Ninguém pode duvidar que ele é um dos melhores jogadores de todos os tempos, mas sua atitude em alguns momentos — assim como a de sua família, que costuma recorrer às redes sociais para falar em “falta de respeito” com o jogador — deixa um gosto muito amargo.
E quanto à falta de respeito que o próprio Ronaldo demonstrou com seus companheiros e treinadores ao longo dos anos por causa dessas explosões peculiares?
Desta vez, ser relacionado como reserva contra a Noruega e não entrar em campo por decisão do técnico da seleção, Jorge Jesus, fez Ronaldo deixar furioso o centro de treinamento de Portugal antes do jogo contra a Dinamarca. Ao que tudo indica, essa pode ter sido a última vez que o veremos com a camisa portuguesa.
Do ponto de vista de Jesus, o motivo para Ronaldo não sair do banco era bastante claro.
Jorge Jesus foi técnico
“Qualquer jogador — e eu fui jogador —, quando passa 20 ou 30 minutos aquecendo e depois não entra, não fica feliz com isso”, disse ele, segundo as declarações publicadas.
“Depois, como treinador, decidi não colocá-lo em campo. Não há motivo para fazer um alarde. Se eu precisar do Ronaldo, ele vai entrar. Se não precisar, não vai.”
Uma explicação direta e inequívoca, embora aparentemente inaceitável para o capitão.

“Ainda acredito que posso ajudar a seleção a alcançar o que deseja e vou parar quando sentir que não estou fazendo nada aqui”, respondeu Ronaldo.
“Acho que posso dar meu apoio à seleção, não apenas com gols, mas também fora do futebol. Esta é uma nova geração, mais jovem, mas, para mim, o ponto principal é conseguir marcar gols em campo e ajudar o time a vencer os jogos.”
Uma ameaça velada
Também houve uma ameaça velada nas redes sociais, com Ronaldo afirmando que “contaria a verdade” sobre sua saída no momento certo.
Isso parece outra tentativa de controlar a narrativa, porque ele não consegue nem pretende aceitar que outras pessoas estejam possivelmente encerrando sua carreira internacional.
Jesus, que comandou o português no Al Nassr, tem uma postura mais firme e claramente não será influenciado se acreditar que essa é a melhor decisão para o time.
Também é totalmente errado sugerir que essa atitude merece elogios. Ele é o treinador e deve ter liberdade para escolher quem quiser, sem interferência ou pressão.
Imaturidade versus números incríveis
Porém, enfrentar um jogador do calibre de Ronaldo — e seus representantes —, que usará todos os truques possíveis, pela imprensa ou não, exige coragem.
Para Ronaldo, sua reputação internacional pode ser justamente a única coisa manchada agora, e isso seria uma verdadeira pena.
Mesmo levando em conta a “bagagem” que costuma acompanhar o jogador, ele raramente encontra alguém à sua altura dentro de campo.
Quando joga por Portugal, suas estatísticas impressionam e certamente resistirão ao teste do tempo.
Até o momento da publicação, Ronaldo marcou o maior número de gols por seleções no futebol masculino (146), fez o maior número de jogos por seleções (234), tem o maior número de vitórias internacionais (141) e soma 10 hat-tricks por Portugal.
Para dimensionar seus números de gols pela seleção, Lionel Messi tem 125, mas vai se aposentar da seleção argentina no início de outubro. O atacante em atividade mais próximo é o belga Romelu Lukaku, que está muito atrás, com 93 gols.
Até Robert Lewandowski e Harry Kane têm apenas 89 e 87, respectivamente.
Outro recorde mundial que ele detém é o de marcar pela seleção em todos os anos desde sua estreia, em 2003.
Mesmo deixando de lado seus feitos como goleador, a influência de Ronaldo sobre a seleção portuguesa não está em discussão.
Seria uma pena, então, se tudo isso acabasse ofuscado por tamanha imaturidade.
Se realmente tivesse os melhores interesses da seleção no coração, ele aceitaria a decisão do treinador com elegância e tentaria reconquistar seu espaço, em vez de fazer ameaças veladas que garantirão que toda a atenção continue voltada única e exclusivamente para ele.
