De acordo com relatório divulgado nesta sexta (2), elaborado pelo grupo de estudos técnicos da entidade, 30 das 48 seleções participantes (ou 63%) utilizaram uma saída com três jogadores na primeira linha em pelo menos algum momento do torneio.
Embora tenha preferido escalar 2 zagueiros de origem, o Brasil também aplicou o esquema em alguns momentos de seus jogos.
A FIFA identificou duas estruturas principais: o 3+1, com um único volante à frente dos três defensores, e o 3+2, com dois jogadores no meio-campo. Quinze seleções utilizaram exclusivamente o 3+1, nove exclusivamente o 3+2 e outras seis alternaram entre os dois modelos.
A principal vantagem da estrutura era criar superioridade numérica contra a primeira linha de pressão adversária.

Com um jogador adicional na saída, as equipes tinham mais opções para superar o primeiro combate, enquanto os zagueiros laterais ganhavam liberdade para avançar e participar da progressão. A presença de três jogadores atrás da bola também oferecia maior segurança para a pressão pós-perda.
Os números de progressão reforçam essa utilização. Equipes que construíram com três jogadores registraram 39,8 quebras da linha de pressão por 30 minutos com a bola, contra 38,12 das equipes que utilizaram uma base de dois — uma diferença de 1,68 ação por 30 minutos.

Estas equipes também tiveram mais recepções entre as linhas de meio-campo e ataque.
O uso, porém, variou bastante entre as seleções. República Tcheca, Alemanha, Japão, Jordânia, Coreia do Sul, Panamá, Tunísia e Uzbequistão utilizaram uma saída com três em 100% dos jogos observados. No outro extremo, a França apareceu com apenas 12,5%.

E o Brasil?
O Brasil aparece em 17º lugar na lista da FIFA, com 40% dos jogos utilizando uma construção com linha de três. Isso coloca a Seleção atrás de países como Estados Unidos (80%), Austrália e Suécia (75%), Paraguai (60%), além de Alemanha, Japão e outras seleções que chegaram a utilizar o sistema em todos os seus jogos.
É importante destacar que o levantamento da FIFA não mede simplesmente quantas vezes uma equipe atuou em uma formação 3-4-3 ou 3-5-2. O critério é mais específico: quantos jogos tiveram a construção da posse a partir de uma primeira linha de três jogadores.

Assim, uma seleção que começou uma partida em 4-3-3 também poderia entrar na estatística caso transformasse sua estrutura em uma saída de três durante a posse.
O próprio relatório ressalta que não há evidências suficientes para considerar a linha de três intrinsecamente superior à linha de dois. Para a FIFA, o rendimento depende de como a estrutura é executada, das características dos jogadores, das instruções para cada partida e da maneira como o sistema interage com o adversário.
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