Jogos de Inverno 2026 terão esporte estreante e 7 novas modalidades; confira

Prova de esqui por equipes no Mundial do ano passado, na Suíça
Prova de esqui por equipes no Mundial do ano passado, na SuíçaČTK / AP / Maxime Schmid

Um esporte totalmente novo e sete disciplinas adicionadas a modalidades já existentes vão enriquecer os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina.

A última edição das Olimpíadas, em Paris, foi a primeira vez que o número de representantes de ambos os sexos foi igual. Em Milão, os homens ainda são maioria (53%), mas mesmo assim é a proporção mais equilibrada da história das Olimpíadas de Inverno.

Confira o programa completo de Milão-Cortina 2026

As mulheres agora terão a prova de duplas no luge e também no salto de esqui. Ambas as competições têm uma história bem recente, com as primeiras medalhas mundiais sendo entregues só depois da Pandemia. Por outro lado, os saltadores vão perder a tradicional disputa por equipes de quatro atletas, que será substituída pelos chamados super times, formados apenas por dois competidores.

A maratona feminina no esqui cross-country também terá sua estreia na Itália. Até o fim dos anos 1980, a prova mais longa das esquiadoras era de 20 km; depois, até 2023, a distância era de 30 km, até que no ano passado a sueca Frida Karlsson conquistou o primeiro título mundial nos 50 km.

O programa dos Jogos também reflete o esforço crescente de criar disciplinas em que homens e mulheres possam competir juntos em times mistos. Pela primeira vez, haverá skeleton de duplas mistas, em que os tempos dos dois atletas serão somados para o resultado final. Nem todas as provas mistas, porém, permanecem. A disputa por equipes de quatro no slalom de esqui foi encerrada após duas Olimpíadas.

Outra novidade é o fim da tradicional combinação alpina, prova que testava a versatilidade dos esquiadores, exigindo desempenho tanto na descida quanto no slalom. Ela já está fora do calendário da Copa do Mundo há dois anos, não está prevista para a próxima temporada e só permanece no programa do Mundial.

Nesta Olimpíada, o esqui alpino será uma prova de duplas (masculina e feminina separadamente). Se o joelho de Lindsey Vonn permitir, os Estados Unidos tem a dupla favorita ao ouro (Vonn com Mikaela Shiffrin). Essa competição está no programa em caráter experimental, e até abril deste ano será decidido se ela continua ou não.

O que é o ski alpino?

Também haverá mudanças na prova de ski freestyle (tanto masculina quanto feminina), que era disputada individualmente nos Jogos. Agora, dois atletas vão competir lado a lado. Mas chegar primeiro na linha de chegada não garante a vitória. O que conta mesmo é a técnica para superar o terreno irregular, a dificuldade dos saltos e o tempo de descida, cada um valendo apenas um quinto da nota final.

Curiosamente, o único esporte totalmente novo nos Jogos deste ano é justamente a modalidade de esqui mais antiga de todas. O ski alpino surgiu originalmente como treinamento para soldados atuando nas montanhas e virou esporte nos Alpes no fim do século XIX. Os atletas de hoje brincam dizendo que praticam esqui alpino como era feito antes da invenção dos teleféricos.

As provas tradicionais duram cerca de duas horas, com várias subidas e descidas, mas nos Jogos será disputado o sprint. A prova tem 610 metros de distância e 70 metros de desnível, com disputas masculinas, femininas e revezamento misto em um percurso duas vezes maior e com o dobro de desnível. Os atletas competem em várias baterias de cerca de três minutos, o que se encaixa melhor nas transmissões de TV.

As largadas serão em grupos, e cada volta inclui subida e descida. A subida tem três etapas: primeiro, os atletas sobem com esquis e peles especiais, depois tiram os esquis, prendem na mochila e sobem alguns degraus a pé, e então colocam os esquis de novo para seguir até o ponto mais alto do circuito. Depois, retiram as peles antiderrapantes dos esquis e descem até a chegada. As provas olímpicas vão acontecer em Bormio, na lendária pista Stelvio, a partir de 19 de fevereiro.

Os atletas da combinação nórdica deverão competir pela última vez neste ano, mesmo sendo uma modalidade presente desde a primeira edição dos Jogos, em 1924. Segundo o Comitê Olímpico Internacional, a situação do esporte é delicada. Eles afirmam que, nas últimas três edições, foi o que teve o menor público.

Outro argumento é que, das últimas 27 medalhas olímpicas, apenas atletas de quatro países subiram ao pódio. Além disso, a combinação nórdica é o único esporte sem participação feminina, o que gerou protestos recentes das próprias atletas. O COI deu à modalidade a missão de expandir para mais países e atrair um público maior.