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Linha de 3 zagueiros virou tendência na Copa; veja análise da FIFA

Rüdiger, zagueiro alemão, disputa bola em jogo da Copa contra Paraguai
Rüdiger, zagueiro alemão, disputa bola em jogo da Copa contra ParaguaiABDULHAMID HOSBAS / ANADOLU / Anadolu via AFP

A linha de três zagueiros — ou, mais precisamente, a construção da jogada com uma base de três defensores — foi uma das principais tendências táticas identificadas pela FIFA na Copa do Mundo de 2026.

De acordo com relatório divulgado nesta sexta (2), elaborado pelo grupo de estudos técnicos da entidade, 30 das 48 seleções participantes (ou 63%) utilizaram uma saída com três jogadores na primeira linha em pelo menos algum momento do torneio.

Embora tenha preferido escalar 2 zagueiros de origem, o Brasil também aplicou o esquema em alguns momentos de seus jogos.

A FIFA identificou duas estruturas principais: o 3+1, com um único volante à frente dos três defensores, e o 3+2, com dois jogadores no meio-campo. Quinze seleções utilizaram exclusivamente o 3+1, nove exclusivamente o 3+2 e outras seis alternaram entre os dois modelos.

A principal vantagem da estrutura era criar superioridade numérica contra a primeira linha de pressão adversária.

Times que usaram a construção com 3 zagueiros
Times que usaram a construção com 3 zagueirosFIFA

Com um jogador adicional na saída, as equipes tinham mais opções para superar o primeiro combate, enquanto os zagueiros laterais ganhavam liberdade para avançar e participar da progressão. A presença de três jogadores atrás da bola também oferecia maior segurança para a pressão pós-perda.

Os números de progressão reforçam essa utilização. Equipes que construíram com três jogadores registraram 39,8 quebras da linha de pressão por 30 minutos com a bola, contra 38,12 das equipes que utilizaram uma base de dois — uma diferença de 1,68 ação por 30 minutos.

Mapa de calor de progressões com 2 e 3 zagueiros na Copa
Mapa de calor de progressões com 2 e 3 zagueiros na CopaFIFA

Estas equipes também tiveram mais recepções entre as linhas de meio-campo e ataque.

O uso, porém, variou bastante entre as seleções. República Tcheca, Alemanha, Japão, Jordânia, Coreia do Sul, Panamá, Tunísia e Uzbequistão utilizaram uma saída com três em 100% dos jogos observados. No outro extremo, a França apareceu com apenas 12,5%.

Times que mais usaram linha de 3
Times que mais usaram linha de 3FIFA

E o Brasil?

O Brasil aparece em 17º lugar na lista da FIFA, com 40% dos jogos utilizando uma construção com linha de três. Isso coloca a Seleção atrás de países como Estados Unidos (80%), Austrália e Suécia (75%), Paraguai (60%), além de Alemanha, Japão e outras seleções que chegaram a utilizar o sistema em todos os seus jogos.

É importante destacar que o levantamento da FIFA não mede simplesmente quantas vezes uma equipe atuou em uma formação 3-4-3 ou 3-5-2. O critério é mais específico: quantos jogos tiveram a construção da posse a partir de uma primeira linha de três jogadores.

Transição da Argentina para 3 zagueiros durante partida da Copa
Transição da Argentina para 3 zagueiros durante partida da CopaFIFA

Assim, uma seleção que começou uma partida em 4-3-3 também poderia entrar na estatística caso transformasse sua estrutura em uma saída de três durante a posse.

O próprio relatório ressalta que não há evidências suficientes para considerar a linha de três intrinsecamente superior à linha de dois. Para a FIFA, o rendimento depende de como a estrutura é executada, das características dos jogadores, das instruções para cada partida e da maneira como o sistema interage com o adversário.

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