Polícia britânica abre investigação por racismo contra jogadores da Premier League

O zagueiro Wesley Fofana é um dos quatro jogadores da Premier League que recentemente sofreram insultos racistas na internet
O zagueiro Wesley Fofana é um dos quatro jogadores da Premier League que recentemente sofreram insultos racistas na internetReuters/Andrew Couldridge

A polícia britânica anunciou nesta segunda-feira (23) que está investigando os insultos racistas "repugnantes" direcionados a quatro jogadores da Premier League na internet no último fim de semana.

O atacante Tolu Arokodare, do Wolves, e o meio-campista Romaine Mundle, do Sunderland, foram vítimas de ataques raciais no domingo (22). No último sábado (21), Wesley Fofana, do Chelsea, e Hannibal Mejbri, do Burnley, sofreram insultos semelhantes após o empate em 1 a 1 entre os clubes.

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O chefe de polícia Mark Roberts, responsável pela Unidade de Polícia do Futebol do Reino Unido (UKFPU), se manifestou sobre os casos.

"Não há absolutamente nenhum espaço para o racismo, seja na internet ou pessoalmente, e quem acha que pode se esconder atrás de um teclado deveria pensar duas vezes. A UKFPU condena esse comportamento repugnante e, por meio da nossa equipe especializada, vamos fazer de tudo para identificar os responsáveis e levá-los à justiça", afirmou.

Arokodare perdeu um pênalti na derrota por 1 a 0 no domingo diante do Crystal Palace e depois recebeu diversas mensagens racistas. Mais tarde, o Sunderland informou que Mundle também foi alvo de ataques após entrar como reserva na derrota por 3 a 1 para o Fulham.

Reações oficiais

A Kick It Out, organização britânica que combate o racismo no futebol, divulgou um comunicado na noite de domingo condenando um "fim de semana lamentável" de insultos.

"Mas a triste realidade é que sabemos que isso acontece com frequência. É preciso agir. Não dá para esperar que os jogadores tolerem esse tipo de comportamento, nem ninguém deveria aceitar isso", escreveu no comunicado.

A Premier League também publicou seu próprio comunicado, alertando para "consequências graves" para quem for considerado culpado desses atos, e reforçou: "O futebol é para todos: não há espaço para o racismo".

O desabafo de Fofana

No entanto, o zagueiro francês Fofana, que já havia compartilhado imagens das mensagens recebidas em sua conta no Instagram, não acredita que medidas firmes serão tomadas.

"2026, continua tudo igual, nada muda. Essas pessoas nunca são punidas. São criadas grandes campanhas contra o racismo, mas na prática ninguém faz nada", lamentou.

Outros casos na mira da UEFA

Nigel Dewale, que enviou insultos racistas pela internet para a defensora da Inglaterra Jess Carter durante a Eurocopa Feminina do ano passado, será sentenciado em 25 de março após se declarar culpado do crime de comunicação maliciosa, em janeiro.

A UEFA abriu na semana passada uma investigação após a denúncia do atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid, que afirmou ter sido alvo de insultos racistas no gramado por parte do argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, em uma partida da Champions League.

O argentino negou as acusações. O Benfica também iniciou sua própria investigação sobre dois torcedores que foram flagrados fazendo supostos gestos de macaco para Vini Júnior.