Recorde as incidências da partida

Espanha e Portugal reencontraram-se nos oitavos de final do Mundial-2026 para renovar uma rivalidade antiga, desta vez com um lugar entre os oito melhores em disputa. Num duelo entre dois candidatos ao título, houve equilíbrio, intensidade e oportunidades para ambos os lados, mas acabou por ser Mikel Merino, já nos descontos, a decidir a eliminatória a favor da seleção espanhola.
A Espanha entrou mais forte, com uma pressão alta que dificultou a saída portuguesa. Logo aos três minutos, Oyarzabal obrigou Diogo Costa a intervir e, pouco depois, voltou a surgir em posição privilegiada, mas atirou ao lado. Portugal respondeu com uma boa incursão ofensiva, iniciada por Nuno Mendes e concluída por João Cancelo, antes de Cristiano Ronaldo testar Unai Simón após um passe de Bruno Fernandes.
Diogo Costa começou então a assumir protagonismo. Aos 16 minutos, negou primeiro o golo a Lamine Yamal e respondeu depois com uma defesa enorme a um remate cruzado de Álex Baena. Aos 31', voltou a mostrar segurança perante um cruzamento traiçoeiro de Pedri, antes de Dani Olmo falhar a recarga.
Portugal não se limitava, porém, a resistir. Pedro Neto cruzou para João Félix cabecear para defesa de Unai Simón e Cristiano Ronaldo ainda tentou a emenda, novamente travada pelo guarda-redes espanhol. A equipa das quinas conseguia acelerar sempre que ultrapassava a primeira linha de pressão e mostrava capacidade para explorar o espaço deixado nas costas dos laterais espanhóis.
A melhor oportunidade portuguesa da primeira parte surgiu aos 41 minutos. Nuno Mendes disparou forte, a bola desviou em Pedro Porro e embateu na barra. A Espanha teve mais posse e maior capacidade para se instalar no meio-campo adversário, mas Portugal respondeu com personalidade, criou perigo e deixou alguns dos melhores momentos do encontro nos duelos entre João Félix e Pedro Porro, de um lado, e Nuno Mendes e Lamine Yamal, do outro.

Descontos fatais
A segunda parte trouxe um problema sério para Portugal. Aos 55 minutos, depois de mais uma disputa intensa com Yamal, Nuno Mendes acusou problemas físicos e teve de ser substituído. A saída do lateral retirou profundidade, velocidade e capacidade de contenção à equipa portuguesa, precisamente no corredor onde a Espanha mais procurava desequilibrar.
Com o passar dos minutos, a seleção espanhola foi assumindo maior controlo e obrigando Portugal a esforços defensivos redobrados. Pedri rematou por cima, Yamal obrigou Diogo Costa a nova defesa num livre e a equipa de Roberto Martínez começou a passar mais tempo junto da própria área. Ainda assim, Bruno Fernandes respondeu aos 75 minutos, com um remate à parte exterior da baliza de Unai Simón, num dos poucos momentos em que Portugal voltou a ameaçar na fase final.
O jogo caminhava para o prolongamento, numa altura em que o desgaste já se fazia sentir dos dois lados. Portugal resistia apoiado num Diogo Costa seguro e numa linha defensiva que, apesar da pressão, ia afastando o perigo. A Espanha tinha mais bola, mas continuava sem encontrar o passe capaz de desmontar por completo a organização portuguesa.
Encontrou-o aos 90+1'. Ferran Torres, lançado por Luis de la Fuente, recebeu com espaço e executou um passe soberbo entre os defensores portugueses. Mikel Merino, também saído do banco, apareceu no momento certo e bateu Diogo Costa. Um golo com mão do selecionador espanhol, construído por dois suplentes e marcado quando Portugal já quase conseguia empurrar a decisão para mais 30 minutos.

Sem tempo nem forças para uma verdadeira reação, Portugal viu terminar ali a caminhada no Mundial, não sem antes ter uma oportunidade soberba na cabeça de Bernardo Silva a escassos segundos do apito final.
Contas feitas, a equipa das quinas discutiu o jogo, criou oportunidades e teve momentos em que poderia ter colocado a Espanha em desvantagem, mas acabou castigada por um detalhe tardio. Num encontro desta dimensão, foi a eficácia no instante decisivo a separar as duas seleções.
Roberto Martínez, assumido apreciador da numerologia, tinha exaltado o número 6 como um elemento importante para a seleção nacional. O futebol respondeu com ironia. Portugal caiu nos descontos perante um golo de Mikel Merino, precisamente o camisola 6 de Espanha. Num clássico decidido nos detalhes, o número escolhido para inspirar acabou por ser aquele que ditou a eliminação.
Melhor em campo Flashscore: Rodri (Espanha)

