Técnico usa celular como "VAR improvisado" em Honduras e é expulso: "Cansei de ser roubado"

Lavallén tentou usar o celular para convencer o árbitro
Lavallén tentou usar o celular para convencer o árbitroERNESTO BENAVIDES / AFP

O futebol hondurenho viveu uma cena insólita. O técnico Pablo Lavallén acabou expulso depois de mostrar ao árbitro as repetições de duas jogadas controversas...a partir do seu próprio telefone. Após o jogo, o argentino explodiu na coletiva de imprensa e denunciou que a equipe está sendo prejudicada.

No último domingo (8), o Marathón perdeu por 1 a 0 contra o Real España no estádio Yankel Rosenthal, mas o resultado foi completamente ofuscado pelas decisões arbitrais no final. Primeiro, a equipe de Lavallén teve o primeiro gol anulado por um impedimento muito discutível.

Confira a classificação do Campeonato Hondurenho

Minutos depois, já nos acréscimos, o goleiro César Samudio cometeu uma penalidade sobre Nixon Cruz numa jogada que também gerou fortes dúvidas por uma suposta falta anterior. Eddie Hernández converteu a penalidade e selou a vitória dos visitantes.

Foi aí que começou o verdadeiro escândalo. 

O "VAR improvisado" e o cartão vermelho

Após o apito final, Lavallén — que já estava advertido — aproximou-se do árbitro e lhe mostrou no próprio telefone as repetições das jogadas questionadas. A reação do árbitro foi imediata: cartão vermelho direto.

A imagem do técnico argentino tentando convencer o árbitro com seu celular rapidamente circulou pelas redes sociais e alimentou o debate sobre a arbitragem na Liga Nacional de Honduras.

“Cansei de ser roubado”

Em entrevista coletiva, Lavallén foi contundente. Ele respondeu apenas uma pergunta, mas foi o suficiente para deixar uma mensagem forte.

O técnico garantiu que não é a primeira vez que sua equipe é prejudicada. Ainda, lembrou uma final anterior em que, na sua opinião, também lhe anularam um gol legítimo e apontou diretamente contra a comissão arbitral e as autoridades da liga.

O treinador afirmou que este tipo de decisão "prejudica o crescimento do futebol hondurenho" e avisou que, mesmo que seja sancionado, não vai ficar calado.

O apoio da direção

Rolin Peña, vice-presidente do Marathón, saiu publicamente em seu apoio. Ele destacou que o mal-estar não é recente e que o clube já tinha apresentado reclamações formais ao Conselho Nacional de Árbitros.

A direção considera que o problema vem do torneio anterior e que não houve respostas satisfatórias por parte das autoridades.

A possível sanção

O regulamento local prevê punições severas quando um membro da comissão técnica desacredita publicamente dos árbitros ou comete condutas antiesportivas. Lavallén pode receber: uma suspensão de no mínimo quatro jogos por declarações públicas contra a arbitragem e até três jogos adicionais por conduta inadequada com os árbitros.

Na pior das hipóteses, o treinador argentino perderia grande parte da primeira parte do Clausura 2026.

Impacto esportivo

Para além da controvérsia, o resultado teve consequências diretas na tabela: o Marathón perdeu a liderança do campeonato, enquanto o Real España somou três pontos importantes para se aproximar do topo.

Mas o foco já não está no placar. A imagem do treinador mostrando seu celular como um “VAR alternativo” e sua forte denúncia contra a arbitragem marcaram um dos episódios mais polêmicos do futebol do país neste ano.