Com a autoridade de quem vestiu camisas pesadas como as de Real Madrid e Inter de Milão, "Bam Bam" Zamorano analisou o atual cenário do futebol sul-americano, o momento da Seleção Brasileira sob o comando de Carlo Ancelotti, a joia Endrick e relembrou a clássica história da mítica camisa "1+8" que dividiu com Ronaldo Fenômeno.
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Além disso, o ex-jogador disparou críticas à desorganização na formação de atletas no Chile e avaliou o aspecto estritamente comercial deste Mundial sediado em três países.
Confira a entrevista na íntegra:
Futebol sul-americano e o domínio Brasileiro
Flashscore: Como você está vendo a atuação e o momento das seleções sul-americanas nesta Copa do Mundo?
Zamorano: Tem sido, antes de tudo, uma campanha regular. O Paraguai e o Equador perderam na estreia, mas os paraguaios se recuperaram no segundo jogo, enquanto o Uruguai buscou o empate no último instante do primeiro confronto. O Brasil não foi o time que todos esperavam na estreia, mas na sequência se mostrou uma equipe contundente. Digamos que a melhor seleção sul-americana até o momento é a Argentina. Messi, de alguma maneira, liderou sua equipe logo no primeiro jogo, marcando três gols e representando tudo o que os argentinos querem ser neste Mundial.

Flashscore: Queria sua opinião a respeito do poderio dos clubes brasileiros, especialmente diante do abismo financeiro atual que existe no futebol sul-americano? Qual o efeito colateral desta relação?
Iván Zamorano: Os clubes brasileiros hoje têm poder econômico, investem muito dinheiro. Times chilenos, peruanos, argentinos e colombianos não podem competir com os clubes do Brasil em termos de investimento. E é por isso que o Brasil, nas últimas Copas Libertadores e Copas Sul-Americanas — se bem que alguns argentinos ganharam —, sempre vai vencer esse tipo de competição. Pelo investimento que fazem, sem dúvida alguma eles vão ganhar. Isso acaba se refletindo também no nível e na estrutura que eles conseguem dar ao futebol do país.

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Seleção Brasileira, Neymar e Ancelotti
Flashscore: Como você avalia o desempenho do Brasil? A expectativa é muito grande em torno da volta do Neymar. O trabalho do técnico Carlo Ancelotti está te convencendo?
Zamorano: O Brasil é o Brasil. O Brasil é o pentacampeão. Sua história o representa em seus mundiais. E o Neymar, se está em campo, entrega um Brasil diferente, com um pouco mais de talento, um pouco mais de magia. Mas um Brasil sem o Neymar também pode ser um Brasil muito, muito competitivo. O Ancelotti é um treinador que vive o dia a dia e sabe exatamente como armar a equipe com as peças que tem em mãos.

Flashscore: Falando especificamente sobre os atacantes da Seleção Brasileira. Matheus Cunha jogou bem e fez dois gols recentemente, mas a torcida e a imprensa estão pedindo muito a entrada do Endrick. Como você avalia os homens de frente do Brasil?
Zamorano: Bom, todo mundo se pergunta sobre o momento que o Endrick está vivendo. De fato, ontem (no jogo contra o Haiti, no dia 19 de junho) ele entrou por 10 ou 15 minutos e já fez um gol (foi assinalado impedimento).
Ancelotti é o treinador que o vê treinar todos os dias, assim como vê o Matheus Cunha e o Igor Thiago. Eu acho que eles (Cunha e Thiago) têm mais força física, enquanto o Endrick é mais técnico, é um jogador que se move muito bem em campo.

Mas, sem dúvida, o Ancelotti o acompanha diariamente e sabe quem está melhor preparado para cada momento. O Brasil tem que estar tranquilo, porque tem muito bons atacantes.
A mítica camisa 1+8 e a Relação com Ronaldo
Flashscore: Você falou sobre os atacantes do Brasil e é impossível não lembrar a sua história com o Ronaldo Fenômeno na Inter de Milão. Como era essa relação?

Zamorano: Ronaldo Luiz Nazário de Lima, número 1 no mundo. O melhor atacante que já existiu, o melhor camisa 9 da história. E eu tive a sorte e o orgulho de ser seu companheiro de equipe. E sim, a história é real: ele queria a camisa 9, eu lhe dei a 9 e passei a jogar com a 1+8. Então, no final das contas, eu não perdi nenhum dos dois números (risos).

Crise no Futebol Chileno
Flashscore: Mudando o foco para o seu país, como você está vendo essa transição do Chile? A seleção passou por uma mudança muito forte, com jogadores se aposentando. O que você projeta para o futuro do futebol chileno?
Zamorano: Bom, estamos em um período de transição, de reformulação, e isso tem nos custado muito. Principalmente depois daquela "geração dourada" de grandes jogadores que tivemos, como Claudio Bravo, Medel, Vidal, Alexis Sánchez, Vargas, Beausejour, Aránguiz, Valdivia... Tivemos uma quantidade enorme de jogadores fantásticos, mas, de alguma forma, acho que nos acomodamos, demos muita atenção ao sucesso deles e descuidamos do tema da formação, do que vinha atrás na base.
Hoje em dia estamos em plena reformulação e tem nos custado muito encontrar a equipe ideal. É muito difícil ver um Mundial acontecer e o Chile não estar presente — já é o terceiro Mundial consecutivo fora. Então, hoje em dia, o principal é tomar decisões que têm a ver, primeiro, com a escolha do técnico. Saber quem vai ser o treinador definitivo da seleção para planejar, estruturar e fazer uma mudança radical no que vem mais adiante.

Copa do Mundo comercial e multisede
Flashscore: Você esteve acompanhando jogos no México, nos Estados Unidos e agora estamos aqui no Canadá. Diante de distâncias tão largas, qual dessas sedes realmente transmite o verdadeiro clima de Copa do Mundo para você?
Zamorano: Olha, é preciso viajar muito, as distâncias são de fato muito largas. No Catar foi completamente diferente, podíamos ver até três partidas em um único dia. Mas, de alguma forma, a FIFA faz esses tipos de eventos hoje em dia porque sabemos que o futebol se transformou em um tema puramente comercial, e nós entendemos isso também. Faz parte da nova realidade do esporte. O mais importante de tudo é que, independentemente do formato, temos que aproveitar. Aproveitar este Mundial ao máximo.

A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.
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