Exclusivo: Ashley Cole diz que era "quase impossível" marcar Cristiano Ronaldo

Ashley Cole conversou com o Flashscore em Londres
Ashley Cole conversou com o Flashscore em LondresFlashscore

O ex-lateral-esquerdo da Inglaterra e do Chelsea, Ashley Cole, participou do podcast tcheco Livesport Daily, do Flashscore, para relembrar sua carreira, desde a infância nas quadras do leste de Londres até os duelos contra os melhores atacantes do mundo e a conquista da Champions League em 2012. Em uma entrevista abrangente, Cole falou sobre adaptabilidade, como foi marcar Cristiano Ronaldo, a influência das lendas do Arsenal e as emoções vividas em Munique.

Esta entrevista foi realizada como parte de 'The Big Pete', um projeto multimídia do Flashscore e do CANAL+ Sport com lançamento previsto para a primavera europeia de 2026.

• Você já disse que começou sua carreira como ponta ou atacante. Isso te ajudou depois, como lateral-esquerdo, especialmente ao encarar grandes atacantes?

Com certeza. Acho fundamental que os jogadores experimentem diferentes posições. Nunca se sabe onde você vai acabar jogando ao longo da carreira.

No meu caso, isso me ajudou a entender melhor o jogo e, principalmente, a compreender meus adversários. Eu sabia quais características usava como ponta, então, quando enfrentava jogadores assim, já sabia o que observar e como marcar. Foi uma grande lição e me ajudou durante toda a carreira.

• Isso é algo que você enfatiza hoje como treinador – que os jogadores aprendam diferentes funções?

Sem dúvida. Os jogadores precisam ser capazes de atuar em diferentes áreas do campo. Um zagueiro pode avançar para o meio, meio-campistas precisam jogar de costas, pontas entram por dentro e atuam invertidos. O futebol moderno tem muitas facetas. Apresentar diferentes posições aos jogadores sempre contribui para o desenvolvimento deles.

• Cristiano Ronaldo já disse que você foi o adversário mais difícil que ele enfrentou. O que isso significa para você?

Significa que eu estava fazendo meu trabalho razoavelmente bem. Mas marcar jogadores como o Cristiano nunca foi só sobre mim. As pessoas veem como um duelo individual, mas eu precisava dos meus companheiros ao meu redor. Os meio-campistas tinham que fechar, os pontas ajudar na recomposição e o zagueiro central cobrir atrás de mim. Eu posso receber o crédito, mas sempre foi um esforço coletivo. Parar um jogador desse nível sozinho é praticamente impossível.

• Os jogos contra o Ronaldo exigiam uma preparação especial?

Toda partida exige preparação, mas contra jogadores de elite você realmente precisa entender os pontos fortes – os seus, dos seus companheiros e do adversário. Você entra em campo sabendo o que o Cristiano quer fazer e tenta tirar isso dele. Esse entendimento precisava ser compartilhado por todo o time.

• Quão importante foi aprender com defensores experientes como Tony Adams e Martin Keown no início da sua carreira?

Eles tiveram um impacto enorme em mim, tanto como jogador quanto como pessoa. Aprendi sobre liderança, consciência tática e o que é uma cultura forte. Eles respiravam futebol. Agora, na minha carreira de treinador, recorro a essas lições e tento liderar usando as características que aprendi com eles.

• Era intimidador, sendo jovem, jogar ao lado de alguém como Tony Adams?

Não era bem intimidação, era mais admiração. Minha infância moldou muito meu caráter. Cresci no leste de Londres e, embora não fosse terrível, também não era fácil. Tive que ser forte. Com 16 ou 17 anos, eu era pequeno e franzino, jogando contra adultos, então já tinha aprendido a me virar. Estar ao lado de líderes como Tony e Martin me deu uma vantagem. Eu sabia que precisava aceitar críticas, aprender com os erros e ouvir conselhos se quisesse evoluir.

Ashley Cole com David Seamen, Robert Pires, Sol Campbell e Martin Keown
Ashley Cole com David Seamen, Robert Pires, Sol Campbell e Martin KeownČTK / AP

• Quanto a sua criação influenciou o defensor que você se tornou?

Demais. Não tínhamos muitos campos de grama, jogávamos nas quadras. Era futebol de sobrevivência. Você enfrentava garotos maiores e mais fortes, a bola nunca saía, usava as paredes. Você aprendia sobre físico, habilidade e leitura de jogo muito rápido. Esse ambiente teve um papel enorme no meu desempenho em campo."

• Além do Ronaldo, quem foram os adversários mais difíceis que você enfrentou?

Teve muita gente que me deu trabalho. Aaron Lennon, Nathan Dyer no Swansea – jogadores que podiam cortar para dentro, para fora, correr nas costas da defesa. Contra Ronaldo ou Messi, havia um plano coletivo. Contra outros, às vezes era só 'Ashley, resolve aí.' E às vezes eu me complicava. Teve muitos adversários que me deram trabalho.

• O trabalho em equipe foi o principal motivo para o Chelsea conquistar a Champions League em 2012, mesmo com um elenco que parecia mais fraco no papel do que em anos anteriores?

Acho que sim. Estávamos mais velhos, experientes e tínhamos aprendido com derrotas anteriores – especialmente a final em Moscou, em 2008. Muitos de nós sentiam que poderia ser a última chance. No papel, não éramos o time mais forte, mas tínhamos jogadores com personalidade, capazes de lutar, se adaptar e dar tudo. Sabíamos que podíamos ir à guerra juntos.

Ashley Cole com o troféu da Champions League
Ashley Cole com o troféu da Champions LeagueMIKE HEWITT / GETTY IMAGES SPORT CLASSIC / GETTY IMAGES VIA AFP

• Como defensor, o que você sente quando seu goleiro defende um pênalti decisivo, como o Petr Cech contra o Arjen Robben?

É um alívio e uma emoção enormes. Como defensor, a gente brinca: 'É para isso que você é pago', mas a verdade é que sem o Petr, nosso sonho teria acabado muito antes. Aquela defesa nos deu esperança – mais uma chance de sobreviver, mais uma chance de vencer. E também nos deu confiança para uma possível disputa de pênaltis, sabendo quem estava no gol.

• Você também marcou na disputa de pênaltis. Isso já estava decidido antes?

Sempre me coloquei à disposição para bater pênaltis. Já marquei alguns e perdi outros – tanto por clube quanto pela seleção. Você sabe que pode ser herói ou vilão, mas faz parte. Sempre me senti confiante para ajudar o time quando fosse preciso.

• Olhando para trás, aquela noite em Munique foi o momento mais feliz da sua carreira?

Minha atuação naquela noite provavelmente foi uma das melhores que tive com a camisa do Chelsea, junto com os outros defensores e o Petr. Vencer a Champions League pela primeira vez, no estádio do Bayern, depois de tanto tempo buscando esse título – é difícil descrever. Fazer parte desse grupo seleto, e conquistar isso ao lado de companheiros com quem dividi tanta coisa, foi algo realmente especial.