Orçamentos distintos opõem estratégias de Palmeiras e São Paulo na semi do Paulistão

Palmeiras venceu São Paulo por 3 a 1 na 1ª fase do Paulistão
Palmeiras venceu São Paulo por 3 a 1 na 1ª fase do PaulistãoFabio Menotti/Palmeiras

O Choque-Rei da semifinal do Paulistão expõe, com clareza quase didática, a distância econômica entre Palmeiras e São Paulo. Os centros de treinamento dos clubes são separados por um simples muro, na zona oeste da capital, mas hoje vivem realidades financeiras bastante distintas.

Em cenário de saúde fiscal sólida, o Palmeiras vem se dando ao luxo de repatriar jogadores jovens, como Vitor Roque (20 anos), ou atletas ainda próximos do auge físico, casos de Arias (28) e Andreas Pereira (30).

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O efeito dessa estratégia aparece no campo: o time considerado titular por Abel Ferreira tem média de idade em torno dos 26 anos, cerca de três a menos que o onze ideal do São Paulo.

Os números de Vitor Roque na Série A
Os números de Vitor Roque na Série AREUTERS/Jean Carniel

Do outro lado do muro, o Tricolor segue empenhado em equilibrar as contas. Para isso, aposta na base — com nomes como Maik (21) e Lucca (18) — e em contratações de baixo custo, nem sempre badaladas, mas que vêm se encaixando no time de Hernán Crespo, como Danielzinho (31) e Lucas Ramon (31).

Lucas Moura já soma 33 anos. Luciano e Calleri, pilares do elenco, têm 32. Marcos Antônio, cobiçado por outros clubes, foge à curva etária e simboliza a exceção. Aos 25 anos, ele representa a juventude que ainda pulsa no motor do meio-campo são-paulino. Cauly, o reforço mais recente, chega com 30.

Média de idade do ataque do São Paulo
Média de idade do ataque do São PauloOpta by Stats Perform / REUTERS/Jean Carniel

Retrospecto recente

Essa diferença física — e muitas vezes técnica — se reflete nos números recentes do clássico. Nos últimos 10 confrontos, o São Paulo não venceu nenhuma vez nos 90 minutos. O título da Supercopa Rei de 2024 só veio nos pênaltis. 

Ampliando o recorte para cinco anos, há episódios emblemáticos: a virada histórica do Palmeiras na final do Paulistão de 2022 — após perder por 3 a 1 no Morumbi, devolveu um 4 a 0 em casa — e a celebrada eliminação do rival pelo São Paulo na Copa do Brasil de 2023, com duas vitórias, as últimas do Tricolor sobre o adversário.

Naquele ano, o clube ainda conquistou, pela primeira vez, o torneio, passando também por Corinthians e Flamengo.

Palmeiras com ampla vantagem sobre São Paulo nos duelos recentes
Palmeiras com ampla vantagem sobre São Paulo nos duelos recentesOpta by Stats Perform

As polêmicas ficam como pano de fundo. Elas vão da arbitragem ao gramado sintético usado pelo Verdão, tanto no Allianz Parque quanto em Barueri, palco do jogo deste domingo (1º), às 20h30.

Batalha tática

No centro do debate está o enigma tático de Abel Ferreira: o Palmeiras vai apostar no clássico 4-2-4, sobretudo nos momentos em que tiver a bola? A vaga na final será decidida em jogo único. Empate leva aos pênaltis.

Nesse cenário, Marlon Freitas e Andreas Pereira devem formar a dupla de sustentação entre defesa e ataque. À frente, Arias tende a atuar pela esquerda, Allan pela direita, com Flaco e Roque centralizados — todos pressionados a marcar desde a saída de bola adversária.

Flaco López em números
Flaco López em númerosREUTERS/Diego Vara

O São Paulo também deposita suas esperanças nos pilares do meio-campo, como Bobadilla e Marcos Antônio, além da inspiração ofensiva de pelo menos dois entre Luciano, Lucas e Calleri.

O dilema de Crespo é estrutural: manter ou não o esquema com três zagueiros. Sem Alan Franco, suspenso, a construção desde trás pode se tornar um problema.

Para ambos os lados, mais do que a chance de disputar outra final, eliminar o rival representa alívio imediato — para técnicos, jogadores e bastidores — nos dias seguintes ao clássico.

Calleri, aos poucos, retorna
Calleri, aos poucos, retornaREUTERS/Jean Carniel

O muro financeiro que separa Palmeiras e São Paulo pode não ser alto o bastante para decidir um jogo só, como mostrou a Supercopa do Brasil. Ainda assim, ele pesa. Apenas em 2026, o Verdão desembolsou mais de 30 milhões de euros para contratar Marlon Freitas (5,1 milhões) e Arias (25 milhões), reforçando um elenco já ajustado.

O São Paulo, por sua vez, mantém a lista de desembolsos zerada, reflexo de um caixa esvaziado. A última contratação com investimento relevante foi o atacante André Silva, há quase dois anos, por 3,5 milhões de euros.

Em confrontos assim, o desequilíbrio tende a aparecer sobretudo no segundo tempo, quando as substituições passam a influenciar diretamente o rumo da partida.