A experiência na Turquia deu tão certo que o Goztepe o adquiriu em agosto do ano passado, até 2029, após Juan mostrar seu potencial. O desejo de jogar na Premier League seguiu presente, mas ele sabia que a decisão tinha sido a melhor, para dar continuidade ao bom momento em um time que tem a clara proposta de dar espaço para jovens valores e lucrar com suas vendas futuras para mercados ainda maiores.
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Nesta entrevista exclusiva ao Flashscore, Juan fala da gratidão ao São Paulo, dos aprendizados táticos e de como ainda pode se desenvolver para dar passos ainda maiores na carreira. Na atual temporada, ele soma 6 gols e 3 assistências em 20 jogos na liga turca, números praticamente iguais ao que ele teve na sua primeira temporada (7 gols e 3 assistências) em 27 jogos, mostrando uma importante evolução.

Os dados recentes têm tudo para serem incrementados até o final a temporada, com o Goztepe já tendo recusado proposta do Lille-FRA.
O que o motivou a deixar o São Paulo?
Eu gostaria de ter mais minutagem, gostaria de me desenvolver fora do país. Sempre tive esse desejo, desde as categorias de base. Pelo cenário que eu vivia dentro do clube, eu sentia que era o momento de sair e ganhar essa minutagem. Sou muito grato ao São Paulo, creio que saí pela porta da frente. Tenho muitos amigos lá, saí muito bem com a diretoria na época, acho que todos entenderam que era o melhor momento para mim.
Tinha mais propostas de fora? O que lhe chamou atenção no projeto do Goztepe?
Tive algumas situações para dentro e fora do país. Mas meu objetivo era, de fato, poder me desenvolver no futebol estrangeiro. Foi uma escolha que eu tive naquele momento. Quando apareceu a oportunidade do Southampton, foi uma proposta com o plano de carreira ideal que eu precisava, sempre tive o desejo de estar em um nível do futebol inglês, da Premier League. Quando houve essa oportunidade do Southampton, com o empréstimo para a Turquia, eu entendi junto com meu staff, que era algo bom para mim, pensando no meu desenvolvimento e no meu início de carreira.
Você chegou ao São Paulo com 16 anos, virou profissional aos 17. Foi antes do que imaginava?
Eu cheguei no São Paulo com 16 anos, após sair do União Barbarense. Quando eu chego no São Paulo, as coisas acontecem de maneira muito rápida. Sou muito grato a isso, porque assim que eu chego, começo a conquistar títulos e a marcar gols importantes na base. E aí já começa também um novo ciclo, que foi o processo de convocações para a seleção de base, que se tornaram frequentes.
Quais os aprendizados com Fernando Diniz, um técnico que tem preferência por saída de bola desde o goleiro?
No final de 2019, após voltar de uma lesão, eu sou chamado para complementar treinos no profissional. Em um desses treinos, o Diniz gosta do meu treinamento e me convida a ficar ali por uma semana. Em um jogo do Paulista, eu fui um de vários jogadores da base que foram relacionados. Para minha surpresa, atuei como titular e fui muito bem. Com o Diniz, a gente tinha muitos aprendizados pela forma como ele jogava. Esse estilo de jogo nos ensinou muito sobre ter coragem e foi um ano de muito aprendizado pra mim, que gerou grandes perspectivas para a minha carreira.
Você foi adquirido pelo Southampton e logo é emprestado para o Goztepe. Ficou decepcionado por não ter tido a chance de atuar na Premier League?
Com certeza, eu tinha o desejo de jogar na Premier League. Eu fui emprestado, mas almejava retornar para o clube que tinha me contratado. Eu sigo com o desejo de atuar lá, sei que um dia eu posso atuar na Inglaterra. Não tive decepção, principalmente depois da minha primeira temporada aqui no Goztepe.
Eu entendia que precisava começar a construir a minha própria identidade. No Goztepe, tenho jogado e tido bons números. Nada impede meu retorno para a Premier League.
O Rômulo, ex-Athletico-PR, estava no Goztepe e hoje está no Leipzig. Isso mostra como é possível ir para uma liga maior. É algo que vc almeja a curto prazo?
Ele é prova de que estamos no caminho certo, mostra como é possível abrir portas, dar um salto maior na carreira. O Goztepe tem uma mentalidade clara que vai ao encontro do meu desejo.
Aqui tenho ganhado minutagem e conseguido apresentar bons números. A decisão de ter saído do Southampton em definitivo e ficado no Goztepe foi pensando no plano de carreira. Isso não impede que eu volte para a Inglaterra, tenho o desejo de, um dia, estar na Premier League.

Ter sido contratado por um clube inglês deixou essa vontade de querer apresentar o futebol por lá. Mas também entendo que tomei uma decisão muito inteligente, já estava ambientado aqui na Turquia. Sou feliz aqui, naquele momento foi a melhor decisão. Minha família também está muito bem por aqui.
Acredito que daqui eu posso construir caminhos para Premier League, em qualquer equipe. O Rômulo, que tava aqui no Goztepe, hoje está no Leipzig. Isso mostra como que é possível chegarmos a lugares maiores. Sempre trabalho pensando em dar um salto maior na carreira e aqui não é diferente.
O que chamou sua atenção desde que chegou à Europa? Quais os principais aprendizados?
A velocidade e a intensidade do jogo são diferentes do Brasil, os gramados são muito rápidos também. Em um primeiro momento, a gente sente dificuldade até para controlar uma bola
Isso tudo gera uma outra visão do jogo. Foi uma mudança positiva, mesmo demorando para entender e se ambientar. A grande maioria dos campos da liga são muito bons. Isso é algo que me chamou a atenção desde a minha chegada aqui. São coisas que, às vezes, não damos tanto valor no Brasil, pelo fato do jogo ser mais lento, mas aqui você consegue entender a importância de um domínio orientado. Coisas de fundamentos que a gente trabalha a vida inteira. São muitos aprendizados sobre leitura de jogo, antes mesmo da bola chegar.
Em que você ainda pode melhorar?
Um dos aprendizados que a gente tem é com a a vida social, extra-campo. Aqui na Europa, acredito que esteja mais focado a trabalhar aspectos onde preciso trabalhar. Não há aquela pressão como no Brasil.
Ir para um lugar diferente faz com que você fique limitado às coisas que ocupam a mente. É diferente de um ambiente com família e amigos. Eu brinco dizendo que é como um esconderijo. você fica mais quieto, pensa somente trabalhar, quer focar sua mente no que realmente importa. Isso para o desenvolvimento acaba sendo muito bom. Este foi um dos principais aprendizados que eu tenho tido aqui aqui.

Ideia é seguir na Europa? Muitos jogadores vão e não demoram a voltar ao Brasil...
A minha ideia é seguir na Europa. O futebol europeu tem muito a me oferecer, a me ensinar. Vemos vários exemplos de jogadores que vão e voltam ao Brasil. Se eu tiver que voltar, amém, acredito que posso escrever também uma identidade, uma história no Brasil, mas hoje o meu foco é me desenvolver na Europa, criar uma maturidade como atleta. No Brasil, tive muitos aprendizados, mas aqui eu creio que vai ser um tempo essencial para continuar crescendo.
No Brasil, você atuava pelos lados e como centroavante. A ida pra Europa intensificou seu aprendizado tático?
No Brasil eu já atuava pelos lados, joguei pelos lados com Dorival e também joguei como centroavante. Acredito que, pelas minhas características, por ser explosivo e veloz, por ter bons dribles, isso faz com que eu jogue com mais facilidade pelos lados.
Aqui tive alguns aprendizados táticos, porque acabo cumprindo outras funções. Vim para um time que joga com dois atacantes, muitas vezes você acaba caindo pelo lado para receber uma bola, sem se limitar ao centro do campo somente. Acabei tendo mais liberdade de flutuar. Tenho entendido que, quanto mais objetivo eu puder ser, melhor.

Eu tenho um poder de pressionar muito grande, um poder de roubar bola na linha ofensiva. Isso eu trouxe pra cá e eu tenho aperfeiçoado, pelo fato do jogo aqui ser muito intenso, pela forma como o time joga. O Goztepe costuma pressionar os 90 minutos, então eu faço funções que já tinha e que estão sendo aprimoradas.
Uma função que acabo desempenhando é jogar de 10, mais como um armador, descendo para buscar a bola e enxergar o jogo de frente. São funções que eu já fiz quando mais novo e agora eu posso também ter o prazer de desempenhar.
O que tem feito a diferença para seus bons números? Encaixou no time antes do que esperava?
Acho que essa flexibilidade tem sido um dos diferenciais. Os jogadores conseguem cumprir mais de uma função, isso é muito importante para o sistema do treinador e para aquilo que o time tem apresentado. Fico feliz pelo bom momento que tenho vivido, pelos bons números, mas também sei que tenho muito a melhorar. Como um atacante, sei que ainda preciso desenvolver muitas coisas, preciso aumentar meu poder de finalização, por exemplo. São coisas que eu tenho entendido melhor e estou buscando ajustar todos os dias. Acredito que eu vou conseguir me preparar melhor para chegar no lugar que eu desejo.
