É impossível dissociar o futebol de Lionel Messi. O argentino, vencedor de nove Bolas de Ouro, continua escrevendo páginas brilhantes na história do esporte, mesmo na fase menos iluminada de seu percurso.
Confira a classificação da MLS
Após ter conquistado praticamente tudo — de recordes individuais a títulos coletivos, até a Copa do Mundo com a Argentina —, era possível supor que a motivação do craque estaria saciada. Mas Messi insiste em surpreender, provando que o tempo não corroeu seu talento nem sua capacidade de ser decisivo.
No duelo com o Nashville (1 a 1), o capitão do Inter Miami alcançou um patamar simbólico e avassalador: o seu 900º gol na carreira. O registro é reservado a uma elite pequena na história do futebol, que reitera a longevidade, o talento e o impacto de um dos jogadores mais influentes de todos os tempos.
Barcelona: O berço da lenda
O clube que mais aproveitou a genialidade de Messi foi, inquestionavelmente, o Barcelona, onde o craque se formou e se transformou em um ícone global. Na Catalunha, Messi viveu 17 temporadas inesquecíveis, tornando-se o protagonista da era mais vitoriosa da história blaugrana e o jogador mais dominante a pisar nos gramados europeus.
Ao serviço do Barcelona, atingiu números estratosféricos: 672 gols e 265 assistências em 778 jogos oficiais, sendo a peça principal na conquista de 34 troféus, como 10 LaLigas e quatro Champions League, mas é a memória de uma equipe que encantou o mundo que prevalece.
Além do sucesso coletivo, os prêmios individuais consolidaram Messi como o protagonista absoluto de todas as competições que disputou. Para a maioria dos torcedores, o desfecho natural seria a aposentadoria em Barcelona. No entanto, no meio de 2021, o mundo do futebol foi abalado pela separação abrupta entre o clube e o seu maior símbolo.
Devido às restrições financeiras impostas pela Liga, a renovação contratual tornou-se inviável, forçando Messi a se despedir do Camp Nou em uma coletiva de imprensa regada em lágrimas, que permanece como uma das imagens mais marcantes e dolorosas da história recente do futebol.
O capítulo parisiense
Com o adeus à Catalunha, Messi abraçou um novo desafio no Paris Saint-Germain. Na capital francesa, integrou um trio ofensivo que, no papel, prometia hegemonia total no Velho Continente: Messi alinhou ao lado de Neymar e Kylian Mbappé.
As expectativas eram colossais, mas a realidade revelou-se mais complexa. Apesar do talento, o PSG nunca conseguiu encontrar o equilíbrio necessário para reinar na Europa. No plano interno, os títulos surgiram com naturalidade — duas Ligue 1 e uma Supercopa da França —, mas a Champions League permaneceu um sonho distante durante a estadia do argentino.
Mesmo num contexto nem sempre ideal, Messi não deixou de marcar. Em duas temporada em Paris, registrou 32 gols e 34 assistências em 75 partidas oficiais, evidenciando que a sua influência é transversal a qualquer campeonato.
A aventura americana: Messi revoluciona a MLS
Em 2023, Messi tomou uma das decisões mais surpreendentes da sua carreira ao viajar para os Estados Unidos. O Inter Miami, de David Beckham, conseguiu levar o astro para a Major League Soccer, desencadeando um verdadeiro terremoto midiático e esportivo no futebol norte-americano.
Em Miami, o camisa 10 reencontrou velhos companheiros da era dourada do Barcelona, como Sergio Busquets, Jordi Alba e Luis Suárez, enquanto Javier Mascherano assumiu funções na estrutura técnica. A "colônia blaugrana" criou um fascínio adicional ao clube da Flórida.
A presença de Messi alterou radicalmente a perceção global da MLS. Os estádios esgotaram, o interesse midiático disparou e o campeonato norte-americano ganhou uma visibilidade sem precedentes à escala mundial.
Dentro das quatro linhas, o argentino manteve o hábito de encantar e balançar as redes. Pelo Inter Miami, soma já 81 gols e 43 assistências em 93 jogos, tornando-se o maior artilheiro da história do clube e peça-chave na conquista do primeiro título da MLS.
Argentina: A redenção e a glória eterna
Se a carreira ao nível de clubes foi assombrosa, a relação de Messi com a Argentina é digna de um filme. Durante anos, o craque foi alvo de críticas por não conseguir levar para a Albiceleste o sucesso que tinha no Barcelona. Finais perdidas e desilusões sucessivas alimentaram uma narrativa, muitas vezes injusta, sobre o seu compromisso nacional.
Contudo, a partir de 2021, o destino mudou. A Argentina ergueu a Copa América em 2021, quebrando um longo jejum, e, depois, o grande título: o Mundial de 2022, no Catar, o momento mais icônico e catártico da vida de Messi.
Para selar a consagração absoluta, a seleção conquistou mais uma vitória na Copa América em 2024, encerrando um ciclo que começou sob enorme pressão e terminou com um sucesso. Com as cores da Argentina, Messi tem 115 gols e 65 assistências em 196 partidas, se firmando como a figura mais representativa e vencedora da história da seleção.
900 gols: Uma carreira que recusa o fim
A marca dos 900 gols é o mais recente pilar de um percurso sem igual. Ainda assim, apesar de já ter conquistado tudo o que havia para ganhar, a sensação que prevalece é que a história de Messi ainda reserva mais alguns capítulos.
No horizonte tem o Mundial de 2026, que poderá ser o fim de sua grande aventura com a seleção. Independentemente do desfecho, o lugar de Lionel Messi na história do futebol está mais do que garantido.
Mesmo do outro lado do oceano, longe das luzes de Camp Nou, o eterno camisa 10 continua escrevendo sua lenda, provando que a classe pura é imune ao tempo e às fronteiras.
