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Exclusivo: Jaap Stam analisa crise do United e a chegada de Xavi na seleção holandesa

Jaap Stam foi um defensor dominante no Manchester United e na Lazio
Jaap Stam foi um defensor dominante no Manchester United e na LazioJohn Walton, PA Images / Alamy / Profimedia

Poucos defensores deixaram uma marca tão forte no futebol inglês quanto Jaap Stam. Contratado do PSV por uma quantia recorde no planeta para um defensor em 1998, o holandês conquistou três títulos da Premier League e a tríplice coroa com o Manchester United antes de se transferir para a Lazio, onde levantou a Copa Itália sob o comando de Roberto Mancini.

Stam conversou com a Flashscore sobre o difícil início de temporada do United sob o comando de Michael Carrick, os primeiros jogos de Xavi à frente da seleção holandesa e se o dominante defensor algum dia realmente teve medo de um adversário.

Confira esta e outras entrevistas exclusivas do Flashscore

O Manchester United perdeu dois pontos contra o Tottenham no último fim de semana, e esse é o pior início do clube em uma temporada da Premier League em 40 anos. Como você avalia a atuação nesse jogo e desde o começo da temporada?

Todos estão decepcionados com a forma como começaram a temporada, os próprios jogadores e Michael Carrick, o técnico. Todos queriam ter um início melhor. Na temporada anterior, quando ele assumiu, fez um trabalho muito bom voltando ao sistema 4-3-3 depois de Amorim e conseguiu se classificar para a Champions League, que era o objetivo.

No início desta temporada, você espera que eles deem esse próximo passo. O time contratou alguns bons jogadores para o meio-campo. Então é decepcionante quando os resultados não aparecem. Mas também precisamos levar em consideração que, em um clube como o United, existe uma pressão enorme e todos esperam muito deles. Às vezes, quando novos jogadores chegam, leva um pouco de tempo até que todos se acostumem uns com os outros. Ainda assim, você quer vê-los tendo mais sucesso e, em alguns momentos, jogando um futebol melhor.

O que deu errado especificamente no jogo?

Especialmente o primeiro tempo não foi bom. O United teve muita dificuldade para pressionar e, com a bola, para sair jogando desde a defesa ou manter um pouco mais de posse. Não estavam confiantes o suficiente e não encontraram os jogadores certos para receber a bola, criar ou fazer a diferença.

No segundo tempo, depois de algumas substituições, Baleba e Zirkzee entraram e trouxeram elementos novos. Mbeumo fez o 1 a 0 e, se marcassem o segundo, o jogo estaria decidido. Mas não marcaram. Dá para ver o potencial de Baleba, a qualidade que ele tem. Ele fez a diferença imediatamente, o que é muito promissor, claro.

Acho isso importante porque Carrick ainda está procurando a parceria ideal entre os meio-campistas, jogadores que possam atuar juntos, trazer essa faísca nova ao lado de Bruno e ser dominante contra o adversário, mas que também não cedam muito defensivamente.

A outra coisa é que, quando você joga contra 10, precisa vencer a partida. Tem que manter o ritmo, consolidar a vantagem e colocar o adversário sob pressão. Mas acho que eles ficaram preocupados em alguns momentos. Às vezes, perdem a bola até com um jogador a mais. Recuam demais com frequência. Mas, se você dá muito tempo ao adversário, mesmo com 10, e vimos isso também contra o City, sempre chega um momento em que ele vai ser perigoso. Isso aconteceu no fim do jogo: eles empataram, e você perde dois pontos.

Além disso, cedem gols fáceis. É algo que definitivamente precisam melhorar. Se o adversário está com a bola, você precisa se organizar em um bloco defensivo o mais rápido possível. Tem que correr para entrar nesse bloco. Às vezes, agora, parece que os jogadores ficam olhando para a bola, pensando: o que vai acontecer? O adversário fica com a bola, parte para o ataque, e então eles reagem. Na Premier League, todos sabemos que não se pode dar tempo ao adversário para ser perigoso.

Falando do Tottenham, o que você acha de Micky van de Ven e Jan Paul van Hecke na defesa?

O Tottenham é uma boa opção para eles neste momento. Eles, assim como todo o elenco dos Spurs, começaram a assimilar as ideias de De Zerbi. Fizeram um jogo razoável contra o United e tiveram a chance de marcar cedo, o que teria tornado a partida completamente diferente para os dois times.

Prefiro a forma como Van de Ven é utilizado como zagueiro à maneira como joga na seleção, por causa da velocidade. Jamais o colocaria como lateral esquerdo; acho que ele fica limitado ali. E todos conhecemos as qualidades de Van Hecke: ele é excelente com a bola nos pés.

Últimas partidas do United
Últimas partidas do UnitedFlashscore

A eterna busca pelo sucessor de Ferguson

Voltando ao United, o time melhorou muito sob o comando de Carrick no fim da temporada passada, mas ainda não encontrou essa faísca neste ano. Qual você acha que é a principal diferença?

Amorim usava um sistema completamente diferente. Carrick chegou sabendo qual era a cultura do United e como o clube queria jogar. Ele mudou o sistema de volta para o 4-3-3. Todos os jogadores se sentiam muito mais confortáveis nesse esquema e com a forma de jogar. Isso ficou evidente logo no primeiro jogo.

Conseguiram alguns resultados no começo. A confiança, especialmente, foi crescendo, eles conseguiram manter o ritmo e os outros times também estavam enfrentando dificuldades. Agora ele recebeu o cargo, algo que merecia plenamente, mas é preciso trabalhar a partir disso.

Às vezes, eles têm dificuldade com a posse quando o adversário pressiona da maneira correta, para encontrar o jogador livre. Isso ficou muito evidente no último jogo. Mas, defensivamente, acho que eles também precisam ser um pouco mais intensos para não ceder oportunidades.

Há mais de uma década, o United não consegue encontrar o técnico certo desde Sir Alex Ferguson. Por que você acha que tem sido tão difícil para o time, e para outros clubes com técnicos tão longevos, encontrar o sucessor depois de alguém tão bem-sucedido?

Antigamente, quando Sir Alex comandava o grupo, acho que eles ainda tinham um pouco mais de tempo para trabalhar com um time, construir uma equipe e, eventualmente, alcançar o sucesso. Hoje em dia, é muito difícil para um técnico ter esse tempo para ser bem-sucedido no longo prazo.

Eles tiveram técnicos anteriores com muita experiência, como Mourinho, Moyes, Van Gaal e Ten Hag. Todos tinham experiência em alto nível e não foram bem-sucedidos. Portanto, não é garantido que, ao contratar um técnico experiente, ele terá as ideias ou a resposta para alcançar o sucesso. Acho que Michael ainda é o cara certo para fazer isso. Ele conhece os atletas, conhece a cultura do clube, tem uma boa relação com as pessoas que estão na diretoria, e elas lhe dão confiança e tempo para que possa resolver as coisas.

Ele precisa ter um plano para fazer isso, mas provavelmente já discutiram esse assunto e também como abordar as janelas de transferências, quando contratar determinados jogadores e, então, construir a partir daí. Michael provou na temporada passada que consegue, e tenho certeza de que, ao longo desta temporada, vai evoluir e conseguir resultados melhores.

Xavi e o dilema holandês

A seleção holandesa contratou um técnico de grande renome: Xavi. Grande produção ofensiva nos quatro primeiros jogos, mas nenhum jogo sem sofrer gols...

Isso é típico dos holandeses. Você conhece o ditado holandês? "Desde que marquemos um gol a mais que o adversário, conquistamos os três pontos; vencemos". Claro, nem todos os técnicos holandeses pensam assim. Na Inglaterra, falamos muito sobre não sofrer gols. Partimos disso: precisamos não sofrer gols e, então, vencer.

Xavi representa o futebol ofensivo, baseado na posse de bola. Acho que temos um time capaz de fazer isso e, em alguns jogos, eles também provaram que conseguem. Na Holanda, nem sempre olhamos apenas para os resultados. Digamos que ele jogue de forma muito defensiva e vençamos todos os jogos. Normalmente, todos ficariam felizes, mas na Holanda ninguém ficaria realmente feliz. É por isso que os holandeses às vezes são um pouco estranhos em sua visão sobre o futebol.

O mais importante é que você não quer sofrer gols, especialmente quando enfrenta países muito fortes. Se sofre gols, fica muito difícil superá-los. Portanto, também precisamos ser honestos e fiéis a nós mesmos e dizer: tudo bem, não somos o melhor time do mundo, então precisamos encontrar um equilíbrio entre quando atacar, quando defender e quem vamos marcar.

Mas gostamos do fato de ele estar avançando. Há pessoas felizes com ele. Há outras dizendo: “Tudo bem, não estamos tão felizes, porque outro técnico holandês também poderia jogar dessa maneira”, o que, para ser sincero, é verdade. Mas isso cabe às pessoas da federação holandesa. Até agora, ele está fazendo um trabalho muito bom.

Últimos jogos da Holanda
Últimos jogos da HolandaFlashscore

Então você gosta da direção tática e técnica que ele está tomando depois dos quatro primeiros jogos?

Sim, gosto. Eu sempre gostei disso também quando era técnico. Você quer avançar, atacar, jogar um futebol baseado na posse e ser dominante no campo do adversário quando houver essa possibilidade. Como disse, temos os jogadores para fazer isso no meio-campo. Temos jogadores de qualidade no ataque. Também temos jogadores jovens muito bons que vêm das categorias de base, o que é muito importante.

Jogadores como Van Bommel, do PSV. Meerdink, que jogou como centroavante, foi muito, muito bem nessas partidas, na minha opinião. Foi impressionante o que ele mostrou. Na linha de quatro defensores, às vezes ainda temos dúvidas sobre qual é a formação ideal. Há uma discussão sobre idade e outra sobre os jogadores jovens. Esse é o ponto que ele precisa resolver. Mas a abordagem que está adotando é promissora.

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