Fim da linha? O que o histórico do Grupo City projeta para o futuro de Ceni

Bahia carrega jejum de oito jogos sob o comando de Rogério Ceni
Bahia carrega jejum de oito jogos sob o comando de Rogério CeniAFP

Desde a chegada do City Football Group a Salvador, o Bahia já passou por três sequências de oito jogos sem vencer — duas com Renato Paiva e uma com Rogério Ceni. Diante do jejum de triunfos, grande parte da torcida do Esquadrão tem pedido uma troca no comando técnico do clube.

Mas até quando dura a "paciência" do Grupo City com os comandantes de suas equipes e quais são os critérios avaliados para manter um técnico pressionado no cargo? 

Ouça a narração ao vivo de Bahia e Botafogo no Flashscore

Adeus, Rogério?

Sequência de últimos 20 jogos do Bahia
Sequência de últimos 20 jogos do BahiaFlashscore

As eliminações precoces do Bahia — na Copa do Brasil e na Libertadores — geraram um cenário inédito para a torcida tricolor em mais de 20 anos: um calendário vazio. Ao fim de 2026, o Esquadrão terá disputado somente 53 jogos, o menor número desde o ano da queda para a Série C, em 2005. Diante da marca negativa, o grito de “Fora, Ceni!” tem ficado cada vez mais forte nas arquibancadas.

Classificação do Brasileirão 2026 - Flashscore
Classificação do Brasileirão 2026 - FlashscoreFlashscore

Parte da torcida do Bahia pede uma troca no comando técnico após a partida contra o Botafogo. O objetivo seria dar a um novo treinador o período de pausa para a Copa do Mundo para conhecer o elenco e reestruturar a equipe para o segundo semestre.

A maioria das demissões de técnicos em equipes administradas pelo Grupo City ocorreu justamente em finais de temporada ou durante pausas nos campeonatos locais, motivada por campanhas abaixo das metas, eliminações ou longas sequências de baixo desempenho.

Times administrados pelo City Football Group
Times administrados pelo City Football GroupAFP

Como são as saídas de treinadores no Grupo City

Times da UEFA:

Manchester City

Com apenas dois treinadores em 13 anos, o Manchester City destaca-se como o principal pilar do conglomerado. A ideia de planejamento a longo prazo aplicada às demais equipes tem como espelho os Citizens, que respaldaram Pep Guardiola mesmo em momentos de forte turbulência, como a crise enfrentada pelo clube ao acumular nove derrotas em 12 partidas — o pior momento da carreira do técnico catalão.

Técnicos do Manchester desde a chegada do City em 2013
Técnicos do Manchester desde a chegada do City em 2013Reuters

No modelo de gestão do clube inglês, os dois últimos comandantes só deixaram o cargo ao término de seus contratos. No caso de Guardiola, o encerramento ocorreu por meio da ativação de uma cláusula contratual que permitia antecipar o fim do vínculo, sem gerar prejuízos financeiros ou burocráticos para nenhuma das partes.

Girona

No time espanhol, a segunda divisão foi o divisor de águas nas relações entre o Grupo City e os técnicos desde a chegada da holding em 2017. O rebaixamento sofrido na temporada 2018/19 sob o comando de Eusebio Sacristán provocou a queda do treinador. Logo após sua saída, Juan Carlos Unzué foi contratado e a má sequência nos doze jogos disputados fez a direção mudar o comando novamente em apenas quatro meses.

Com quase cinco anos à frente do time, Míchel Sánchez foi a demissão mais recente do clube após o time sofrer mais um rebaixamento na La Liga em 2025/26.

Técnicos demitidos pelo Girona desde a chegada do City em 2017
Técnicos demitidos pelo Girona desde a chegada do City em 2017AFP

Palermo, Troyes e Lommel

O único técnico do Palermo a ser demitido desde a chegada do grupo em 2022 foi Eugenio Corini, ídolo do time. O acúmulo de insucessos na Série B do futebol italiano. Corini "bateu na trave" e não conseguiu a classificação para os playoffs de acesso em 2022/23. Na temporada seguinte, após uma nova sequência de resultados negativos que ameaçou os planos de retorno à elite, ele acabou sendo dispensado pelo Grupo City após quase dois anos de trabalho.

HIstórico de demissões de técnicos de times administrados pelo Grupo City
HIstórico de demissões de técnicos de times administrados pelo Grupo CityAFP

Depois de alcançar apenas três vitórias em 14 jornadas, Bruno Irles (10 meses de trabalho) foi demitido do cargo de técnico do Troyes na temporada 2022/23 — mesmo tendo mantido a equipe na elite francesa no ano anterior, cumprindo o principal objetivo do clube na época. No Troyes desde 2020, o Grupo City passou a ter a permanência na primeira divisão como prioridade.

A paciência do City Football Group foi testada ao limite na sequência, durante o trabalho de Patrick Kisnorbo, que ficou um ano no comando técnico e venceu somente três de seus 40 jogos sob o comando da equipe francesa. 

Já seu substituto, David Guion, teve menos tolerância: acabou demitido após oito meses, devido ao mau desempenho na segunda divisão do Campeonato Francês em 2023/24, agravado por problemas internos com a diretoria.

Concacaf e AFC

Sequência de últimos jogos do New York City
Sequência de últimos jogos do New York CityFlashscore

No New York City ocorreram apenas duas demissões desde 2013 — ano de início da gestão do grupo: Jason Kreis (1 ano e 11 meses no cargo) e Nick Cushing (2 anos e 5 meses no cargo) foram dispensados por não atingir os objetivos estratégicos pré-estabelecidos. 

Já no Melbourne City, Rado Vidošić e Michael Valkanis figuram como os únicos demitidos da história do clube, que faz parte do conglomerado desde 2014. A eliminação precoce na A-League em 2017 fez Valkanis durar apenas quatro meses no cargo. Vidošić comandou o time por um ano antes de ser dispensado pela má sequência de jogos e goleadas sofridas.

Desde 2014 fazendo parte do Grupo City, o Yokohama F. Marinos só demitiu um treinador nestes 12 anos: o australiano Harry Kewell, que resistiu menos de um ano no cargo. Para os padrões do clube japonês, a permanência no meio da tabela da J-League foi considerada inaceitável pelo grupo.

Técnicos demitidos no Shenzhen Peng
Técnicos demitidos no Shenzhen PengFlashscore

Em 2019, o Grupo City passou a administrar o Shenzhen Peng, desde então o clube demitiu três técnicos. As quedas de Li Yi (1 ano e 5 meses de clube) e Wang Hongwei (1 ano e 3 meses de clube) foram motivadas pela estagnação no desempenho da equipe. Já Jesús Tato (2 meses e 8 dias de trabalho) caiu após uma sequência de derrotas que afundou o time na zona de rebaixamento da Superliga.

CONMEBOL

Com dois clubes na América do Sul — Montevideo City Torque e Bahia —, o Grupo City adota uma alta rotatividade de técnicos na equipe uruguaia, cenário que contrasta com o modelo aplicado no Brasil

Desde o início da administração da holding no Uruguai, em 2017, o City Torque já demitiu quatro treinadores por mau desempenho:

- Román Cuello (9 meses de trabalho) - eliminação na Libertadores e mau desempenho no campeonato uruguaio 

- Sebastián Eguren (4 meses de trabalho) - demitido após cinco derrotas consecutivas 

- Ignacio Ithurralde (3 meses de trabalho) - 12 jogos sem vencer e entrada na zona de rebaixamento 

- Leonardo Ramos (8 meses de trabalho) - Rebaixamento e instabilidade na equipe 

O jogo da vida

Últimos jogos de Bahia e Botafogo
Últimos jogos de Bahia e BotafogoFlashscore

Para o Bahia, um novo tropeço diante do Botafogo antes da paralisação para o Mundial, significa atingir seu pior jejum de triunfos desde o início da era City. Para Rogério Ceni, o confronto pode ser a gota d’água em um caldeirão de frustrações que já transborda nas arquibancadas tricolores.