notas dos jogadores
Notas dos jogadoresFlashscore

PSG com 81% de posse nos 15 minutos finais

Pelo menos Alejandro Garnacho e Liam Delap podem se olhar no espelho apesar da derrota, sabendo que seis dos sete chutes deles foram ao menos no alvo, de um total de 18 finalizações do time, bem acima da média do Chelsea na competição.

Os 15 minutos finais foram praticamente um treino de posse de bola para o PSG, que ficou com 81% de posse nesse período. Foi a forma mais dolorosa de encerrar o jogo, com o Chelsea sendo realmente humilhado.

Rosenior precisa levantar o time e garantir que o fim da temporada traga algum sucesso. Se não conseguir, o treinador de 41 anos provavelmente terá o mesmo destino dos antecessores, e o Chelsea terá que recomeçar do zero...

Jason Pettigrove é colunista do Flashscore
Jason Pettigrove é colunista do FlashscoreFlashscore