Recorde aqui as incidências do encontro
Se quer convencer alguém a gostar de futebol, não lhe mostre o início deste jogo. Pelo menos não por questões técnicas ou táticas. Sim, uma meia-final de um Mundial é um jogo especial, mas com tanto em jogo, não só pelo bilhete para a final, mas também por toda a história a envolver um Inglaterra-Argentina, houve muita emoção e a bola nem sempre foi bem tratada, apesar dos intervenientes.

Um Mundial em modo Libertadores
Tuchel e Scaloni reservaram surpresas para esta partida. Rogers foi titular em Inglaterra, enquanto Simeone jogou de início na albiceleste. As intenções estavam expostas no tabuleiro de xadrez de cada um dos técnicos, mas num balanço inicial ao que foi a primeira parte pode dizer-se que a Argentina levou vantagem clara. Não por ter sido melhor, mas porque levou o jogo para onde queria.
Os primeiros 30 minutos tiveram pouco para contar. A partida começou intensa, com faltas consecutivas e um árbitro a tentar gerir um jogo que já se esperava difícil. Era imperativo adiar os cartões ao máximo e só isso ajudou a explicar o perdão inicial a Leandro Paredes.

Os jogadores argentinos mordiam a língua, enquanto os ingleses procuravam encontrar os caminhos para a baliza de Dibu Martínez. Bellingham ia aparecendo a espaços e Kane procurava-os com as suas movimentações para junto dos médios, que se desdobraram numa missão de agressividade perante um miolo albiceleste que celebrava cada corte ou interceção.

A agressividade, a fazer lembrar a Copa Libertadores, quase nos distraiu do mais importante, o futebol. Messi tentou ter os seus momentos, mas mesmo quando ultrapassava três jogadores era travado em falta por um jogador inglês. Tuchel também sabia o que tinha de fazer para sobreviver a esta batalha.
Ao fim de 45 minutos, um remate de Enzo Fernández, que sobrevoou por pouco a baliza de Pickford, era o único highlight propriamente futebolístico para as televisões, mas a emoção colocada dentro de campo fazia, pelo menos, antever uma segunda parte dramática.
Sofrimento para chegar à final
A final estava ali perto, mas ingleses e argentinos sabiam que precisavam de mais do que intensidade para lá chegar, embora continuasse a ser essa a ideia da equipa de Scaloni no início da segunda parte.

Julián Alvarez (47'), em esforço, obrigou Pickford a intervir pela primeira vez na partida, mas do lado inglês não houve margem para Martínez. Kane recuou para iniciar a jogada, Declan Rice, mais subido, ganhou a segunda volta e o cruzamento perfeito de Rogers foi finalizado por Anthony Gordon (55'), que se antecipou a Molina e apareceu de forma decisiva depois de ter passado ao lado da partida.
O golo inaugural obrigou a Argentina a procurar outro jogo. Messi assumiu a batuta e passou a distribuir passes tão perigosos que assustaram a defesa inglesa. Depois de fazerem o 1-0, os Três Leões fecharam-se na jaula, confiaram na defesa - corte espetacular de Djed Spence (58') e defesa brutal de Pickford (69') - e nos deuses, que desviaram o cabeceamento de Alexis Mac Allister (76') para o poste, para chegarem à final.
Se as intenções inglesas ainda geravam dúvida, o número de defesas (6) britânicos em campo deixava o objetivo de Tuchel bem claro: Inglaterra quis sobreviver, mas até o seu amigo, o tal que não gosta de futebol, sabe como funciona esse guião. Com a linha tão baixa e tanta gente na área, Enzo Fernández (85'), que tinha ameaçado instantes antes, rematou de fora da área e trouxe a justiça, e o tal drama, a esta meia-final, mas a história não podia acabar aqui.
Bellingham, que tinha dado uma resposta a Tuchel depois dos quartos de final com a Noruega, tentava fazer Inglaterra voltar ao jogo, mas as peças já estavam trocadas. A Argentina não esperou pelo prolongamento e, tal como tem feito neste Mundial, conseguiu o apuramento com sofrimento. Messi, como sempre mas de pé direito, encontrou Lautaro (90+2') ao segundo poste e El Toro recolocou o campeão mundial na final com um golpe de cabeça.
Esqueça o que dissemos no início desta crónica: o futebol é lindo quando o queremos jogar. Inglaterra e Tuchel, especialmente, ficam pelo caminho porque deixaram de o querer fazer a certa altura. Agora, vão disputar o terceiro lugar com a França. It's NOT coming home!

Homem do jogo Flashscore: Lionel Messi (Argentina)
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