Direção do Boca Juniors é denunciada por suposta administração fraudulenta

Presidente do Boca, Juan Román Riquelme, está no centro de uma denúncia por fraude
Presidente do Boca, Juan Román Riquelme, está no centro de uma denúncia por fraudeMARCELO ENDELLI / GETTY IMAGES SOUTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

A diretoria do Boca Juniors, liderada por Juan Román Riquelme, ficou no centro de uma denúncia criminal por suposta administração fraudulenta, gestão irregular de fundos e possíveis irregularidades na gestão de ingressos e sócios.

O caso já está nas mãos da Justiça e passa por uma fase preliminar de análise. A denúncia foi apresentada por Walter Federico Klix, sócio ativo do clube e funcionário público federal, perante o Tribunal Penal e Correcional Federal nº 39 da Cidade de Buenos Aires.

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No documento, o denunciante aponta contra Riquelme, o secretário-geral Ricardo Rosica e outros membros da direção, a quem acusa de administração fraudulenta, associação ilícita, gestão indevida de fundos e irregularidades na distribuição de ingressos.

Klix afirma que possui material documental e audiovisual — fotos, vídeos e conversas — que comprovariam suas alegações.

O ponto central: ingressos, arrecadação e cadastro de sócios

Um dos pontos mais delicados da denúncia está relacionado à venda de ingressos e à arrecadação em jogos oficiais. A denúncia menciona especialmente o jogo contra o Alianza Lima pela Libertadores, disputado em 25 de fevereiro de 2025.

De acordo com os dados oficiais do clube, foram vendidos 28.099 ingressos, com uma receita de mais de 1,25 bilhão de pesos (R$ 4,6 milhões).

No entanto, Klix garante que o estádio estava lotado e que haveria uma diferença significativa entre o declarado e a ocupação real, o que — segundo sua hipótese — poderia implicar em desvio de fundos. Por esse motivo, o sócio solicitou perícias contábeis, relatórios à Conmebol e à AFIP, revisão de material audiovisual e declarações testemunhais de sócios.

Além disso, o documento menciona um suposto circuito paralelo de ingressos por meio da liberação de catracas, revenda clandestina e atribuição de protocolos fora dos canais oficiais.

Suposta manipulação do cadastro social

Outro capítulo da denúncia aponta para a gestão dos sócios. Klix afirma que milhares de torcedores permanecem em lista de espera durante anos para se tornarem sócios ativos, enquanto outros teriam obtido acesso rápido por meio de favores ou supostos benefícios políticos.

Ele acredita na existência de um esquema de clientelismo interno dentro da estrutura institucional.

Segundo informações, não é a primeira vez que Klix move uma ação contra a atual direção do Boca. Uma denúncia anterior foi arquivada por falta de provas. Nesta ocasião, a diferença estaria no novo material probatório que ele afirma ter.

A resposta do Boca

O clube já apresentou um documento formal no processo, no qual manifestou sua disposição de colaborar com a Justiça e fornecer todas as informações necessárias.

Também solicitaram participar no momento em que as provas forem entregues, com o objetivo — segundo indicaram — de garantir a transparência do processo.

Em que fase está o processo

O processo está em análise preliminar. O juiz Santiago Bignone e o procurador Carlos Vasser estão avaliando a documentação inicial antes de decidirem se avançam com intimações para depoimento, medidas de prova adicionais e perícia contabilística.

Por enquanto, não há acusações formais, mas a investigação continua aberta.

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A denúncia se soma a um contexto complexo para a direção, em um ano marcado por debates internos, questionamentos institucionais e tensão sobre o desempenho em campo.

A Justiça deverá agora determinar se existem elementos suficientes para aprofundar a investigação ou se o caso não prospera, como ocorreu antes.