Se mantiver o favoritismo em Novo Horizonte neste domingo (8), às 20h30, e levantar o troféu, o legado dentro de campo deixado pelo Paulistão deve ser a tônica alviverde para o resto da temporada.
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O raio-x dos gols do Palmeiras no Estadual (15 em 11 jogos) evidencia a mudança. Foram 12 gols de bola rolando (80%) e três originários de bolas paradas.
Flaco López fez de cabeça após cruzamento de Sosa em cobrança de falta na vitória por 1 a 0 sobre o Mirassol, na fase de classificação. Contra o São Paulo, na semifinal, o segundo gol também surge após uma falta, com o cruzamento de Piquerez e a inteligência de Flaco.
Houve também o pênalti convertido por Andreas Pereira contra o Capivariano – o terceiro gol da goleada por 4 a 0.
Cadê a bola parada?
No ano passado, durante os 16 jogos do Paulistão, 68% dos 25 gols do Palmeiras saíram de bola rolando. O time de Abel Ferreira marcou seis vezes de escanteio, contra nenhuma neste ano.
A velocidade no campo de ataque também tem surtido mais efeito em 2026. Foram três gols em contra-ataques, contra nenhum em 2025. A comparação entre os dois Paulistas é mais justa por causa do nível dos adversários e da época do ano em que os jogos ocorrem.

“Entramos muito bem no jogo, uma equipe muito dinâmica”, sentenciou Abel logo após eliminar o São Paulo na semifinal. Dinâmica é uma palavra que vem sendo bastante usada pelo treinador mais longevo do futebol brasileiro na atualidade.
Contra o Novorizontino, na primeira partida da final, outra faceta alviverde apareceu. As laterais do campo estão sendo bem mais usadas, mas não para cruzamentos estéreis, e sim para laterais e atacantes trocarem figurinhas em direção ao gol adversário.
A bola também está circulando bem mais, apesar de as características de Allan e Marlon Freitas, por exemplo, serem de maior condução. Neste ano, os jogadores do Verdão carregaram a bola, em média, 355 metros por jogo — contra 601 no ano passado.
Os críticos dos chutões para frente, como Rogério Ceni, que já reclamou do estilo de jogo do Palmeiras no ano passado, talvez tenham que começar a rever seus conceitos.

Bicão para frente
A média no Paulistão 2026 é de 4,8 lançamentos ao campo de ataque (1,2 certos), contra 7,3 (1,7 corretos) no estadual de 2025. No primeiro jogo da final, por exemplo, foi algo que rendeu — e garantiu a vitória mínima do Palmeiras para jogar pelo empate no interior paulista.
Mais do que o ataque, contra a melhor campanha do Paulistão (o Novorizontino está à frente pelo saldo de gols), o Palmeiras terá que segurar as transições ofensivas do Tigre do Vale, que busca seu primeiro título desde a fundação, em 2010.
O time com as mesmas cores e torcida que fez a final caipira em 1990, perdendo para o Bragantino de Luxemburgo, era outro. Aquele fechou em 1999.

Novorizontino: 100% em casa
O aurinegro dirigido por Enderson Moreira fez quatro gols em contra-ataques, dos 19 marcados. Apenas três vieram de bolas paradas (um de escanteio e dois de pênalti). E sete dos gols terminaram nas redes por causa do artilheiro Robson. No Paulistão, ele tem um a mais que Flaco López.
Em casa, em 2026, são seis jogos e seis vitórias, incluindo a goleada por 4 a 0 sobre o Palmeiras na fase de classificação. Além disso, o time eliminou Santos e Corinthians, nas quartas e na semifinal, respectivamente, no Jorjão.
Diante da sua torcida, o saldo é positivo: 13 gols marcados e dois sofridos. Vitória simples do time da casa leva a decisão para os pênaltis, com Carlos Miguel no gol do Verdão.

