Para contratar Gerson junto ao Zenit, da Rússia, o Cruzeiro desembolsou 27 milhões de euros (R$ 169 milhões) fixos, além de 3 milhões de euros (R$ 19 milhões) em possíveis bônus. À imprensa, o jogador foi direto: o projeto ofertado pelo time mineiro era irrecusável.
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"Quando tem um esforço muito grande de uma parte em te querer em um ambiente, isso vai muito em consideração. Um projeto irrecusável para a minha carreira", declarou Gerson.
"Estamos falando de um clube gigante. Com todo respeito a outros clubes, não estamos falando de um clube qualquer. É de um clube gigante e de muita história", acrescentou o novo meia do Cruzeiro.
Sonho de Copa do Mundo
O retorno ao futebol brasileiro também é estratégico. Após uma passagem apagada pelo futebol russo, onde disputou apenas 15 jogos e marcou dois gols, Gerson vê no Cruzeiro a possibilidade de voltar à Seleção Brasileira e disputar a Copa do Mundo deste ano, algo projetado até mesmo por Pedro Lourenço, dono da SAF celeste.
"Estamos muito felizes com a sua chegada. Você dispensa comentários, não é um jovem, é um jogador feito, de Seleção Brasileira, espero vê-lo na Copa do Mundo, daqui a seis meses. Não fizemos uma aposta, fizemos um esforço em um jogador consolidado, de Seleção Brasileira, e temos plena certeza de que ele vai disputar a Copa do Mundo, quem sabe trazendo o título para nós", disse Pedrinho.

Uma responsabilidade que Gerson abraça e que, em parte, motivou sua escolha pelo Cruzeiro. O meia foi convocado pela última vez na Data FIFA de junho do ano passado, que marcou a estreia de Carlo Ancelotti à frente da Seleção. Ele jogou contra Equador e Peru.
"O importante é sempre estar em campo ajudando. É óbvio que sonho em estar na Copa do Mundo, é o sonho de todos os jogadores. O projeto Cruzeiro me deixa muito mais próximo disso. Óbvio que tenho que fazer o meu trabalho em campo, até porque terei toda a estrutura para isso", destacou o reforço cruzeirense.

Lágrimas e desabafo
Criticado por suas idas e vindas entre o futebol europeu e o brasileiro, Gerson foi às lágrimas ao falar sobre a família, especialmente a relação com o pai Marcão, um dos responsáveis diretos por sucessivas transferências.
Em nenhum momento da coletiva Gerson citou o Flamengo. A saída do Rubro-Negro para o Zenit — fechada em 25 milhões de euros (mais de R$ 160 milhões) — foi marcada por questionamentos da torcida carioca, que inclusive o vaiou em jogos da Copa do Mundo de Clubes.
"Hoje em dia sou eu que estou sendo pai dele. Meu pai foi meu primeiro treinador, muitos não sabem, estivemos juntos quando passávamos dificuldade. Meu pai acreditava em mim, eu fico emocionado de falar isso, muitas pessoas criticam. No mundo que a gente vive hoje é fácil falar do próximo. Criticam muito ele, falam muita coisa... por trás de uma rede social. Ninguém sabe o que a gente passou, ele estava comigo quando não tínhamos o que comer", afirmou o jogador, em lágrimas.

"Não vai ser agora que eu vou abandonar ele. Estamos juntos até o final. Não é um choro de tristeza, é de alegria. Hoje eu posso dar uma vida boa para minha família, uma escola boa para minha filha. É fácil criticar, fácil falar da vida do próximo. Ninguém estava comigo quando eu não tinha o que comer. Só ele, minha mãe e minhas irmãs. Podem falar o que eu quiser, não ligo", seguiu.
"Minha prioridade vai ser a minha família. Eu sei de onde eu vim, onde cheguei e onde quero chegar. Um recado aqui: posso estar passando o pior momento da minha vida, mas não vou discutir com jornalista, torcedor, até porque sempre respondi em campo e é o que vou fazer. É um desabafo porque é doloroso ver certas coisas, ver o que as pessoas falam. Minha vontade é gravar um vídeo, mas não sou assim. Eu respondo dentro de campo e vai ser isso", concluiu.
