Do Chelsea ao Lyon: o peso do banco de reservas na elite europeia

Chelsea tem um banco cheio de estrelas
Chelsea tem um banco cheio de estrelasReuters / Paul Childs

Um raio-x das cinco principais ligas do continente, com dados do BeSoccer Pro, revelou um abismo entre os clubes que utilizam seus reservas e aqueles que fazem da força do elenco sua maior virtude.

No futebol contemporâneo, marcado por calendários asfixiantes e sobrecarregados, a gestão da equipe se tornou um pilar estratégico. Ter um elenco numeroso e manter titulares e reservas, em alto nível de competitividade é, hoje, uma obrigação para qualquer treinador. 

Seja para mitigar o risco de lesões ou para gerir o desgaste físico decorrente da alta intensidade, o banco de reservas deixou de ser um recurso de emergência, virando um dos principais trunfos táticos. Sem essa rotatividade, as equipes dificilmente chegam à reta decisiva da temporada, sobretudo com o fôlego necessário para disputar títulos.

Últimos resultados do Lyon
Últimos resultados do LyonFlashscore

Entre as cinco grandes ligas europeias, surpreendentemente, o Lyon aparece no fim da lista em eficiência: a participação de jogadores vindos do banco, nesta temporada, é baixíssima, apenas 981 minutos. O número coloca o clube francês como o que menos utiliza reservas, em toda a Europa, com uma distância considerável para o Crystal Palace (1.213 minutos), seguido por Everton (1.304) e RB Leipzig (1.311). 

A evidente falta de confiança de Paulo Fonseca, nas opções da reserva, pode ser explicada pela recente debandada de nomes importantes, como Rayan Cherki, Jordan Veretout e Lucas Perri, além das ausências de Alexandre Lacazette e Nemanja Matic. Esse desmanche reduziu drasticamente a profundidade do plantel, criando um abismo técnico, entre os onze iniciais e os suplentes. 

No outro lado da balança, o Chelsea lidera o ranking das cinco grandes ligas, como o clube que mais concedeu minutagem aos seus reservas. O cenário dos Blues é o oposto total do Lyon, com o clube londrino sendo frequentemente pauta na imprensa, justamente pelo seu elenco extremamente numeroso. 

Até o momento, os substitutos da equipe de Stamford Bridge acumularam 2.581 minutos jogados, superando os 2.577 do Bologna e os 2.559 do Atlético de Madrid, entre outros concorrentes de peso.

O impacto direto vindo do banco dos Blues é impulsionado por jogadores de alto escalão, que funcionam como titulares rotativos, casos de Pedro Neto, João Pedro e Estevão. Nomes como Andrey Santos e Romeo Lavia também reforçam a qualidade das opções à disposição da comissão técnica.

Alta rotação vs uso limitado

A relevância estratégica do banco, no futebol moderno, é acompanhada por uma maior rotatividade do elenco. Com o aumento no volume de partidas, a variedade de elenco deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade de sobrevivência. 

Quem melhor exemplifica essa tendência é o Nice, que já utilizou 34 jogadores diferentes, nesta temporada, superando clubes como Marseille, Sevilla e Pisa (todos com 32). Franck Haise, que comandou o time antes de ser substituído por Claude Puel, no fim do ano, precisou recorrer a um grupo vasto após as saídas de peças fundamentais, como Marcin Bulka e Gaetan Laborde, abrindo espaço para reforços, a exemplo de Isak Jansson e Yehvann Diouf.

Além disso, a filosofia de dar rodagem a jovens talentos, como Juma Bah (19 anos, emprestado pelo Manchester City), Antoine Mendy (21), Oppong (21) e Louchet (22), justifica o alto número de atletas acionados pela equipe francesa, até aqui.

Em contrapartida, o Everton ostenta o elenco mais curto da temporada, tendo utilizado apenas 21 atletas. O dado não chega a ser uma surpresa, já que os Toffees inscreveram apenas 23 atletas na Premier League, deixando duas vagas em aberto na lista oficial.

As baixas de veteranos como Neal Maupay, Abdoulaye Doucoure, Dominic Calvert-Lewin e Ashley Young, somadas à fidelidade de David Moyes ao núcleo fixo de jogadores, são os fatores determinantes para a baixa rotatividade dos 'Toffees', neste ciclo.

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