A UEFA havia ameaçado boicotar todas as competições da FIFA caso Infantino insistisse em seu plano, que foi descartado no sábado (31) como um "acordo obscuro, feito nos bastidores e sem transparência".
O plano da FIFA previa arrecadar até US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21 bilhões), com base em uma avaliação de US$ 20 bilhões (R$ 101 bilhões) para a FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária comercial planejada para organizar eventos como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.
Segundo a proposta, o projeto poderia proporcionar a cada uma das 211 associações membros da FIFA um pagamento único de US$ 20 milhões (R$ 101 milhões) no início de 2027 e aumentar o repasse de recursos para o ciclo 2027-2030.
Tudo isso foi por água abaixo, e a UEFA destacou o prejuízo causado poucas semanas depois de FIFA e Infantino terem comemorado o sucesso da Copa do Mundo, a primeira com 48 seleções e disputada em três países.
"A atual liderança da FIFA não perdeu apenas a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol," diz o comunicado.

Embora a UEFA tenha recebido bem a retirada de uma proposta rejeitada por unanimidade por ela e também por outras confederações "cuja função é proteger o futebol", não poupou críticas a Infantino.
O comunicado afirma que o suíço de 56 anos descumpriu promessas feitas quando se candidatou com sucesso à presidência em 2016, principalmente a de ser "transparente" e que o dinheiro da FIFA era "seu (das associações membros) dinheiro" e "não dinheiro do presidente da FIFA".
"Em ambas as promessas, ele não cumpriu," afirmou a UEFA. "Ele também deixou de usar o dinheiro das associações em benefício do futebol."
"Não pode acontecer de novo"
A UEFA afirmou que "não podemos continuar assim, com esquemas secretos e decisões apressadas", e que agora é hora das partes responsáveis se unirem.
"É correto que, nos próximos dias e semanas, a UEFA trabalhe com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que não se repita," disseram.

"Essa revisão deve ser completa e fundamental. Nenhuma opção deve ser descartada."
"Essa é uma vitória para todo o futebol. Mas não pode ser o fim da história," disse a UEFA. "A proposta caiu. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas começando."
Infantino era esperado como candidato único à reeleição para um terceiro e último mandato no próximo ano, mas esse episódio talvez tenha aberto espaço para o surgimento de um concorrente.
