"Vergonha mundial": Governo e técnico da Espanha criticam gritos racistas contra Egito

Parte da torcida espanhola fez feio novamente
Parte da torcida espanhola fez feio novamente ALEX CAPARROS / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

"Os insultos e os cânticos racistas nos envergonham como sociedade", declarou nesta quarta-feira (1) o ministro espanhol da Justiça, Félix Bolaños, um dia após o amistoso entre Espanha e Egito, disputado em Barcelona e marcado por cânticos ofensivos.

"Investigamos os cânticos islamofóbicos e xenófobos de ontem no RCDE Stadium", anunciou na rede social X a polícia regional catalã.

A partida desta terça, que terminou 0 a 0, teve vaias ao hino egípcio e gritos de "muçulmano é quem não pula" durante o primeiro tempo, entoados por parte dos 35.000 torcedores presentes.

"Sinto total e absoluta repulsa por qualquer atitude xenófoba, racista ou desrespeitosa. São intoleráveis", afirmou o técnico espanhol Luis de la Fuente na coletiva pós-jogo.

"Os violentos aproveitam o futebol para ter o seu espaço. É preciso afastá-los da sociedade, identificá-los e, quanto mais longe, melhor", acrescentou De la Fuente.

A capa do jornal espanhol AS desta quarta traz a manchete "Vergonha Mundial", citando a repercussão internacional de mais um incidente do gênero na Espanha.

Pelo sistema de som do estádio, as autoridades pediram que os torcedores evitassem os "cânticos ofensivos" no intervalo e no segundo tempo.

"A extrema direita não vai deixar nenhum espaço livre do seu ódio e os que se calam, hoje, serão cúmplices. Seguimos trabalhando por um país tolerante e respeitoso com todos", acrescentou o ministro da Justiça.

O presidente da Federação Espanhola, Rafael Louzán, qualificou o episódio como um "acidente isolado que não deve voltar a acontecer".

A Espanha será a sede da Copa do Mundo de 2030 ao lado de Portugal e Marrocos. O torneio também incluirá jogos na Argentina, Uruguai e Paraguai.