Olimpíada de Inverno: relembre 8 momentos mais icônicos da história do evento

Time de hóquei dos EUA comemora após vitória sobre os soviéticos em 1980
Time de hóquei dos EUA comemora após vitória sobre os soviéticos em 1980Credit: ČTK / AP / AP

Com o início dos Jogos Olímpicos nesta sexta-feira (6), o Flashscore relembra alguns dos momentos mais marcantes da história do evento.

1) Milagre no gelo, Lake Placid 1980

A rivalidade geopolítica da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética se manifestou em uma batalha histórica no rinque de Lake Placid, quando o time americano, formado por universitários e sem favoritismo, enfrentou a União Soviética, que defendia o título e contava com um elenco totalmente profissional.

Menos de duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos de Inverno, os americanos haviam sido humilhados por 10 a 3 pela poderosa União Soviética em um amistoso, e os soviéticos chegaram a Lake Placid após conquistar quatro medalhas de ouro consecutivas. As duas seleções se enfrentaram no primeiro jogo da fase final.

O primeiro período terminou em 2–2, e os soviéticos lideraram por 3–2 após o segundo, mas o time dos EUA marcou mais dois gols no terceiro e último período, assumindo a liderança pela primeira vez e vencendo por 4–3. Depois, os EUA garantiram a medalha de ouro ao derrotar a Finlândia na última partida.

2) Nancy Kerrigan e Tonya Harding, Lillehammer 1994

Em 1994, a patinadora americana Nancy Kerrigan foi atacada e teve o joelho machucado por um homem contratado pelo ex-marido da rival Tonya Harding, em um plano para forçá-la a desistir dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Shawn Eckardt (segurança de Harding) atingiu Kerrigan com um bastão acima do joelho, tentando impedir sua participação no Campeonato Nacional e nos Jogos Olímpicos, abrindo caminho para Harding.

Kerrigan não conseguiu competir no Campeonato dos EUA, mas se recuperou a tempo de disputar os Jogos Olímpicos de Inverno. Ela conquistou a medalha de prata, enquanto Harding terminou em oitavo lugar.

Após os Jogos, Harding se declarou culpada de conspiração para dificultar a investigação, recebendo liberdade condicional, uma multa de US$ 100 mil (R$ 521 mil) e banimento vitalício da Associação de Patinação Artística dos Estados Unidos. O escândalo teve ampla cobertura da mídia internacional, resultando em documentários, livros e no filme "Eu, Tonya", lançado em 2017.

3) Eddie the Eagle, Calgary 1988

Normalmente, atletas dedicam grande parte da carreira para se preparar para um evento tão prestigiado quanto os Jogos Olímpicos, mas um dos mais famosos representantes britânicos dos Jogos de Inverno fugiu à regra, já que teve apenas 22 meses para se preparar para um dos eventos esportivos mais aguardados.

Menos de dois anos antes de estrear nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1988 em Calgary, o saltador de esqui Eddie 'the Eagle' Edwards participou de suas primeiras competições no esporte.

Edwards não era respeitado pelos colegas, que tinham anos de experiência, e foi constantemente avisado pelos treinadores de que seu projeto de se classificar para os Jogos Olímpicos de Inverno era impossível, pois não conseguiria saltar longe o suficiente.

Além disso, ele tinha dificuldade para enxergar durante os saltos, já que usava óculos grossos sob as lentes de proteção, que frequentemente embaçavam antes do salto.

Mesmo assim, Edwards se tornou o primeiro saltador de esqui britânico a competir nos Jogos Olímpicos de Inverno e, apesar de terminar em último nas provas de 70m e 90m, virou um ícone cult e nome conhecido, com sua história de vida inspirando até um filme de Hollywood em 2016.

4) Hermann Maier - Nagano 1998

O lendário esquiador austríaco Hermann Maier virou notícia em 13 de fevereiro de 1998, na prova de downhill dos Jogos de Nagano, ao sofrer um acidente espetacular, com fotos dramáticas do incidente circulando pelo mundo.

Com apenas 16 segundos de prova, o campeão da Copa do Mundo da Áustria chegou à curva que surpreendeu muitos outros competidores, enquanto estava a mais de 105 km/h.

Como sua trajetória era muito reta, o austríaco perdeu o equilíbrio imediatamente e voou por vários metros antes de cair violentamente na neve atrás das redes de proteção. Houve preocupação imediata com sua saúde, mas durou poucos segundos até o gigante austríaco se levantar, coberto de neve, e sinalizar com a mão: “Estou bem.”

A queda espetacular de Maier não encerrou sua participação nos Jogos. Poucos dias depois, o esquiador conquistou duas medalhas de ouro no super-G e no slalom gigante.

5) Steven Bradbury - Salt Lake City 2002

Steven Bradbury fez história em Salt Lake City ao se tornar o primeiro australiano a conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno, na prova de patinação de velocidade em pista curta de 1000 metros.

Ahn Hyun-Soo, da República da Coreia, o americano Apolo Anton Ohno, o medalhista de prata de 1998 Li Jiajun (China) e o destaque Mathieu Turcotte (Canadá) eram os favoritos para disputar o pódio, enquanto Bradbury apenas completava a lista de competidores.

Mas ninguém poderia prever o que aconteceu na última curva da prova, em um dos momentos mais surpreendentes da patinação de velocidade. Li Jiajun tentou ultrapassar Ohno, o que fez ambos caírem no gelo, levando Ahn Hyun-Soo e Turcotte junto na queda.

Para surpresa da torcida, Bradbury, único que permaneceu de pé, cruzou a linha de chegada e conquistou uma improvável medalha de ouro. Logo depois, decidiu se aposentar da patinação de velocidade com o triunfo inesperado em Salt Lake City.

6) Jayne Torvill e Christopher Dean - Sarajevo 1984

No Dia dos Namorados de 1984, Jayne Torvill e Christopher Dean fizeram história nos Jogos Olímpicos de Inverno e estabeleceram um novo padrão para a patinação artística mundial. Hoje, o "Boléro" de Torvill e Dean em Sarajevo 1984 é considerado um dos maiores momentos olímpicos, graças às 12 notas perfeitas de 6.0 e à coreografia inovadora.

Jayne Torvill e Christopher Dean revolucionaram a dança no gelo com uma rotina de 4 minutos e 28 segundos ao som de Ravel, e a apresentação — marcada por emoção intensa e técnica impecável — quebrou a hegemonia russa no esporte.

Apesar de terem voltado para conquistar o bronze em 1994, a apresentação de 1984 permanece insuperável, sendo frequentemente descrita como um "momento 1966" para o esporte britânico.

7) Sidney Crosby - Vancouver 2010

O gol de Sidney Crosby na prorrogação em Vancouver 2010 virou símbolo de orgulho nacional, quando o Canadá, país anfitrião, conquistou o ouro diante de seu maior rival, os Estados Unidos.

No fim do tempo regulamentar, as duas seleções estavam empatadas em 2 a 2. Sete minutos após o início da prorrogação, Sidney Crosby marcou o gol decisivo após trocar passes com Jarome Iginla, colocando o disco entre as pernas do goleiro americano Ryan Miller e desencadeando uma celebração histórica em todo o país.

A final do hóquei foi o jogo mais assistido desde que os EUA conquistaram o ouro nos Jogos Olímpicos de 1980. Nos últimos 15 anos, não houve tensão olímpica equivalente.

Sidney Crosby ainda liderou o Canadá como capitão para conquistar o segundo título olímpico consecutivo em Sochi, quatro anos depois.

8) Time de bobsled da Jamaica, Calgary 1988

A Jamaica se classificou pela primeira vez para os Jogos Olímpicos de Inverno em Calgary, 1988. A história real inspirou o filme "Jamaica Abaixo de Zero", lançado em 1993, com o saudoso ator John Candy no papel principal.

Desde então, a Jamaica conseguiu se classificar seis vezes para os Jogos Olímpicos de Inverno no bobsled, e o legado do time de 1988 é parte fundamental da identidade esportiva jamaicana. Graças ao status de "azarão", os jamaicanos rapidamente conquistaram fama como competidores improváveis em um esporte de clima frio, vindo de um país tropical.

O time de estreia, formado por Devon Harris, Dudley Stokes, Michael White, Freddy Powell e o substituto de última hora Chris Stokes, precisou pedir ajuda a outras nações por falta de equipamentos básicos para competir, além de ter pouco conhecimento do esporte ao tentar se classificar para os Jogos.

Eles chegaram até Calgary, mas na terceira de quatro descidas classificatórias perderam o controle do trenó, sofreram um acidente e não conseguiram completar oficialmente a prova.