Mas nem tudo são flores. A queda na fase prévia da Libertadores, diante do O’Higgins, disparou uma onda de insatisfação da torcida tricolor. Entre recordes e críticas, o grito de “fora, Ceni” ecoou nas arquibancadas, fazendo com que o comandante do Esquadrão vivesse seus dias mais turbulentos neste início de 2026.
O Grupo City assumiu a gestão do Bahia em maio de 2023 sob a promessa de elevar o patamar competitivo da equipe. Apenas quatro meses depois, Rogério Ceni foi anunciado com a missão imediata de evitar um novo rebaixamento. Hoje, consolidado no cargo, o treinador do Esquadrão já ostenta um dos trabalhos mais longevos do clube neste século.
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O ineditismo de Rogério Ceni
Além de ser o segundo técnico mais duradouro no cenário do futebol nacional, Rogério Ceni atingiu uma marca inédita: com a recente conquista do Campeonato Baiano de 2026, ele chegou ao seu 10º título em apenas nove anos de carreira. Desde sua estreia na beira do gramado em 2017, Ceni consolidou-se como um dos treinadores mais rápidos a alcançar os dois dígitos em troféus no Brasil.
A marca ganha ainda mais peso quando comparada a ícones como Felipão, Muricy Ramalho e Dorival Júnior, que levaram consideravelmente mais tempo para atingir o mesmo volume de conquistas. Tite, um dos maiores vencedores do país, precisou de mais de 20 anos de estrada para chegar ao seu décimo troféu oficial.

Disputa acirrada entre os técnicos vencedores
A conquista do último final de semana garantiu ao comandante do Bahia a 4ª posição no ranking dos técnicos mais vitoriosos em atividade no Brasil. Na galeria de troféus, Ceni agora só fica atrás de Tite, Renato Gaúcho e Abel Ferreira.
Como também faturaram seus respectivos estaduais, Tite e Abel Ferreira ampliaram suas vantagens na liderança. Já Renato Gaúcho ainda não somou taças nesta temporada; recém-chegado ao Vasco, o treinador ainda inicia um longo processo de adaptação e reconstrução da equipe.

Rogério Ceni sob pressão
Mesmo com os números favoráveis, o técnico do Bahia enfrenta forte resistência da torcida, reflexo da eliminação precoce na fase prévia da Libertadores para o O’Higgins. A queda diante dos chilenos deixou o Esquadrão com um calendário atípico: devido às novas regras, clubes em competições sul-americanas não disputam a Copa do Nordeste — torneio do qual o Bahia é o maior vencedor.
Apesar de ter levado o time à fase preliminar do torneio continental pelo segundo ano consecutivo, Ceni lida com cobranças mais intensas. O alto investimento do Grupo City elevou o sarrafo da torcida, que agora exige não apenas bons números, mas títulos de expressão nacional.

O desafio de Ceni: responder em grandes jogos
Com a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro pela frente, o treinador do Bahia sabe que a resposta definitiva ao torcedor deve vir nos confrontos de alto nível. Durante entrevista coletiva, Ceni foi enfático sobre a urgência de resultados:
“Este ano ganhamos o Campeonato Baiano, e só resta uma possibilidade de final em mata-mata (Copa do Brasil). Quando a vida lhe dá essas oportunidades, você não pode desperdiçar”, afirmou o técnico.
Ba-Vi: a redenção de Rogério Ceni
A conquista do título estadual sobre o maior rival trouxe o fôlego necessário a Rogério Ceni. Sem tempo para descanso, o treinador já projeta um novo embate contra o Vitória, desta vez pelo Brasileirão. Apesar da relação oscilante com a arquibancada, o comandante do Esquadrão aposta no retrospecto positivo em clássicos para consolidar um novo momento no clube.

A discrepância financeira coloca o Bahia como amplo favorito no clássico, mas, com a bola rolando, a prática já anulou a teoria em três ocasiões desde a chegada do Grupo City — incluindo o título baiano conquistado pelo Vitória em 2024.
Caso vença o duelo desta quarta (11), Rogério Ceni fará o Bahia alcançar uma marca que não atinge desde 2018: emplacar três triunfos consecutivos sobre o maior rival. Este pode ser o caminho definitivo para o treinador selar a paz com a torcida do Esquadrão.
