Desde que saiu do circuito de rua de Adelaide para Melbourne em 1996, o Grande Prêmio da Austrália passou a ser a tradicional corrida de abertura da Fórmula 1, com exceção das cinco temporadas entre 2020 e 2024.
Adelaide era, na verdade, a última prova da temporada. Melbourne mudou tudo. Mas o que torna esse circuito tão especial? E quais pilotos dominaram historicamente em Melbourne?
A história do Albert Park
O traçado é construído ao redor do Lago Albert Park e utiliza trechos de ruas comuns, que se transformam em um circuito rápido e amigável para os pilotos, com 5,278 quilômetros (3,28 milhas) e 14 curvas no total.
Mesmo antes de 1996, Albert Park já era palco do Grande Prêmio da Austrália não-oficial na categoria Tasman Formula. O circuito recebeu o GP da Austrália em 1953 e 1956, com Doug Whiteford, de Melbourne, e o ícone britânico Stirling Moss vencendo essas edições.

Após 11 anos em Adelaide, o Grande Prêmio da Austrália de Fórmula 1 oficial foi transferido para Melbourne em 1996. O lendário piloto da Williams, Damon Hill, que venceu a última corrida em Adelaide, conquistou duas vitórias seguidas na Austrália ao ganhar o primeiro GP de Albert Park em 1996, ano em que levou seu único título mundial de pilotos.
O circuito logo virou uma segunda casa para a poderosa Ferrari, com Eddie Irvine e Michael Schumacher vencendo cinco dos seis GPs da Austrália entre 1999 e 2004. A escuderia italiana chegou a 9 vitórias no GP da Austrália em Albert Park, liderando o ranking à frente da McLaren (7), Mercedes (4), Renault e Red Bull (ambas com 2).
Desde 1996, Albert Park não foi palco da abertura da temporada em sete ocasiões. O GP da Austrália foi movido para a terceira e segunda etapas em 2006 e 2010 por causa dos Jogos da Commonwealth, enquanto a pandemia de COVID-19 fez com que a corrida não fosse realizada em 2020 e 2021. De 2022 a 2024, o GP da Austrália foi a terceira prova do calendário da F1.
A anatomia do GP da Austrália
Os pilotos em Albert Park começam com uma reta curta que leva a uma rápida combinação de curvas à esquerda e à direita, antecedendo a segunda reta. Um mini-setor de três curvas rápidas desemboca em uma reta menor até a curva 6, uma curva à direita bem fechada que abre o segundo setor, levando os pilotos à longa reta traseira sinuosa.
O circuito passou por mudanças antes do GP da Austrália de 2022 no terceiro e último setor, com as curvas 9 e 10, que eram uma combinação lenta de direita e esquerda, se tornando uma sequência de curvas rápidas à esquerda e à direita no fim de uma reta curva. As alterações deixaram o circuito cerca de 5 segundos mais rápido.
Depois de mais uma reta curta, o terceiro setor chega à parte técnica do traçado, começando com uma curva à direita bem fechada (T11) e terminando com uma combinação rápida de três curvas que leva à linha de chegada.
Schumacher é o rei de Albert Park
Damon Hill inaugurou a era de Albert Park com uma vitória em 1996, que acabou sendo a única vitória da Williams no circuito em toda sua história.
Depois de uma dobradinha da McLaren em 1997 e 1998, com David Coulthard e Mika Häkkinen, a Ferrari dominou a Austrália com quatro vitórias seguidas – Michael Schumacher venceu todas as edições entre 2000 e 2002. David Coulthard, da McLaren, quebrou a sequência de Schumacher ao vencer em 2003, mas o alemão voltou ao topo em 2004, quando sua poderosa Ferrari F2004 estabeleceu o recorde de volta da corrida com o tempo de 1:24.125 – marca que durou até 2022.

Pilotos da Renault, Giancarlo Fisichella e Fernando Alonso conquistaram vitórias consecutivas para a equipe francesa em 2005 e 2006 – as últimas antes de três países dominarem Melbourne. Kimi Räikkönen, da Ferrari, venceu em 2007, e depois Lewis Hamilton (2), Jenson Button (3), Sebastian Vettel (3), Nico Rosberg (2) e Valtteri Bottas fizeram com que todos os vencedores entre 2008 e 2019 fossem britânicos, alemães ou finlandeses.
Após a pandemia de COVID-19, Charles Leclerc, Max Verstappen, Carlos Sainz e Lando Norris venceram a prova, tornando Sebastian Vettel (2017 e 2018) o último piloto a conquistar vitórias consecutivas no GP da Austrália.
No geral, ninguém conseguiu igualar o recorde de quatro vitórias de Michael Schumacher em Melbourne, fazendo do heptacampeão mundial o rei de Albert Park.
A maldição australiana de Albert Park
Apesar de a Austrália estar bem representada na história recente da Fórmula 1 – pense em Daniel Ricciardo, Mark Webber e Oscar Piastri – nenhum australiano jamais venceu o Grande Prêmio da Austrália em Albert Park. E pior: nenhum australiano conseguiu subir ao pódio em Melbourne, com Ricciardo, Webber e Piastri nunca terminando acima do quarto lugar.
Ricciardo e Piastri chegaram muito perto de conquistar um pódio duas vezes, mas o país ficou com o coração partido em 2014 e 2025.
Daniel Ricciardo chegou a ser o primeiro australiano a subir ao pódio no GP da Austrália, mas foi desclassificado após a celebração por uma irregularidade no fluxo de combustível de seu Red Bull.
Já em 2025, Oscar Piastri parecia pronto para acabar com o sofrimento do país e quebrar a maldição de Albert Park. A McLaren estava dominando em Melbourne, com o herói local Oscar Piastri mantendo-se firme em segundo lugar. Mas a chuva custou caro para Piastri, que rodou faltando 13 voltas e caiu de segundo para nono, encerrando suas chances de pódio.
O recorde de volta mais rápida do GP da Austrália
Michael Schumacher reinou absoluto em Melbourne e continuou sendo referência mesmo após sua aposentadoria em 2012. Sua volta mais rápida em 2004 – um tempo impressionante de 1:24.125 – permaneceu como recorde do Circuito de Albert Park até 2022, quando Charles Leclerc, da Ferrari, destruiu a marca com 1:20.260, principalmente graças às mudanças no traçado.
O recorde foi quebrado nos dois anos seguintes, com Sergio Pérez (1:20.235 em 2023) e Leclerc (1:19.813 em 2024), sendo este último o tempo mais rápido já registrado em Albert Park.
Porém, como em todas as corridas modernas, a volta mais rápida de verdade foi feita na sessão de classificação em Albert Park. O atual campeão mundial de Fórmula 1, Lando Norris, detém o recorde absoluto de volta em Melbourne, com o tempo de pole position em 2025 de 1:15.096, superando por pouco Oscar Piastri (1:15.180).
Todos os vencedores do GP da Austrália em Albert Park
1996 – Damon Hill (GBR), Williams-Renault
1997 – David Coulthard (GBR), McLaren-Mercedes
1998 – Mika Häkkinen (FIN), McLaren-Mercedes
1999 – Eddie Irvine (GBR), Ferrari
2000 – Michael Schumacher (ALE), Ferrari
2001 – Michael Schumacher (ALE), Ferrari
2002 – Michael Schumacher (ALE), Ferrari
2003 – David Coulthard (GBR), McLaren-Mercedes
2004 – Michael Schumacher (ALE), Ferrari
2005 – Giancarlo Fisichella (ITA), Renault
2006 – Fernando Alonso (ESP), Renault
2007 – Kimi Räikkönen (FIN), Ferrari
2008 – Lewis Hamilton (GBR), McLaren-Mercedes
2009 – Jenson Button (GBR), Brawn-Mercedes
2010 – Jenson Button (GBR), McLaren-Mercedes
2011 – Sebastian Vettel (ALE), Red Bull-Renault
2012 – Jenson Button (GBR), McLaren-Mercedes
2013 – Kimi Räikkönen (FIN), Lotus-Renault
2014 – Nico Rosberg (ALE), Mercedes
2015 – Lewis Hamilton (GBR), Mercedes
2016 – Nico Rosberg (ALE), Mercedes
2017 – Sebastian Vettel (ALE), Ferrari

2018 – Sebastian Vettel (ALE), Ferrari
2019 – Valtteri Bottas (FIN), Mercedes
2022 – Charles Leclerc (MON), Ferrari
2023 – Max Verstappen (HOL), Red Bull-Honda
2024 – Carlos Sainz Jr. (ESP), Ferrari
2025 – Lando Norris (GBR), McLaren-Mercedes
