"A essa altura, o Ronaldinho está ditando a tendência”, declara o brasileiro com sua inconfundível mistura de orgulho e ironia. “Vejo que, depois de mim, agora todo mundo quer produzir vinho. E todos se inspiraram em mim, fui um pioneiro."
O projeto foi iniciado há mais de 10 anos pelo diretor esportivo Fabio Cordella, que também é produtor de vinhos. Cordella criou a série "Vinho dos Campeões" que também conta com Roberto Carlos, Buffon, John Terry, Cafu, Materazzi e outros. São 20 craques já aposentados que assinam garrafas da vinícola de Cordello na Puglia, sul da Itália.
A superestrela do "dream team" de Cordella só pode ser Ronaldinho: “A verdade é que o melhor vinho continua sendo o dele”, afirma o italiano.
“Podemos produzir e promover vinho porque somos lendas”, explica Ronaldinho. “Quando a carreira esportiva chega ao fim, na vida cotidiana, não há problema algum em emprestar a própria imagem para promover um produto alcoólico”, continuou o ex-camisa 10 da Seleção, cujo vinho chama-se "R One".
No entanto, ele alertou sobre os riscos da prática para quem ainda está na ativa: “Durante a carreira competitiva, a situação é diferente; uma criança de dez, doze ou quinze anos não consegue separar a importância da imagem do seu ídolo do produto. Eu esperei até parar de jogar, porque um jogador de futebol que ainda está em atividade não é um bom exemplo para os jovens se começar a promover vinho, vodca ou outras bebidas alcoólicas.”

O projeto não envolve apenas usar a imagem dos ex-jogadores. "Todos que entraram no projeto estiveram na adega com a gente", explica Cordella. "Cada um tem sua própria variedade de uva, seus próprios rótulos e escolheu pessoalmente seu vinho."
Ronaldinho passou mais de uma semana na adega, escolhendo cuidadosamente os barris para seu vinho. Eden Hazard se envolveu de verdade, ficando três dias inteiros na propriedade e ainda voltou em outras duas ocasiões. Amauri e Sebastien Frey moraram na vinícola por 15 dias, bem no auge da pandemia de Covid, participando ativamente da colheita das uvas.
Outras parcerias entre ex-atletas e produtores de vinho não tiveram o mesmo sucesso.
Basta lembrar dos casos de superastros como Lionel Messi ou o "Imperador" Adriano. Os empresários que se envolveram com ambos acabaram no centro de investigações pesadas: condenações de cinco anos por falência fraudulenta com desvio de milhões, ou, pior ainda, envolvimento em grandes operações antidrogas (como a Operação Bogotá) por tráfico internacional de drogas entre Colômbia e Itália.
No caso do mundo dos vinhos, para fazer um bom produto, não basta colocar o rosto, é preciso colocar a mão na massa também.
E, como diz Ronaldinho, depois do apito final, existe uma vida inteira para se viver.
