Flaco além do apelido: o outro “leão” do ataque do Palmeiras

Flaco, artilheiro do Verdão no Paulista
Flaco, artilheiro do Verdão no PaulistaERNESTO BENAVIDES / AFP

Após passar pela semifinal contra o São Paulo sendo superior em todo o jogo, Abel Ferreira teceu elogios ao atacante Vitor Roque: "Para mim ele é um leão e não um tigrinho”. Faltou, porém, reverenciar outro “brigador” do ataque alviverde: José López, que já deixou para trás, faz tempo, o apelido de El Flaco (magro, em espanhol).

Os números dele ao longo de três temporadas completas pelo Palmeiras — a transferência do Lanús ocorreu em julho de 2022 — mostram um desempenho interessante, apesar de alguns altos e baixos. Ele deve ser um peça-chave na primeira partida da final do Paulistão, nesta quarta (4), às 20h, contra o Novorizontino.

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As dificuldades enfrentadas na Argentina, no início da carreira, moldaram o estilo mais híbrido do atacante argentino, que nem sempre atuou como um típico centroavante.

Flaco López em Vitória x Palmeiras, pelo Brasileirão 2025
Flaco López em Vitória x Palmeiras, pelo Brasileirão 2025Cesar Greco/Palmeiras

“A mudança de posição foi muito importante para ele, porque jogar como meio-campista é muito diferente de jogar como atacante: manejo do corpo, jogar de costas, uso dos braços. Ele já era alto nessa idade, mas não cabeceava bem. E, quando eu era criança, tive o mesmo problema. Então incuti nele o que me ensinaram: coordenar bem os passos e tentar acertar a bola no ponto mais alto do salto”, disse o ex-zagueiro Gabriel del Valle Medina ao jornal argentino La Nación no ano passado, exatamente quando Flaco foi convocado para a seleção da Argentina.

Os números de Flaco López
Os números de Flaco LópezFlashscore

O ex-jogador era membro da comissão técnica das categorias de base do Lanús quando o então garoto José López, aos 17 anos, chegou para ser testado no clube. Ele ainda seria emprestado, em 2019, ao Colegiales de Tres Arroyos para disputar uma temporada de um dos campeonatos regionais argentinos.

Os campos precários e os adversários duros que enfrentou o moldaram ainda mais.

Mais gols marcados do que esperados: eficiência?
Mais gols marcados do que esperados: eficiência?Stats Perform/Opta

A troca do grená pelo verde

De volta ao Lanús, tudo começou de fato com Luis Zubeldía, mas não antes de a pandemia quase encerrar precocemente a carreira de Flaco López. Um ano e meio depois, ele se tornaria a venda mais cara da história do clube grená: o Palmeiras o comprou por US$ 10 milhões.

Os treinos para aprimorar o jogo aéreo surtiram efeito, pelo menos nas duas primeiras temporadas do argentino no Brasil. Em 2023, quando ele foi artilheiro do Paulistão, dos 10 gols marcados, 6 foram de cabeça.

No ano seguinte foram 2, de um total de 4 no mesmo campeonato. Em 2025, quando Flaco começou sendo chamado à atenção publicamente por Abel Ferreira — “ele precisa mostrar mais vontade” —, houve apenas uma cabeçada certeira, em um total de 5 gols.

López também foi artilheiro no Paulista em 2023
López também foi artilheiro no Paulista em 2023Stats Perform/Opta

Parte desses gols se deve à redescoberta de um Flaco mais móvel após a chegada de Vitor Roque. Seus números com o Verdão são superlativos e revelam um atacante que vai além da presença física na área: ele participa da construção, pressiona a saída adversária e amplia o repertório ofensivo da equipe.

Apenas pelo Verdão, o camisa 42 tem 192 jogos (110 como titular), 63 gols e 16 assistências. Flaco é o artilheiro do elenco em 2026, com 6 gols.

Em 25, no Paulista, chances criadas, e gols, em alta
Em 25, no Paulista, chances criadas, e gols, em altaStats Perform/Opta

O Tigre pode reescrever a história?

Os palmeirenses nascidos nos anos 1970 ou antes ainda se lembram, com tristeza, de 1986. O time estava havia 10 anos sem títulos e tudo conspirava para o fim do jejum. A final do Paulista, que naquele tempo tinha peso semelhante ao do Brasileiro, seria disputada em dois jogos no Morumbi, contra a Inter de Limeira, dirigida por Pepe, o Canhão da Vila, que atuara ao lado de Pelé no Santos.

Depois de um empate em 0 a 0, a noite de 3 de setembro daquele ano seria histórica — mas para o time do interior. Pela primeira vez, um grande sucumbia a um pequeno na final do Estadual.

Algo que pode se repetir em 2026, mas com um dado ainda mais significativo: nunca um time do interior conquistou o título vencendo um grande dentro da própria casa na partida derradeira.

Novorizontino eliminou Santos e Corinthians no Paulistão
Novorizontino eliminou Santos e Corinthians no PaulistãoJuan Rodrigues/Novorizontino

Se, em 1986, o Palmeiras se livrou de jogar em Limeira, em 2014, quando algo semelhante ocorreu, a segunda partida foi disputada no Pacaembu — e o Ituano venceu o Santos nos pênaltis.

O Tigre do Vale — apelido do Novorizontino — pode também se tornar o primeiro time na história do Paulistão, disputado desde 1902, a conquistar o título eliminando três grandes do Estado na fase de mata-mata – que existe mais ou menos nos mesmos moldes desde 2002.

Santos e Corinthians já caíram no estádio Doutor Jorge Ismael de Biasi, o Jorjão, palco da segunda partida no domingo (8).

Favoritismo alviverde e força coletiva do interior

Deixando a história de lado, o Palmeiras chega como favorito ao título em sua sétima final consecutiva do estadual. O Verdão fica atrás apenas do Santos, que alcançou oito decisões seguidas entre 2009 e 2016.

A equipe, muito provavelmente, será a mesma que controlou bem o São Paulo, novamente com Roque e Flaco à frente — não apenas atacando, mas sendo decisivos na marcação sob pressão que o Palmeiras costuma exercer.

Do lado do Novorizontino, o conjunto montado por Enderson Moreira é o maior trunfo do aurinegro. Soma-se a isso a recuperação técnica, em comparação com 2025, dos artilheiros Rômulo e Robson. Dos 19 gols marcados pelo Tigre do Vale, só três não tiveram a participação de um ou de outro.

Gráfico de Robson, do Novorizontino
Gráfico de Robson, do NovorizontinoStats Perform/Opta

A diretoria do Novorizontino, porém, não pagará a multa para utilizar Rômulo, que pertence ao Palmeiras. Por contrato, ele não pode atuar gratuitamente contra o clube que detém seus direitos econômicos. A marcação é o ponto forte do time do interior paulista, fundado em 2010

O Novorizontino vice-campeão em 1990, na final contra o Bragantino, dirigido por Nelsinho Baptista, era tecnicamente outro clube — apesar do nome e das cores iguais.