Toda a temporada foi desenhada para esse momento. O defensor de 32 anos, que ainda terá uma Copa do Mundo pela frente, ficou fora de vários jogos do Campeonato Francês, onde o PSG nada de braçada, para focar na Champions. Foi titular absoluto da zaga parisiense em toda a campanha europeia.
Marquinhos disputou 29 partidas na temporada, sendo 14 pela liga nacional e 15 pela competição continental. Marcou dois gols e recebeu apenas dois cartões amarelos, reforçando a disciplina como uma de suas principais características.

Ao lado de Beraldo, que atuou menos — foram 22 jogos no total, sendo 18 como titular —, o zagueiro da Seleção Brasileira, um dos pilares do time de Carlo Ancelotti, conquistou o bicampeonato europeu e ampliou ainda mais seu status de lenda no clube parisiense.
Cria do Corinthians desde os oito anos, Marquinhos passou boa parte da adolescência morando no alojamento da base em Itaquera e era tratado como uma das grandes promessas do clube. Capitão do time campeão da Copinha de 2012, dirigido pelo ex-zagueiro Narciso, subiu ao profissional ainda muito jovem, mas fez apenas 14 partidas antes de ser negociado com a Roma, onde permaneceu por uma temporada. Anos depois, o ex-presidente alvinegro Mário Gobbi revelou que a venda aconteceu após uma conversa com Tite, que teria dito que o defensor “não ia dar zagueiro” por ser franzino e baixo para a posição — o próprio treinador, mais tarde, convocaria Marquinhos para a Seleção e corrigiria a rota.

A trajetória do zagueiro tomou rumo oposto ao previsto. Depois de se destacar na Itália, Marquinhos virou símbolo do Paris Saint-Germain, acumulando títulos nacionais, além de se tornar capitão da Seleção Brasileira. Ele disputou três Copas do Mundo — 2014, 2018 e 2022 — e conquistou a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes da FIFA ainda pelo Corinthians, mesmo como jovem reserva do elenco campeão.
Em Paris, está desde 2013. São 13 temporadas na Cidade Luz, com 11 títulos nacionais, além da Champions conquistada na temporada passada. Na história do clube francês, apenas ele e Beraldo figuram entre os brasileiros que chegaram ao ponto mais alto da Europa.
Anos 1950
Tudo começou com Didi. Ao lado de Canário, um dos maiores jogadores do futebol na metade do século passado, foi o primeiro brasileiro a conquistar a então Copa dos Campeões da Europa, pelo Real Madrid, nas edições de 1959 e 1960. O feito inaugurou uma presença que deixaria de ser episódica para se tornar estrutural. Décadas depois, a história da Champions passou a ser também a história dos brasileiros no torneio. Na final deste ano, entre PSG e Arsenal, será a 18ª temporada consecutiva com ao menos um brasileiro entre os campeões.
Nenhum clube europeu teve tantos brasileiros vencedores quanto Real Madrid e Barcelona. Cada um reuniu 12 jogadores brasileiros campeões da competição. O Real atravessa gerações: de Didi e Canário até Roberto Carlos, Marcelo, Casemiro, Vinicius Júnior, Rodrygo e Éder Militão. O Barcelona concentrou brasileiros sobretudo na era moderna, com Ronaldinho, Belletti, Daniel Alves, Neymar e uma sequência de laterais e meio-campistas que ajudaram a moldar o auge técnico do clube catalão.
Brasileiros campeões da Europa
Barcelona: Ronaldinho, Sylvinho, Edmilson, Belletti, Thiago Motta, Thiago Alcântara, Daniel Alves, Maxwell, Adriano, Douglas, Rafinha Alcântara, Neymar
Real Madrid: Didi, Canário, Roberto Carlos, Sávio, Júlio César, Flávio Conceição, Marcelo, Casemiro, Danilo, Vinicius Jr, Éder Militão e Rodrygo
Logo atrás aparece o Porto, com nove brasileiros campeões. O clube português se tornou uma porta de entrada relevante para atletas do país na Europa, sobretudo nos anos 1980 e 2000. Já o Milan reuniu diferentes gerações, de Dino Sani e José Altafini, nos anos 1960, até Kaká, Cafu, Dida e Serginho.
A partir dos anos 2000, a presença brasileira deixou de ser exceção entre os campeões europeus. Entre os vencedores da Champions neste século, apenas o Liverpool de 2005 e o Manchester United de 2008 não tiveram brasileiros na final.
Em vários outros casos, eles ocuparam posições centrais: Kaká como protagonista do Milan de 2007, Marcelo e Casemiro no ciclo dominante do Real Madrid, Neymar no Barcelona de 2015 e Vinicius Júnior como decisivo em finais diferentes pelo clube espanhol. Ele é o único brasileiro a marcar em duas finais. E, pelo menos até este ano, continuará sendo.
Os maiores campeões brasileiros da competição são Marcelo e Casemiro, ambos com cinco títulos pelo Real Madrid. A lista ajuda a medir como o Brasil deixou de exportar apenas talento eventual para se transformar em parte permanente da elite europeia.

Ataque histórico
O Paris Saint-Germain chegou à final da Champions embalado por um ataque que entrou para a história do torneio. Com Dembélé, Kvaratskhelia e Doué liderando um time que atropelou adversários como Bayern de Munique, Liverpool e Chelsea no mata-mata, o PSG somou 45 gols nesta edição da competição e igualou recorde absoluto em uma única campanha, estabelecido pelo Barcelona de 1999/2000, com 45 gols.
Naquele ano, a competição ainda tinha 32 clubes — hoje, a fase principal reúne 36 equipes. O time de Louis van Gaal disputou 16 dos 17 jogos possíveis e encerrou sua campanha com uma derrota por 5 a 3 no placar agregado para o Valencia, na semifinal.
O Barcelona marcou 19 gols na primeira fase de grupos, contra AIK, Arsenal e Fiorentina, e outros 17 na segunda fase, diante de Hertha Berlim, Porto e Sparta Praga, antes de superar o Chelsea por 6 a 4 no agregado das quartas de final.

Treze jogadores diferentes marcaram gols naquela campanha, com Rivaldo (10), Patrick Kluivert (7) e o atual técnico do PSG, Luis Enrique (6), liderando a artilharia da equipe.
A decisão de 2026 também recolocou duas capitais europeias frente a frente em uma final continental pela primeira vez desde 1971, quando o Ajax, de Amsterdã, venceu o Panathinaikos, de Atenas. A decisão aconteceu no Estádio de Wembley.
