Com a saída de Thomas Frank e o Tottenham ocupando a 16ª posição na Premier League, cinco pontos acima da zona de rebaixamento, não se trata de uma mudança superficial. É uma decisão que vai definir o rumo do clube nas próximas temporadas.
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O Tottenham marcou 36 e sofreu 37 gols em 26 partidas do campeonato. O saldo de gols é levemente negativo, a intensidade da pressão diminuiu em relação à temporada passada e o desempenho em casa tem sido ruim. A próxima escolha precisa devolver rapidamente estrutura, agressividade e confiança ao time.
Veja os principais candidatos:
Mauricio Pochettino
O favorito da torcida e ainda referência para o clube. Durante cinco temporadas completas na Premier League pelo Tottenham, Pochettino teve média de 1,89 ponto por jogo e garantiu quatro classificações seguidas para a Champions League.
Em 2016/17, o Tottenham foi vice-campeão com 86 pontos, marcou 86 gols e sofreu apenas 26, melhor defesa da competição. O time era agressivo, intenso e bem organizado, sempre entre os líderes em finalizações e recuperações de bola.
Ele também levou o clube à sua primeira final de Champions League em 2019, transformando o Tottenham de azarão em candidato real ao título.
Mas houve uma queda. As contratações pararam durante a transição para o novo estádio e a intensidade física que marcava seu estilo diminuiu. Em novembro de 2019, o Tottenham estava em 14º lugar com 14 pontos em 12 jogos, e ele acabou demitido.
Um retorno traria clareza e alinhamento cultural. Ele conhece o clube e já provou que pode montar um time de alto nível no norte de Londres.
O risco é a expectativa. O elenco atual não foi montado exatamente no perfil dos times de pressão máxima que ele comandou, e segundas passagens raramente têm o mesmo impacto emocional da primeira.
É uma escolha romântica, sim. Mas também é, estatisticamente, a opção mais sólida e comprovada disponível na Premier League. No entanto, ele está atualmente empregado nos Estados Unidos, então o Tottenham provavelmente teria que esperar até depois da Copa do Mundo para garantir o argentino.
Roberto De Zerbi
Recém-disponível após deixar o Olympique de Marselha, De Zerbi é a opção com estilo mais definido. No Brighton, ele montou um dos times mais progressistas da Premier League, frequentemente com quase 60% de posse de bola e entre os melhores em passes progressivos e entradas no terço final.
Em 2022/23, o Brighton terminou em sexto e marcou 72 gols no campeonato, garantindo vaga em competições europeias pela primeira vez na história do clube.
Seu futebol é baseado em construção corajosa, superioridade numérica no meio-campo e muita rotação de posições. O Tottenham, que tem sofrido com falta de controle e clareza ofensiva nesta temporada, ganharia imediatamente mais estrutura e ambição com a bola.
O preço é o risco. Os times de De Zerbi podem deixar espaços na transição e o Tottenham já mostrou fragilidade defensiva. Mas contratá-lo não seria uma escolha conservadora. Seria uma demonstração clara de ambição.
Xabi Alonso
No Bayer Leverkusen, Alonso comandou um dos times mais equilibrados e sólidos da Europa, unindo posse de bola forte com pressão disciplinada. Esse equilíbrio é justamente o que falta ao Tottenham.
Alonso acabou de deixar o cargo de técnico do Real Madrid em meio a resultados irregulares e insatisfação do elenco, mas sua disponibilidade já o coloca entre os principais candidatos, com muito crédito pelo que fez na Alemanha.
Contratar Alonso seria uma declaração clara de intenção. Ele é um dos técnicos jovens mais respeitados da Europa, e convencê-lo a assumir um time na 16ª posição exigiria um projeto de longo prazo bem estruturado.
Oliver Glasner
Glasner ganhou destaque no Crystal Palace, transformando o clube de um time de meio de tabela em uma equipe organizada e em ascensão. Sob seu comando, o Palace conquistou a primeira FA Cup e Community Shield da história, além de garantir vaga em competições europeias pela primeira vez.
Ele costuma atuar no 3-4-2-1, priorizando defesa compacta e transições disciplinadas. O Palace ficou mais eficiente do que expansivo, com bons números em gols de transição e melhorando a qualidade das finalizações, mesmo sem grande volume. O time ficou mais difícil de ser batido e mais letal quando encontrava espaço.
Para o Tottenham, essa mistura de organização e ameaça nos contra-ataques resolve deficiências claras. O time já sofreu 37 gols no campeonato e tem dificuldade para proteger o centro da defesa. Glasner priorizaria a estrutura em vez do estilo, oferecendo estabilidade em vez de espetáculo. Talvez não seja a escolha mais empolgante, e ele pode estar disponível, já que anunciou sua saída do Palace ao fim da temporada.
Xavi
Técnico que prioriza a posse de bola, Xavi conquistou o título de La Liga pelo Barcelona sofrendo apenas 20 gols na campanha. Seus times costumam valorizar o controle territorial, superioridade no meio-campo e estrutura defensiva avançada.
O Tottenham frequentemente tem sofrido com falta de controle nos jogos nesta temporada. Xavi buscaria resgatar esse domínio, mas exigiria um ajuste cuidadoso do elenco. Sua falta de experiência no futebol inglês pode pesar contra.
Andoni Iraola
O Bournemouth de Iraola é um dos times que mais pressiona no campeonato, com ótimos números em recuperações no campo de ataque e finalizações após retomada da posse. Seu futebol é vertical e intenso.
Para um Tottenham que perdeu intensidade na pressão, Iraola oferece energia imediata e credibilidade no cenário nacional. Pode ser difícil tirá-lo do Bournemouth, além de convencê-lo sobre o projeto.
Marco Silva
Silva tem conseguido manter o Fulham no meio da tabela, unindo defesa compacta e posse de bola equilibrada. Não é o nome mais badalado, mas oferece confiabilidade e equilíbrio tático. Com o Tottenham em 16º, confiabilidade é um diferencial importante.
Robbie Keane
Ídolo do clube com 122 gols pelo Tottenham, Keane traria um impulso emocional, e seu nome já foi sugerido por vários ex-jogadores e comentaristas.
Atualmente comandando o Ferencváros, da Hungria, seus times costumam jogar com ritmo acelerado e verticalidade, em vez de posse lenta.
O desafio é a escala. Dirigir o Tottenham em uma Premier League ameaçada pelo rebaixamento é um teste muito diferente de dominar o campeonato húngaro. O impacto emocional seria real, mas a pressão e a exigência tática seriam muito maiores.
Opções interinas
Harry Redknapp traz experiência, empolgação, história e pragmatismo para o curto prazo. Ryan Mason oferece continuidade interna. Tim Sherwood agregaria personalidade e decisão. Nenhum deles, porém, parece ter o suficiente para salvar o time de uma briga contra o rebaixamento.
Com 12 jogos restantes no campeonato e o risco de rebaixamento cada vez mais real, o Tottenham não pode se dar ao luxo de mais uma aposta sem alinhamento. O próximo treinador precisa trazer coerência, não só empolgação, e terá que fazer isso rapidamente.
