O Bahia Feminino vive uma das temporadas mais importantes de sua história. Depois de alcançar pela primeira vez a semifinal do Campeonato Brasileiro A1, o Tricolor voltou a figurar entre os quatro melhores da Copa do Brasil e agora se prepara para mais um desafio de peso: enfrentar o Flamengo na disputa por uma vaga na decisão. À frente desse projeto está Felipe Freitas, treinador que acompanha de perto a evolução das Mulheres de Aço e acredita que os resultados são consequência de um trabalho construído com planejamento, confiança e desenvolvimento coletivo.
Veja a tabela completa da Copa do Brasil Feminina
Em entrevista a Elaine Trevisan e Fran Alberto, Felipe falou sobre a preparação para o confronto com a equipe carioca, os desafios de manter o nível de competitividade ao longo da temporada e a importância de fortalecer as atletas dentro e fora de campo. O treinador também destacou a necessidade de valorizar as mulheres no futebol, trabalhando diariamente com afirmações positivas, incentivo e reconhecimento para que cada jogadora tenha consciência do próprio potencial.
Flamengo exige atenção e experiência
Do outro lado da semifinal estará um adversário que reúne atletas experientes e acostumadas a grandes competições. Felipe ressaltou a qualidade do elenco rubro-negro e citou nomes como Cristiane, Ju Ferreira e Jucinara, referências que aumentam o grau de dificuldade do confronto.
A preparação do Bahia passa pelo estudo das características do Flamengo, mas também pela confiança no próprio modelo de jogo. A ideia é respeitar a qualidade individual das adversárias sem abrir mão da identidade construída pela equipe ao longo da temporada. Em uma disputa eliminatória, a concentração, a intensidade e a capacidade de competir nos momentos decisivos podem fazer a diferença.
O primeiro encontro será disputado na Arena Fonte Nova, em Salvador, no dia 3 de novembro. A partida de volta está marcada para o dia 7, no estádio Luso Brasileiro, no Rio de Janeiro. Quem avançar enfrentará Internacional ou Red Bull Bragantino na decisão.
Uma temporada que entrou para a história
Os resultados de 2026 ajudam a dimensionar o crescimento do Bahia. No Campeonato Brasileiro Feminino A1, as Mulheres de Aço alcançaram uma semifinal inédita, tornando-se a primeira equipe nordestina a chegar entre as quatro melhores da competição. A classificação veio depois de eliminar o Palmeiras nas quartas de final, em uma disputa decidida nos pênaltis, após dois empates por 1 a 1.
O Tricolor encerrou sua participação no Brasileiro na quarta colocação, com oito vitórias, oito empates e cinco derrotas em 21 partidas. Foram 32 gols marcados e 21 sofridos. Mais do que a posição final, a campanha confirmou a capacidade da equipe de competir em alto nível diante das principais forças do futebol nacional.
Na Copa do Brasil, o Bahia também mostrou força. Depois de superar Planalto-GO e Itabirito, a equipe eliminou o São Paulo nas quartas de final, vencendo os dois confrontos: 2 a 1 na partida de ida e 1 a 0 na volta, com gol de Cássia. A classificação garantiu ao clube a segunda semifinal consecutiva na competição.

O desempenho estadual também faz parte desse processo. No Campeonato Baiano, as Mulheres de Aço chegaram à final depois de superar o Jacobina na semifinal. Mesmo com a derrota por 2 a 1 no jogo de volta, a vantagem construída na goleada por 4 a 1 na primeira partida assegurou a classificação. O próximo desafio será a decisão contra o Vitória, em mais um Ba-Vi que movimenta o futebol feminino do estado.
Para Felipe, a sequência de competições exige um planejamento cuidadoso. O Campeonato Baiano, nesse contexto, também foi utilizado como oportunidade para manter o elenco em atividade, preservar o ritmo de jogo e ampliar a capacidade física das atletas. A intenção foi aproveitar a sequência de partidas para seguir desenvolvendo a intensidade da equipe, sem perder de vista os objetivos nas competições nacionais.

Valorizar mulheres também faz parte do trabalho
A evolução do Bahia não está restrita aos resultados. Durante a conversa, Felipe deu atenção especial à maneira como enxerga a formação e o fortalecimento das jogadoras. Para o treinador, valorizar a mulher no futebol passa também pela forma como elas são tratadas diariamente, pela confiança transmitida e pelo espaço que recebem para acreditar no próprio trabalho.
As afirmações positivas e o incentivo fazem parte dessa construção. Mais do que cobrar desempenho, o treinador procura reforçar as qualidades das atletas, reconhecer suas capacidades e criar um ambiente no qual elas se sintam preparadas para assumir responsabilidades. É uma maneira de empoderar o elenco e fortalecer a relação das jogadoras com o esporte e com os próprios objetivos.
A proposta acompanha a filosofia de um projeto que não foi construído de uma hora para outra. O Bahia cresceu passo a passo, com ajustes na formação do elenco, amadurecimento coletivo e evolução competitiva. A cada temporada, as Mulheres de Aço ampliaram suas possibilidades e passaram a disputar fases mais avançadas dos principais torneios do país.
Da várzea ao protagonismo no futebol feminino
A trajetória de Felipe Freitas também ajuda a explicar a identificação com processos de desenvolvimento. Antes de chegar ao cenário nacional do futebol feminino, o treinador passou por experiências que começaram longe dos grandes centros de visibilidade. Em sua conversa, relembrou o início da caminhada à frente de uma equipe de várzea em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, uma etapa que fez parte de sua formação e abriu caminho para novas oportunidades.
O percurso profissional avançou pelo futebol de base, com passagem pelo União Suzano e pelo Santos. No clube paulista, conquistou o Campeonato Paulista Sub-17, em 2020, e chegou à semifinal do Campeonato Brasileiro Sub-18, em 2021. Em 2022, assumiu o comando da equipe profissional feminina do Cruzeiro, conduzindo a Raposa a uma classificação inédita às quartas de final do Campeonato Brasileiro.
Depois, trabalhou no Flamengo, à frente da equipe feminina sub-20, até receber o convite para comandar o Bahia, em agosto de 2024. Desde então, seu trabalho ganhou dimensão nacional, com conquistas estaduais e campanhas expressivas nas competições brasileiras.
A chegada ao Tricolor representou mais uma etapa de crescimento. Em 2024, participou da conquista do pentacampeonato baiano. Na temporada seguinte, esteve à frente da campanha que levou o Bahia às quartas de final do Brasileiro A1 e à semifinal da Copa do Brasil. Em 2026, o trabalho alcançou um novo patamar, com a inédita semifinal do Brasileiro e a possibilidade de disputar mais uma decisão nacional.
De treinador que começou sua caminhada em campos de várzea a um dos nomes em evidência na temporada do futebol feminino brasileiro, Felipe Freitas construiu sua trajetória acompanhando a evolução da modalidade. No Bahia, encontrou um projeto em desenvolvimento e ajudou a transformá-lo em uma equipe capaz de desafiar adversários tradicionais.
Agora, diante do Flamengo, as Mulheres de Aço têm a oportunidade de dar mais um passo nessa história. A classificação para a final seria mais um capítulo de uma temporada marcante, mas, independentemente do resultado, o Bahia já demonstra que o crescimento do futebol feminino passa por trabalho contínuo, valorização das atletas e confiança no potencial de quem constrói o jogo dentro de campo.
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