"O desafio é grande. Temos uma intervenção que tem que ser imediata, porque, como é lógico, em 18 rodadas o clube trocou duas vezes de treinador. As coisas não estão bem, mas isso faz parte do que foi a nossa preparação ao longo de vários anos", afirmou Pedro Emanuel.
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Questionado sobre os objetivos imediatos, o treinador foi direto ao apontar a tabela do Brasileirão como fator determinante para o planejamento inicial.
"Nesse momento, a tabela do Brasileirão nos diz muito. É prioridade voltar a colocar o Vasco no lugar onde merece. Temos que colocar o Brasileirão como merece. Não diria que a situação é delicada, são poucos pontos de diferença. A história do Vasco é de conquistas, e isso tem que fazer parte da nossa essência. O nosso desafio será esse. Quando entrei nesse CT, senti a energia e a grandeza do clube. O que encontrei aqui é muito positivo. Esse é o alicerce para o que vem aí", declarou.
Em meio ao momento político e judicial conturbado do Gigante da Colina, o técnico foi questionado sobre o que pesou na decisão de aceitar o comando do time.
"O que me levou a vir para cá foi a confiança naquilo que ouvi. A conversa que tive com o Admar foi bem esclarecedora. A confiança que tive no que podemos construir como clube é isso que me alimenta. Quem está do meu lado tem os mesmos objetivos que eu. Estamos em sintonia e vamos à luta."
Sobre a fragilidade do time em momentos decisivos das partidas, Pedro Emanuel prometeu atenção redobrada e destacou a força da torcida como diferencial.
"Vou responder de forma sincera. Se sofremos gols nos últimos minutos, de bola parada, de transição... isso tem que ser alvo da minha intervenção mais forte. Estamos no Vasco, uma torcida enorme e exigente. Eu adoro isso. O jogador tem que sentir que estamos juntos e isso vai fazer parte do nosso processo. Temos que tornar São Januário um lugar difícil para quem vem jogar e sentir essa pressão. Sentir que temos uma torcida que nos leva à vitória", afirmou.
Como chega Pedro Emanuel
O técnico português também reconheceu o ceticismo em torno de sua contratação.
"Compreendo também o ceticismo de vocês em relação à escolha do meu nome. Viemos para organizar, para sermos compactos, para transmitir a confiança que os jogadores neste momento necessitam, mais do que ninguém. Eles precisam disso no nosso processo de treino, no nosso processo de jogo", acrescentou.
Pedro Emanuel ainda citou a influência de José Mourinho e André Villas-Boas, de quem foi auxiliar, na formação de sua identidade tática, e relembrou casos de sucesso de técnicos portugueses no futebol brasileiro.
"O Abel, o Jorge Jesus são casos de sucesso. O Abel é um exemplo. Para mim não é problemático. Boa parte das pessoas não me conhece. Terei que trabalhar para ganhar o meu espaço. Aqui é muito competitivo e só com trabalho vou ganhar a confiança dos torcedores. Isso é a vida. A confiança não se pede, a confiança se conquista", declarou
"Quero conquistar os torcedores na base do trabalho e da essência do clube, que é a competitividade. Isso é o que nos faz grandes", completou.
"Eu tive treinadores, ao longo da minha carreira como jogador, com formas diferentes de trabalhar, e eles me fizeram campeão. E, por isso, passando também pelo Mourinho enquanto jogador, aprendi muito daquilo que foram os ensinamentos que tive com ele. E que me fizeram também olhar para a carreira de treinador como sendo uma opção válida", explicou.

"Depois, o André Villas-Boas, que acrescentou também numa época de grande sucesso no Porto, me levou a ideias mais claras. Sermos alegres naquilo que é a nossa forma de jogar. E o alegre é não ter medo de ter a bola, assumirmos o jogo quando tivermos a bola. Mas no momento em que não a tivermos, temos que ter a capacidade de ajudar a nossa equipe", apontou.
O Vasco retorna aos gramados já daqui a três dias, contra o Vitória pela 19ª rodada do Brasileirão. Com a expectativa de sua estreia, Pedro Emanuel reconheceu que tem pouco tempo para introduzir suas ideias.

"Todos nós aqui que gostamos de futebol percebemos que para se formar uma boa equipe precisamos de algum tempo. Agora, o desafio foi exatamente esse quando eu debati isso com o Admar (diretor executivo de futebol): de fato não temos tempo. E a partir de agora vai ser jogo a jogo, três, quatro, cinco dias, que é o normal", disse.
"E de fato vai ter que ser de uma forma acelerada. Um dos aspectos que ajuda é a motivação com que os jogadores se apresentaram hoje no primeiro treino. Disponíveis, abertos, com vontade, com determinação. Esse é o primeiro passo para nós podermos introduzir as nossas ideias", detalhou.
