Após 14 jogos pela equipe B em 2004/2005 "no pior momento" da sua vida devido a uma tuberculose, quando admitiu até não se lembrar de disputar essas partidas, Thiago Silva tinha contas por ajustar com o passado. Ele já havia retornado ao Estádio do Dragão para conquistar e levantar a Liga dos Campeões como capitão do Chelsea, em 2021, mas não era disso que se tratava.
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O Monstro chegou ao clube no dia 4 de janeiro, seguiu para estágio e, 10 dias depois, entrou em campo como titular. O técnico italiano Francesco Farioli estava privado de laterais-esquerdos, aproveitou a polivalência de Kiwior para desfazer a dupla de centrais polaca e confiou na experiência de quem soma 113 convocações e ganhou tudo em clubes como Milan, PSG e Chelsea.

A estreia de Thiago Silva aconteceu no maior dos cenários, em clássico do futebol português em jogo eliminatório, em que o mínimo erro pode ser punido e decisivo. "Esteve em campo com 41 anos e nem transpirou", reagiu o ex-jogador português Jorge Andrade na RTP Notícias.
Com a responsabilidade de segurar a inspiração de Vangelis Pavlidis, artilheiro do Campeonato Português, Thiago Silva jogou pela direita. Os poucos desarmes (1) mostram como serviu de cobertura a Bednarek - responsável por disputar mais duelos (10 no total) -, e ofereceu maior qualidade na fase ofensiva. O brasileiro tocou 53 vezes na bola, tentou 43 passes e completou 40, seis deles longos e um deles para o último terço.

Em 104 minutos em campo, ganhou 100% dos duelos que disputou (3), dois pelo alto, recuperou a bola em duas ocasiões, somou uma interceptação, um bloqueio de chute e nenhuma falta cometida (!) entre as 14 do seu time. Em contrapartida, perdeu três vezes a posse de bola em passes errados.
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Uma exibição sólida num contexto complicado e que mostra que Thiago Silva vem acrescentar liderança, calma e qualidade. Com apenas quatro gols sofridos (em 18 jogos) na Liga Portugal e um na Taça de Portugal (na vitória por 4 a 1 sobre o Famalicão), o goleiro Diogo Costa pode respirar aliviado ao saber que tem um dos empregos mais fáceis no país.
Aos 41 anos, o Monstro aposta que é no Porto que vai conseguir conquistar o que ainda lhe falta no currículo - como a Liga Europa - e a tão desejada chamada para sua quinta Copa do Mundo, o que o colocaria no Olimpo do futebol. A insaciável sede de conquistas trouxe-o de volta às margens do rio Douro onde o compromisso e o empenho são inegociáveis. A sua experiência, liderança e qualidade parecem estar no auge.
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