A medida vem junto com a abertura de uma investigação sobre o possível conflito de propriedade na venda da SAF do Vasco para o grupo liderado pelo empresário Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira.
O procedimento foi instaurado nesta quarta-feira pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf).
Com as cautelares em vigor, o Vasco fica impedido de negociar atletas com o clube paulista, utilizar estruturas comuns — como centros de treinamento —, compartilhar profissionais e informações sensíveis ou realizar operações financeiras.
A determinação atinge diretamente a relação do clube carioca com a Crefisa, que no ano passado concedeu um empréstimo de R$ 80 milhões ao Vasco e atua como garantidora no acordo de aquisição firmado com Lamacchia.
A agência justificou a urgência da medida para evitar interferências esportivas e corporativas que não possam ser revertidas após a decisão final do processo.

Conflito de interesses?
O foco da apuração está em verificar se a transação fere o artigo 86 do regulamento da Anresf, que impede que "qualquer pessoa, física ou jurídica, detenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube".
Marcos é filho de José Lamacchia, casado com Leila — presidenta do Palmeiras com mandato até o fim de 2027 e também presidente da Crefisa. A proximidade entre as partes já vinha sendo monitorada e motivou, em julho, um pedido do Flamengo para que a agência vetasse a venda da SAF vascaína ao empresário.
No último domingo, durante o confronto entre as duas equipes no Nubank Parque pelo Brasileirão, Leila e Marcos posaram juntos no gramado com as camisas do Palmeiras e do Vasco.
A Anresf ressaltou que ainda não julgou o mérito da questão, o que ocorrerá ao longo do procedimento recém-aberto. Os clubes e as empresas citadas poderão apresentar suas manifestações para reverter a proibição da CBF.
