Foi nesse percurso que De la Fuente conheceu Ferran Torres. O atacante do Barcelona, muitas vezes alvo de críticas ao longo da carreira, encontrou na prorrogação da final, em Nova Jersey, o momento mais decisivo de sua trajetória com La Roja.
Veja como foi a final da Copa do Mundo
No primeiro minuto do segundo tempo, Ferran colocou a Espanha em vantagem sobre a Argentina e encaminhou o título mundial. Ele havia saído do banco na segunda etapa do tempo normal.
Desde a estreia contra a Costa Rica, na Copa de 2022, Ferran não marcava em Mundiais. O jejum terminou no instante mais importante possível. Com ele, a Espanha chegou a três gols de jogadores vindos do banco nesta campanha.
Em uma era na qual as cinco substituições transformaram o banco de reservas em peça estratégica, De la Fuente soube explorar como poucos a profundidade do elenco.
Do lado argentino, a história teve um sabor amargo e familiar. Assim como na final de 2014, a seleção sul-americana sofreu um gol decisivo de um jogador que começou a partida na reserva. Naquele ano, Mario Götze deu o título à Alemanha.

A vitória espanhola também simbolizou a união entre duas gerações, tendo Ferran como um dos elos entre elas. De um lado, a experiência de jogadores que buscavam recolocar a Espanha no topo do mundo sem abrir mão do tradicional toque de bola.
Do outro, a juventude de Lamine Yamal, Nico Williams e Pau Cubarsí. O zagueiro catalão, sozinho, completou 125 passes na final. Ao todo, a Espanha trocou 762, contra 358 da Argentina, dominando a posse e o ritmo da partida.
Foi a segunda vez que a Espanha conquistou a Copa do Mundo fora de seu continente, confirmando a força de um projeto que atravessou diferentes gerações.

A trajetória de Ferran com La Roja
Ferran Torres nasceu em Foios, na região de Valência, e percorreu todas as categorias de base da seleção espanhola. Foi campeão europeu sub-17 em 2017 e sub-19 em 2019, destacando-se como um atacante moderno: rápido, inteligente na ocupação dos espaços e capaz de atuar pelos dois lados do campo.
Seu primeiro grande momento com a seleção principal aconteceu em 17 de novembro de 2020. Na goleada por 6 a 0 sobre a Alemanha, em Sevilha, Ferran marcou um hat-trick e se transformou no símbolo de uma noite histórica para a Espanha.

A partir dali, muitos espanhóis passaram a enxergá-lo como um dos principais nomes da renovação de La Roja após a geração de Andrés Iniesta, Xavi e Sergio Busquets.
A Eurocopa de 2020, disputada em 2021 por causa da pandemia, foi o primeiro grande torneio de Ferran pela seleção principal. Ele marcou dois gols, incluindo um na goleada por 5 a 0 sobre a Eslováquia, e ajudou a Espanha a chegar à semifinal, na qual caiu para a Itália nos pênaltis.

Catar 2022: protagonismo ofensivo
Na Copa do Mundo de 2022, Ferran chegou como um dos atacantes mais experientes da jovem seleção comandada por Luis Enrique. Brilhou logo na estreia, fazendo dois gols na vitória por 7 a 0 sobre a Costa Rica.
Ao todo, marcou duas vezes em quatro partidas, mas a campanha espanhola terminou nas oitavas de final, com a eliminação para Marrocos.
Com a saída de Luis Enrique, De la Fuente assumiu a seleção em 2023. Ferran, que já conhecia o treinador das categorias de base, rapidamente ganhou confiança no novo ciclo e participou da conquista da Liga das Nações da UEFA de 2023, o primeiro título da Espanha desde a Euro de 2012.

Euro 2024 e a consagração mundial
Na Eurocopa de 2024, Ferran viveu um papel diferente. A Espanha contava com um time repleto de jovens talentos, como Lamine Yamal, Pedri, Gavi e Nico Williams. Mesmo assim, contribuiu com um gol e minutos importantes na campanha que terminou com o título europeu.
A consagração definitiva, porém, veio na final da Copa do Mundo da América do Norte. De reserva ocasional a herói improvável, Ferran Torres empurrou a bola para o fundo das redes de Dibu Martínez e coroou um estilo de jogo coletivo, construído por um elenco sem nenhum jogador do Real Madrid.

Mais do que o autor de um gol histórico, Ferran tornou-se o símbolo de uma Espanha que soube transformar trabalho de base, paciência e profundidade de elenco em um novo título mundial.
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