Ferrari busca fim de jejum na F1 2026 com novo carro e DNA de Hamilton

Hamilton vai voltar aos pódios em 2026?
Hamilton vai voltar aos pódios em 2026?Reuters

Às vésperas de uma temporada de Fórmula 1 marcada por uma mudança radical no regulamento, a tradicional Ferrari, que não conquista um título mundial desde 2008, demonstra uma mistura de serenidade e cautela, com a esperança de voltar ao topo da principal categoria do automobilismo.

Após os testes de pré-temporada no Bahrein no fim de fevereiro, nem seus dois pilotos, Lewis Hamilton e Charles Leclerc, nem o chefe Frédéric Vasseur, se empolgaram com o novo carro, cujo motor, chassi e aerodinâmica foram remodelados conforme exige o novo regulamento técnico.

"As condições nos testes nunca são realmente representativas e Melbourne será a primeira oportunidade real de medir nossa competitividade diante dos nossos rivais", explicou Vasseur em comunicado da Ferrari antes do Grande Prêmio de abertura da Austrália neste fim de semana.

"Ainda existem muitas incógnitas e estamos encarando este fim de semana com foco e humildade", acrescentou o engenheiro francês.

Dirigentes da Ferrari no Bahrein admitiram que a Scuderia vai esperar três ou quatro corridas antes de confirmar as boas expectativas.

Mas diante da imprensa no circuito de Sakhir, Hamilton apareceu bem tranquilo, mostrando com um largo sorriso seu "entusiasmo" e a impressão de que o time italiano está "com vontade" de voltar a vencer.

O "DNA" de Hamilton

Hamilton afirma que "tem um pouco de seu DNA" no novo carro SF-26, "com o qual se sente muito mais à vontade" do que em 2025, durante sua primeira temporada desastrosa com a Ferrari, quando o heptacampeão mundial não conseguiu nenhum pódio.

Com seu jeito calmo e fala elegante, o britânico de 41 anos evitou falar sobre a busca pelo oitavo título, o que o deixaria como o piloto mais vitorioso da história. Seu companheiro Leclerc também aparece entre os favoritos depois de ter sido um dos destaques no Bahrein, registrando o melhor tempo, pouco abaixo de um minuto e 32 segundos.

O monegasco, idolatrado no Principado e que se casou neste fim de semana com a influenciadora e modelo de 23 anos Alexandra Saint Mleux, também evitou fazer alarde sobre a disputa pelos títulos.

"Todo mundo está escondendo o jogo", repetiu aos jornalistas, fazendo referência a esse jogo de pôquer que são os testes e os comentários do paddock durante a pré-temporada da F1. Na verdade, foram as três equipes rivais — Mercedes, Red Bull e McLaren — que multiplicaram os elogios à Ferrari.

"Os caras de vermelho"

"Estamos entre os quatro primeiros. Não estamos na frente, mas a temporada vai ser longa. Os caras de vermelho e os de cinza prateado são muito fortes", disse o chefe da McLaren (time campeão em 2025),  Zak Brown, em uma coletiva no Bahrein, fazendo referência às cores de Ferrari e Mercedes, respectivamente.

O jovem prodígio italiano da Mercedes, Andrea Kimi Antonelli, de 19 anos, afirmou que "a Ferrari está muito competitiva", enquanto o francês Isack Hadjar, de 21 anos, que encara sua segunda temporada na F1 e a primeira com a Red Bull, disse que Leclerc será o homem a ser batido.

A Ferrari faz parte da história da F1. Fundada por Enzo Ferrari, está presente desde o primeiro Mundial em 1950 e nunca ficou de fora de um campeonato, tendo vivido vitórias, crises, fracassos e renascimentos. Nessas mais de sete décadas, a Scuderia conquistou 16 títulos mundiais de construtores e 15 de pilotos, com destaque para os sete do alemão Michael Schumacher.

Pela Scuderia passaram outros nomes lendários do esporte, como o argentino Juan Manuel Fangio, o austríaco Niki Lauda e o finlandês Kimi Räikkönen, o último a conquistar o título de pilotos vestindo vermelho (em 2007).

Segundo a Ferrari, seus pilotos já disputaram 1.122 Grandes Prêmios, alcançando 248 vitórias e 836 pódios em três quartos de século.