De dérbi com atropelo a final dramático: as vitórias cruciais do Arsenal rumo ao título

Arsenal é campeão da Premier League
Arsenal é campeão da Premier LeagueČTK / imago sportfotodienst / David Klein

O Arsenal conseguiu o título que não vinha desde 2003/04 e conquistou a Premier League. Após anos de sofrimento e três temporadas seguidas em 2º lugar, os Gunners encerraram o jejum de 22 anos. Foi uma trajetória de luta e sacrifício, e é justo dizer que a torcida provavelmente envelheceu vários anos nos últimos meses.

Graças ao empate do Manchester City com o Bournemouth (1 a 1), nesta terça-feira (19), na 37ª rodada, o Arsenal se sagrou campeão no sofá.

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Mikel Arteta  – que está no clube há quase seis anos e meio – construiu uma equipe combativa que conquistou o título com resiliência, força de vontade, uma defesa incrível e grande eficácia nas bolas paradas. Nem sempre foi bonito, mas, no fim das contas, isso não tem qualquer importância.

Houve muitos obstáculos pelo caminho enquanto o Arsenal navegava por águas agitadas, com algumas vitórias tendo um significado muito maior do que outras. Então, que resultados foram realmente decisivos no percurso até o título da Premier League?

Manchester United 0 x 1 Arsenal (1ª rodada)

Todos os olhos estavam voltados para Old Trafford, onde o Manchester United recebia o Arsenal no jogo de estreia de ambas as equipes na temporada, e o time de Londres deu logo um sinal do que viria a ser o resto da campanha.

O único gol da partida surgiu cedo, através de um dos pontos fortes dos Gunners – um escanteio. Riccardo Calafiori foi o homem que cabeceou para o fundo das redes após Altay Bayindir falhar. No entanto, o Manchester United de Ruben Amorim dominou grande parte do jogo, com 22 finalizações contra nove do Arsenal.

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Ainda assim, a equipe de Arteta pareceu sempre confiante em segurar o resultado, com David Raya em destaque no gol e a zaga intransponível – como estiveram a temporada toda.

Nesta temporada, o clube venceu oito jogos por 1 a 0 na Premier League; só em 1998/99 conseguiu mais (9). Marcou também de bola parada em 19 dos 37 jogos da liga, excluindo os pênaltis. Começar como se quer acabar.

Newcastle 1 x 2 Arsenal (6ª rodada) 

Depois de um empate em 1 a 1 em casa contra o Manchester City, que colocou Arteta sob pressão por ser cauteloso e conservador demais na escolha do time titular, o Arsenal enfrentou uma visita extremamente complicada ao Newcastle, um local onde costuma ter dificuldades e sair derrotado.

Arteta vinha apostando em Declan Rice, Mikel Merino e Martín Zubimendi em um meio-campo robusto, mas pouco criativo. Contra o Newcastle, lançou o reforço de 65 milhões de euros (R$ 380 milhões) Eberechi Eze, procurando acrescentar criatividade e imprevisibilidade.

E o Arsenal respondeu com uma exibição fantástica, praticando um futebol ofensivo e fluido, apesar de ter ficado atrás no placar por 1 a 0 durante meia hora, após um gol de Nick Woltemade. O time passou toda a segunda etapa pressionando, com 73% de posse de bola e 11 chutes contra quatro do Newcastle.

O Arsenal marcou dois gols tardios – ambos de bola parada. O primeiro surgiu de um cruzamento de Rice, com Merino, que tinha acabado de entrar, cabeceando de forma inteligente. Depois, o zagueiro Gabriel Magalhães subiu mais alto que os demais, aos 51 minutos, e cabeceou para o fundo das redes, garantindo uma vitória brilhante em St. James' Park.

Pareceu a primeira grande vitória da temporada e acalmou temporariamente as críticas.

Arsenal 4 x 1 Aston Villa (19ª rodada)

Algumas semanas depois de sofrer uma derrota cruel nos instantes finais para o Aston Villa, o Arsenal entrava em 2026 no topo da tabela, tendo novamente o Villa, em grande fase, como adversário, desta vez no Emirates Stadium.

Foi uma das raras ocasiões em que o Arsenal não contou com o influente Rice no meio-campo, o que gerava alguma preocupação sobre como iria lidar com uma equipa em tão bom momento.

Após uma primeira parte tensa, os Gunners aceleraram no segundo tempo, quando Amadou Onana saiu lesionado. Gabriel Magalhães marcou novamente em um escanteio, antes dos gols de Zubimendi, Leandro Trossard e Gabriel Jesus destruírem por completo o Aston Villa numa etapa final de grande nível.

Leeds 0 x 4 Arsenal (24ª rodada)

Depois de empates contra LiverpoolNottingham Forest, e de uma derrota em casa para o Manchester United, a pressão sobre o Arsenal começava a aumentar. O rótulo de "pipoqueiro" começava a circular, com muitos antecipando que a equipe iria vacilar novamente.

Uma viagem a Elland Road para enfrentar um Leeds United em recuperação parecia um desafio muito complicado para um time que estava perdendo a confiança. Mas o jogo se revelou tudo menos isso.

Zubimendi, Noni Madueke, Viktor Gyökeres e Gabriel Jesus marcaram em uma vitória expressiva, estabilizando o Arsenal e recolocando o clube no caminho certo. Foi também o primeiro gol de Madueke na Premier League pelo clube, e logo olímpico — em um escanteio, claro.

Tottenham 1 x 4 Arsenal (27ª rodada)

Chegando para um dérbi do Norte de Londres decisivo no Tottenham Hotspur Stadium, os Spurs sentiam o cheiro de sangue. O Arsenal tinha acabado de desperdiçar uma vantagem de dois gols e empatar com o lanterna Wolverhampton, e o Manchester City pressionava seriamente os Gunners.

Mas, liderados por Eze, que tinha feito um hat-trick no jogo do primeiro turno, os Gunners atropelaram seu maior rival. O inglês desfilou na casa da equipe para a qual esteve perto de se transferir, e Gyökeres, sob pressão, ainda marcou dois gols.

Um enorme impulso moral e de confiança para o Arsenal, que conquistou o direito de se gabar. O resultado agregado contra o Tottenham nesta temporada foi de 8 a 2.

Arsenal 2 x 0 Everton (30ª rodada)

O Manchester City havia acabado de perder pontos contra o Nottingham Forest, e o Arsenal tinha alguma folga no topo da tabela. Era fundamental manter o ritmo. Um Everton que vinha sendo muito forte fora de casa visitou o Emirates, e o jogo tinha potencial para ser uma armadilha.

O Arsenal jogou bem durante um tempo, mas não conseguia encontrar uma forma de furar a sólida defesa do adversário. Eis que surgiu o jovem de 16 anos Max Dowman. Um talento especial, muito bem cotado por Arteta e por todos no Arsenal. O espanhol mostrou total confiança no garoto para tentar fazer a diferença.

Dowman correspondeu, dando mais dinâmica ao Arsenal no último terço. A dois minutos do fim do tempo regulamentar, cruzou para a área, o goleiro Jordan Pickford falhou e Gyökeres só teve que conferir.

Já nos acréscimos, Dowman fechou a vitória com um momento de conto de fadas, levando a bola desde o campo de defesa e finalizando para o gol vazio, com Pickford no ataque para ume scanteio. Tornou-se assim o mais jovem goleador na história da Premier League (16 anos e 73 dias). Mais um capítulo notável em uma temporada memorável para os Gunners.

Arsenal 1 x 0 Newcastle (34ª rodada)

Após a derrota para o Manchester City no Etihad, o Arsenal entrou no jogo contra o Newcastle em 2º lugar pela primeira vez em muito tempo. O City estava na frente pelo saldo de gols e, de repente, a pressão psicológica mudou de lado.

O Arsenal precisava provar que não ia esmorecer e estava disposto a aguentar os golpes, não tendo outra opção que não a vitória sobre o Newcastle.

O único gol do jogo foi de Eze, aos nove minutos, com um chutaço de longe após um escanteio curto bem trabalhado. Foi um jogo de nervos para o Arsenal e para a torcida, longe de ser inspirador. Mas não precisava ser.

Os Gunners mostraram resiliência e espírito de luta, como em toda a temporada, e a defesa garantiu um novo 1 a 0. O que importava eram os três pontos para reassumir a liderança.

West Ham 0 x 1 Arsenal (36ª rodada)

O duelo era de uma importância enorme nos dois extremos da tabela. O Arsenal tinha recuperado o controle da luta pelo título e visitava o rival londrino West Ham, que lutava pela sobrevivência na primeira divisão.

O confronto estava equilibradíssimo e, à medida que os minutos passavam, sentia-se a pressão aumentando dentro do Estádio Olímpico de Londres. Já perto do fim, o meia Matheus Fernandes, do West Ham, teve uma grande oportunidade para colocar o time em vantagem, mas David Raya cresceu e fez uma defesa fantástica.

Depois, aos 38 minutos do segundo tempo, o Arsenal abriu o placar com Trossard, que finalizou com frieza após boa jogada de Martin Odegaard.

Estatísticas de Raya esta época
Estatísticas de Raya esta épocaMark Pain / Alamy / Profimedia / Opta by StatsPerform

Houve ainda mais emoção quando o West Ham parecia ter empatado nos instantes finais, com Callum Wilson. No entanto, o gol foi anulado após uma longa e tensa análise do VAR por falta em Raya – provavelmente a decisão de VAR mais importante da história da Premier League.

1 a 0 para o Arsenal, mais uma vez. Talvez este tenha sido mesmo o momento decisivo na luta pelo título.