Os ingleses, em maior número, alternavam os tradicionais gritos de “England” e o “God Save the King”, enquanto os noruegueses respondiam com seu espetáculo ritmado — da simbólica remada às palmas marcadas em uma só nota.
Não havia pressão do lado nórdico. A chegada às quartas de final já representava um momento histórico, daqueles que os milhares de fanáticos noruegueses, que literalmente tomaram as ruas americanas, jamais esquecerão. O jogo deste sábado marcou a última remada da Noruega em um baile que ela soube dançar como poucos.
Veja os detalhes de Noruega 1 x 2 Inglaterra
A Inglaterra que o diga. Suor. Muito suor. Depois de uma verdadeira batalha no Azteca, os Três Leões se viram contra a parede, obrigados a buscar o resultado em uma partida de nervos à flor da pele e coração na ponta da chuteira. O gol fortuito de Schjelderup, após uma falha clamorosa de Pickford, permitiu aos noruegueses sonhar. E, neste Mundial, sempre esteve permitido aos nórdicos acreditar no impossível, inclusive quando eliminaram o Brasil e decretaram o fim da jornada verde-amarela.
Mas o grito inglês nas arquibancadas ganhou força ao som dos Beatles, na já tradicional apropriação de “Hey Jude”. O passe de Gordon e a finalização precisa de Bellingham devolveram a igualdade ao placar. Era o dia do camisa 10, o artilheiro embalado pela própria torcida, que voltaria ao centro da cena na prorrogação de um duelo extremamente equilibrado e que fez a tensão aumentar a cada minuto daquele fim de tarde escaldante em Miami.
Os noruegueses tinham motivos para reclamar: da bola que bateu na spider cam antes do primeiro gol inglês à anulação do gol de Heggem após uma falta bastante contestada de Haaland dentro da área.
Ainda assim, o orgulho da Noruega permaneceu intacto. A história já estava escrita, e esta Copa também foi deles. Mas o destino reservava o sábado para os criadores do futebol.
Logo no início da prorrogação, a pancada de Rogers tornou-se indefensável para Nyland. Logo ele? O herói da classificação contra o Brasil bateu roupa nos pés de Bellingham, e, mais uma vez, “Hey Jude” tomou conta do Hard Rock Stadium. O camisa 10 não desperdiçou a oportunidade e deu ao torcedor inglês motivos de sobra para sorrir novamente.
Artilheiro sumido
Do outro lado, Haaland já se arrastava em campo desde o segundo tempo, sem conseguir castigar a defesa inglesa. Ainda assim, sua simples presença física era uma ameaça permanente. Quando o técnico norueguês finalmente o substituiu, já na etapa final da prorrogação, o setor inglês das arquibancadas explodiu em um misto de alívio e celebração: a maior ameaça nórdica estava, enfim, fora de combate.
Foi uma festa iluminada até pelo sorriso de Beckham nos telões, sem que nem mesmo a presença de Mick Jagger fosse capaz de alimentar qualquer superstição. O azar passou longe da Flórida e, ao som de “Wonderwall”, a Inglaterra celebrou uma classificação histórica.
Pela primeira vez desde a Copa da Rússia, em 2018, os Três Leões estão de volta a uma semifinal de Mundial. O fantasma da dolorosa eliminação para a Croácia, também na prorrogação, começa a ficar para trás. E, quando o árbitro encerrou a partida, a batalha de cânticos terminou da maneira mais inglesa possível: milhares de vozes tomaram o Hard Rock Stadium entoando “Football’s Coming Home”. Mais do que uma música, o tradicional hino da torcida traduzia a sensação de que, desta vez, o futebol pode, enfim, voltar para casa.
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