"Ficar no 0 a 0 para as marcas já é lindo", confessou ao Flashscore o diretor de uma marca alemã – uma das maiores do mundo.
“Mas o normal é não lucrar com venda. Principalmente com os clubes grandes, com quem a leitura tem que ser de projeto de mídia e não de vendas puramente", acrescentou ele.
Com seleções a conta é ainda pior para as marcas. “Elas basicamente só aparecem de 4 em 4 anos", explicou o diretor.
Puma, Adidas, Nike e outras fabricantes não lucram com as vendas, mas se beneficiam em expor suas marcas na camisa dos clubes pelos quais os torcedores são apaixonados. Quem mais lucra diretamente com o negócio dos uniformes são os clubes e as federações.
Por que camisas são caras
Uniformes oficiais são peças complexas. O preço final que o torcedor paga na loja inclui desde royalties e licenciamento a marketing global, tecnologia de fabricação, logística internacional e estratégia de marca.
Um kit da Premier League custa em média R$ 640 (85 libras). Este preço pode ser quebrado da seguinte forma, segundo a BBC:

Custos de tecido, costura e transporte: cerca de R$61,60
Marketing, taxa de licenciamento e distribuição: cerca de R$68,80
Imposto: cerca de R$98,30
Valor do fabricante (como Adidas, Puma ou Nike): cerca de R$117,30
Valor do varejista: em média R$271,00
O diretor da marca que falou com o Flashscore afirma que esta divisão do preço bruto é correta: “Pode variar apenas ali no marketing, dependendo do modelo (retainer versus royalties, gatilho de vendas, verba de marketing, etc). Por isso que, geralmente, o preço das camisas dos clubes grandes é maior”.
Licenciamento e royalties encarecem bastante o produto final. É ele que dá direito ao uso do escudo e a identidade visual de clubes e seleções.
Além disso, as camisas oficiais usam matérias-primas e produção de alta performance: tecidos tecnológicos, costuras reforçadas, tecnologia para conforto e ventilação, qualidade de impressão ou bordado. Isso exige produção mais sofisticada que roupas comuns.

Outro fator determinante é o marketing e o “branding”. Grandes clubes e marcas esportivas investem milhões para divulgar suas peças — e esse valor também é diluído no preço final das camisas.
Além disso, há a questão da distribuição, revenda e impostos. Importação, transporte, taxas alfandegárias, tributação — tudo isso encarece o produto, especialmente em mercados fora da Europa.
O impacto do futebol como moda
Nos últimos anos, o mercado das camisas de futebol passou por uma transformação significativa. O que antes era um item esportivo virou um produto de moda e estilo, com preços cada vez mais altos e público consumidor global.
Não é raro ver artistas pop vestindo uniforme de clube no TikTok, por exemplo.
Clubes como Real Madrid, Barcelona e Manchester United agora consideram as vendas de camisas como uma das principais fontes de receita fora dos gramados.
Nos últimos anos, o comércio de kits premium cresceu de forma expressiva. A versão “réplica premium” pode passar dos mil reais (130 libras).
Com a demanda cada vez mais alta, os preços tendem a subir.
Outro elemento nesta conta é que camisa de time virou também item de colecionador — o que altera a percepção de valor, e pode dar vida longa a uma peça que, em tese, duraria apenas uma temporada.
