A estreia da Jordânia no Mundial acontece diante de um cenário de alto nível. A Argentina desponta como favorita da chave, enquanto Áustria e Argélia aparecem como adversários diretos na disputa por uma possível vaga ao mata-mata. Para quem observa de fora, a Jordânia larga atrás. Para quem conhece o ambiente do futebol no país, porém, o discurso é outro.
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O brasileiro Ítalo Silva, atualmente no Amazonas FC e campeão pelo Al-Hussein, um dos principais clubes jordanianos, acredita que a seleção pode ser uma das surpresas da competição. O jogador conversou com o Flashscore e destacou como a seleção pode chegar na Copa. “Muita gente julga sem conhecer. É uma seleção que pode surpreender”, afirmou Ítalo Silva.
Segundo o jogador, a Jordânia tem uma equipe marcada pela intensidade física e pela velocidade do jogo. O estilo, nas palavras dele, é de um futebol “corrido”, apoiado em atletas acostumados a competir fora do país — algo que elevou o nível técnico da seleção nos últimos anos. O time tenta compensar diferenças técnicas com intensidade, organização e disciplina tática. “Pode beliscar um segundo lugar”, segundo o jogador brasileiro.

Outra característica destacada por Ítalo está na identidade tática da equipe. Segundo ele, o treinador jordaniano faz questão do esquema com três zagueiros, sistema que se consolidou como marca do time. “O treinador não abre mão do esquema. Pode jogar contra quem for”, destaca Ítalo Silva.
Mais da metade dos jogadores atua no exterior, enquanto uma base importante vem do próprio Al-Hussein, clube em que Ítalo conquistou títulos e acompanhou de perto a relação entre elenco e seleção. Em determinados períodos de convocação, segundo ele, o clube chega a perder tantos jogadores que precisa completar treinos com atletas das categorias de base.

A estrela da Jordânia
Se existe um nome de destaque na equipe, ele é Musa Al-Taamari. O meia-atacante é apontado por Ítalo como o principal talento técnico do elenco e a peça mais decisiva da equipe.
Atuando no futebol francês, na equipe do Rennes, o camisa 10 é visto como um jogador capaz de mudar partidas com assistência, condução ofensiva e eficiência nas bolas paradas. Na temporada atual marcou 8 gols em 15 jogos por sua seleção. “Esse resolve vários jogos para a seleção”, destacou o jogador brasileiro.
Em um time que ainda busca reconhecimento mundial, Mousa representa o elo entre o futebol jordaniano e o cenário internacional. Ele é um jogador acostumado a competições com maior intensidade e que carrega grande parte das expectativas do país para o Mundial.

A revelação jordaniana
Se Musa já é reconhecido na Europa, a peça que pode surpreender ainda não tem destaque no velho continente, mas tem personalidade para atrair holofotes em breve. É o jovem Odeh Al-Fakhouri, atacante que atua no Pyramids, clube da primeira divisão do Egito.

Segundo o brasileiro, o atacante surgiu das categorias de base do Al-Hussein e chamou atenção rapidamente pelo desenvolvimento técnico e pela personalidade. Depois de se destacar nas seleções juvenis, ganhou espaço no profissional, estreou pela seleção principal marcando gol e passou a ser presença constante nas convocações. “Ele tem tudo para ser a revelação da Jordânia na Copa”, afirmou Ítalo.
Com apenas 20 anos, o jogador aparece como símbolo de uma geração que começa a amadurecer ao mesmo tempo em que o país vive o maior momento de sua história no futebol.

Um país que para pela seleção
Se ainda existe desconhecimento sobre o nível técnico da Jordânia, a paixão pelo futebol não deixa dúvidas. E, para Ítalo, talvez seja esse o ponto que mais surpreenda quem olha o país apenas de longe.
O brasileiro admite ter se impressionado com a maneira como os jordanianos vivem a seleção nacional. Vitórias importantes transformam ruas em celebrações improvisadas, com bandeiras, buzinas, fogos de artifício e trânsito interrompido por torcedores que tomam conta dos espaços públicos.

“Eu pensei que brasileiro fosse apaixonado por futebol, mas eles vivem muito a seleção”, contou o jogador brasileiro.
Mesmo assim, há uma sensação curiosa no país: a de que a dimensão do feito ainda não foi totalmente assimilada. Para quem viveu na Jordânia recentemente, a impressão é de que a ficha ainda não caiu por completo sobre o que representa disputar uma Copa do Mundo. Nos jogos da seleção, estádios lotados apontam para o envolvimento da população que deve assimilar melhor a ideia com o início do Mundial.

No Grupo J, a missão é das mais complexas. A Argentina aparece como maior obstáculo, enquanto Áustria e Argélia surgem como confrontos decisivos para um sonho improvável. Ainda assim, dentro e fora da Jordânia, a esperança é de que a estreia mundialista não seja apenas simbólica. Para quem conhece o ambiente da seleção por dentro, a Jordânia não viaja ao Mundial apenas para participar, a equipe vai tentar surpreender.
Jogos da Jordânia no Mundial
17 de junho (quarta)
01h - Áustria x Jordânia (Levi's Stadium, Santa Clara, EUA) - Globo, SporTV e CazéTV
23 de junho (terça)
00h - Jordânia x Argélia (Levi's Stadium, Santa Clara, EUA) - Globo, SporTV e CazéTV
28 de junho (domingo)
23h – Jordânia x Argentina (Dallas Stadium, Arlington, EUA) - CazéTV e Flashscore (comentários em áudio)
