A situação envolvendo a seleção italiana é surreal, beirando o absurdo. Um emaranhado de acontecimentos que mais parece uma pintura de Salvador Dalí do que um planejamento esportivo normal. Mas tudo isso é real.
A chegada de Maldini e Leonardo parecia marcar o ponto de virada certo. Dois dirigentes de altíssimo nível, acostumados a trabalhar no topo e com uma identidade futebolística clara. A missão deles era clara: recolocar a seleção nos trilhos a partir da escolha do novo técnico.
O primeiro movimento foi extremamente ambicioso. O alvo era Pep Guardiola, provavelmente o melhor treinador do mundo. Foi uma tentativa ousada, mas que acabou esbarrando no desejo do técnico catalão de tirar um ano sabático para focar na família e recuperar o equilíbrio pessoal após os anos em Manchester. Uma recusa dolorosa, mas no fim das contas, previsível.
Constrangimento
O que ninguém poderia imaginar, porém, foi o fracasso do plano B. Andrea Pirlo se colocou à disposição para comandar a Azzurra e as negociações pareciam bem encaminhadas. Então, de repente, tudo parou.
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O acordo desmoronou por causa da polêmica envolvendo sua colaboração com uma casa russa de apostas. Assim, depois de acreditar que o acerto estava praticamente fechado, veio mais um revés. E esse foi especialmente doloroso.
E talvez essa seja a parte mais difícil. Não tanto pelo nome de Pirlo, mas pela forma como o acordo foi desfeito. Um acerto praticamente finalizado acabou ruindo por um detalhe que deveria ter sido considerado muito antes de qualquer otimismo vir à tona.
Passo atrás
Um duplo tropeço que inevitavelmente enfraquece a posição de Maldini e Leonardo. Ainda mais porque a Itália já passou por anos difíceis, marcados pelo pesadelo de ficar fora de três Copas do Mundo seguidas. Era preciso uma demonstração de força para passar a ideia de uma Federação finalmente organizada. Até agora, aconteceu exatamente o contrário.
Nesse momento, é preciso entender qual será o próximo passo. Se o presidente da FIGC, Giovanni Malago, decidir entregar o comando para algum dos grandes nomes ainda disponíveis, como Antonio Conte ou Roberto Mancini, fica difícil imaginar Maldini e Leonardo ainda no centro do projeto.
É complicado pensar que treinadores desse calibre aceitariam ser a terceira opção depois de Guardiola e Pirlo.
Se for esse o caso, não seria surpresa ver os dois dirigentes se afastando, abrindo caminho para uma nova revolução técnica em poucas semanas.

A opção Baldini
A única carta real que parece restar é Silvio Baldini. Uma solução diferente, apostando no conhecimento do futebol italiano e dos jovens, também adquirido no trabalho com o sub-21.
A ideia seria tentar replicar, pelo menos na intenção, modelos como o de Scaloni com a Argentina ou De la Fuente com a Espanha, claro, guardadas as devidas proporções.

Há ainda outro ponto que não pode ser subestimado. Baldini seria uma solução menos comprometedora no médio prazo. Se daqui a um ano Guardiola realmente se abrir para a possibilidade de treinar uma seleção, seria muito mais fácil retomar o projeto — especialmente se ele ainda não tiver decolado — do que seria com um técnico de peso como Conte ou Mancini.
Seja qual for a escolha final, uma coisa é certa: depois de duas tentativas frustradas, a Federação não pode mais errar. O próximo passo precisa ser definitivo e, acima de tudo, o certo. Porque a seleção italiana e sua torcida finalmente merecem um recomeço à altura da própria história.
