A cidade que não dorme já estava em estado de transe. Na mesma Nova York que respira o clima do Mundial e viu o empate entre Brasil e Marrocos do outro lado do rio Hudson, o basquete decidiu cobrar o seu protagonismo.
Veja como foi San Antonio Spurs 90 x 94 New York Knicks
Após um jejum de longos 53 anos, o New York Knicks sagrou-se campeão da NBA. Uma conquista histórica, aguardada por gerações, que pintou as ruas de laranja e azul logo nas primeiras horas da madrugada. Mas a festa, infelizmente, não demorou a flertar com o perigo.
O prenúncio do caos
Assim que o jogo acabou em San Antonio, os primeiros relatos da imprensa local já indicavam que a imensa aglomeração na Times Square testava os limites do controle urbano. Com o decorrer da histeria coletiva e aquele clima anárquico, um ônibus escolar começou a ser depredado.
A prefeitura e as forças de segurança nova-iorquinas já temiam o pior: a fusão explosiva entre a massa de fãs da NBA e o fluxo massivo de turistas e torcedores da Copa do Mundo criou um enorme gargalo humano.
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Tiros no coração de Nova York
Por volta das 2h, vivenciei de perto o momento em que a celebração descambou para o crítico. Acompanhado de um amigo, também jornalista, tentávamos cruzar a região de carro. O trânsito, pesado e travado, já refletia a tensão das ruas. Foi quando o som que ninguém quer ouvir em solo americano ecoou pelo concreto: disparos de arma de fogo.
Não houve um tiroteio, mas sim tiros isolados vindos de uma suposta discussão. O suficiente para o pânico se instalar. De dentro do veículo parado, assistimos à transformação instantânea da euforia em desespero.
A correria foi generalizada. Pessoas gritavam, buscavam abrigo e, na tentativa cega de fugir da linha de fogo, batiam-se contra o nosso carro e os veículos ao redor. Ver de perto a histeria coletiva provocada por disparos remete, inevitavelmente, a uma ferida social crônica e muito peculiar dos Estados Unidos: o debate infindável sobre o porte de armas.

Segundo informações posteriores da polícia de Nova York (NYPD), três pessoas foram detidas perto da Rua 39, e uma arma de fogo foi apreendida. A confusão, que envolveu uma briga, terminou com um adolescente atingido na pé esquerdo no cruzamento da Rua 42 com a Broadway. Ele foi socorrido sem risco de vida. O susto, porém, ficou marcado na retina de quem estava ali.

Nova York sitiada pelas forças de segurança
A reação do NYPD foi imediata e impressionante pelo volume. Em questão de minutos, um contingente massivo de viaturas e agentes tentava rasgar a multidão para acessar o epicentro do tumulto.
Para escoar o fluxo humano e veicular da Times Square, as regras de trânsito foram temporariamente suspensas: conversões à esquerda antes proibidas foram totalmente liberadas pelos oficiais na tentativa de esvaziar a área e evitar uma tragédia ainda maior.

A festa e o caos
O que deveria ser a crônica de uma noite perfeita de celebração esportiva terminou como um lembrete amargo sobre os desafios de segurança pública em eventos dessa magnitude. A aglomeração extrema em um curto espaço de tempo é o maior pesadelo das autoridades locais.
E esta foi apenas a primeira grande jornada em Nova York. Nos próximos dias, novas torcidas de diferentes partes do globo vão invadir a cidade, elevando ainda mais a temperatura do Mundial.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.
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