Se existiu um treinador que não se encaixava no clube, era o português, e isso diz muito sobre a diretoria, que mais uma vez errou em uma decisão tão importante de contratação.
O próprio desabafo do treinador após um empate decepcionante contra o Leeds no domingo também foi bastante revelador.
“Vim aqui para ser o técnico do Manchester United, não apenas o treinador, e isso está claro,” disse ele aos jornalistas após a partida.
Suas palavras, e a forma como foram ditas, fizeram Sir Jim Ratcliffe e companhia agir rapidamente.
Por mais que tentasse disfarçar os problemas, a insistência de Amorim em fazer as coisas do seu jeito, custe o que custar, foi o que acabou levando os Red Devils a essa situação.
Temosia ou convicção?
Alguns podem dizer que ele merece reconhecimento por manter suas convicções, já que no futebol moderno vemos a diretoria interferindo na escalação e em outras decisões.
Amorim tinha uma ideia clara de como queria que seus times jogassem e quem seriam os jogadores ideais, mas nunca correspondeu à expectativa que ele mesmo criou após uma passagem brilhante pelo Sporting Lisboa.
Sua evidente falta de habilidade para lidar com o elenco, que resultou no afastamento de jogadores como Marcus Rashford, Alejandro Garnacho e Kobbie Mainoo, foi preocupante, mesmo que parecesse ter o apoio da diretoria nessas situações.
Defesa terrível
Para começar, qualquer treinador precisa de um time estável para criar confiança e dar continuidade, mas o português fez 137 mudanças no time titular da Premier League durante seu período no comando. Apenas o Tottenham Hotspur (155) e o Chelsea (141) fizeram mais.
Entre os clubes que permaneceram na divisão desde 24 de novembro de 2024, quando Amorim assumiu os Red Devils, apenas o West Ham teve menos jogos "baliza zero" na Premier League do que os 7 do Manchester United.
Os Hammers também foram um dos três únicos times a sofrer mais gols no Inglês no mesmo período. Eles levaram 84 gols, um pouco mais que o Wolves (81), com o Spurs sofrendo 76 e os Red Devils, 72.
Para um treinador que acreditava tanto em uma linha de três zagueiros, isso é uma crítica pesada ao esquema 3-4-2-1, utilizado em nada menos que 43 partidas na liga.
Linha de três zagueiros não funcionou
Com o 3-4-3 testado em outras duas ocasiões, isso significa que Amorim usou uma linha de três zagueiros em 45 dos 47 jogos de Premier League sob seu comando, sendo que apenas o Crystal Palace escalou mais vezes (46) com três zagueiros desde 24 de novembro de 2024.
Além disso, entre os times que permaneceram na divisão desde o início da passagem de Amorim, apenas Tottenham (46), West Ham (45) e Wolves (39) conquistaram menos que os 58 pontos do United.
O cenário não melhora para o português nem mesmo analisando apenas o desempenho dos Red Devils.
Amorim teve a segunda pior média de gols por jogo como treinador do Manchester United na Premier League (1,40 – Ralf Rangnick teve 1,38), a pior média de gols sofridos por jogo (1,53 – 72 sofridos em 47 jogos) e o pior percentual de jogos sem sofrer gols (14,9% – sete em 47 partidas).
Recorde negativo na história do United
Entre todos os treinadores do Manchester United com mais de 50 jogos em todas as competições, apenas quatro têm um aproveitamento de vitórias menor que os 38,1% de Amorim.
São eles: Herbert Bamlett (abril de 1927 – nov de 1931, 30,5%), Jack Robson (dez de 1914 – out de 1921, 31,4%), Wilf McGuinness (jun de 1969 – dez de 1970, 36,3%) e Frank O'Farrell (jun de 1971 – dez de 1972, 36,6%).
Na verdade, em toda a história do clube na elite inglesa, apenas cinco treinadores têm o mesmo ou menor aproveitamento de vitórias que os 39,1% de Amorim.
Robson (31,9%), McGuinness (29,2%) e Bamlett (30,5%) aparecem novamente, e se juntam a AH Albut (1889 – maio de 1900, 20%), Scott Duncan (jul de 1932 – nov de 1937, 23,8%) e Walter Crickmer (nov de 1931 – jul de 1932, 26,2%).
Estatísticas da era Premier League são desanimadoras
Analisando os mesmos dados na era Premier League em todas as competições, apenas Ralf Rangnick teve um aproveitamento menor (37,9%), mas para dar mais contexto, o de Amorim foi o pior entre todos os treinadores efetivos do United nesse período.
Até mesmo o tão criticado David Moyes conseguiu 50% de vitórias, e Erik ten Hag alcançou 51,8%.
No fim das contas, foi uma experiência completamente desastrosa para o clube e para o treinador, e só serviu para aumentar ainda mais o distanciamento que já existia no United há algum tempo.
A diretoria precisa acertar na próxima escolha de treinador, ou o sonho de Sir Jim de conquistar a Premier League até 2028 continuará sendo apenas um sonho.

