Para a torcida mineira, Leonardo Jardim transformou-se em "Judas". Após declarar que "no Brasil só treinaria o Cruzeiro", o técnico português sucumbiu à oferta da Gávea, deixando Belo Horizonte sob gritos de traição.
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No Flamengo, ele tem em mãos a joia da coroa: Lucas Paquetá, contratado por um valor recorde de R$ 257 milhões (41,2 milhões de euros), superando todas as cifras já vistas no país. A pressão sobre Paquetá é dobrada: ele precisa justificar o investimento enquanto a torcida ainda usa seu nome para provocar o antigo ídolo, Gerson.
Assista à nossa prévia da partida:
Raio-X dos Comandantes: A era Tite x A era Jardim
Os números mostram um Cruzeiro ainda em busca de uma identidade sob o comando de Tite, enquanto o Flamengo quer se ajustar à filosofia de Jardim, recém-chegado ao Ninho do Urubu.
Tite assumiu a Raposa com o desafio de manter o nível deixado pelo antecessor, mas com uma pegada mais pragmática.

O grande ponto de exclamação do trabalho do comandante foi a conquista do Campeonato Mineiro, onde o Cruzeiro emplacou seis vitórias consecutivas para sair de uma quase eliminação para a melhor campanha da primeira fase e o título estadual depois de sete anos.

Do outro lado, o trabalho de Leonardo Jardim no Flamengo ainda está no início. A conquista do Carioca, derrotando o Fluminense nos pênaltis, foi apenas o primeiro jogo do português à frente do Rubro-Negro. Ou seja, ainda há muito o que mostrar em termos táticos, de filosofia de jogo e também de utilização de peças.

Tite no Flamengo
Mas Tite já esteve na posição de Jardim em um passado recente. A passagem de ex-técnico da Seleção Brasileira pelo Flamengo foi marcada por uma busca incessante pelo equilíbrio tático e solidez defensiva, culminando no título invicto do Campeonato Carioca de 2024 com uma média impressionante de apenas 0,1 gol sofrido por jogo naquela competição.
Embora tenha entregado um dos melhores aproveitamentos entre os técnicos pós-2019, o treinador conviveu com críticas constantes sobre a falta de brilho ofensivo da equipe e as eliminações em competições de mata-mata, o que gerou um desgaste com a torcida até sua saída em setembro de 2024.

Leonardo Jardim no Cruzeiro
A passagem de Leonardo Jardim pelo Cruzeiro foi marcada por uma reconstrução tática que devolveu à Raposa o protagonismo no cenário nacional, utilizando um futebol de transições rápidas e alta intensidade que rapidamente encantou a torcida celeste em 2025.
O treinador português conseguiu extrair o máximo de um elenco que, sob seu comando, apresentava uma organização europeia e um poder ofensivo letal, o que tornou sua saída para o Flamengo ainda mais dolorosa para os mineiros; após jurar lealdade ao projeto do Cruzeiro, sua partida repentina transformou a admiração em um sentimento profundo de traição, deixando para trás um trabalho sólido e estatísticas que o colocavam como um dos melhores técnicos da era SAF no clube.

Quebra de promessas
Quando Tite deixou a Seleção Brasileira no pós-Copa do Mundo de 2022, o experiente treinador afirmou que experimentaria um período sabático na carreira, sem a pretensão de assumir nenhum trabalho em 2023. Mas o comandante precisou recorrer ao seu habitual tom ponderado, justificando que o "projeto e a magnitude do Flamengo" anteciparam etapas que ele planejava apenas para 2024.
O treinador argumentou que a possibilidade de iniciar o planejamento a curto prazo e conhecer o elenco ainda na reta final do Brasileiro de 2023 pesou mais do que sua promessa pública de tirar um ano sabático após a Copa do Mundo. No entanto, a explicação não convenceu a todos e a repercussão foi imediata: críticos e torcedores rivais — especialmente os corintianos, que esperavam sua volta — apontaram uma "quebra de palavra", criando um rótulo de contradição que o acompanhou desde os primeiros dias no Ninho do Urubu e serviu de munição para as arquibancadas em momentos de oscilação.
Se em 2023 foi Tite quem lidou com o peso da palavra descumprida, em 2026 o papel de "vilão" cabe a Leonardo Jardim. O técnico português, que durante sua ascensão meteórica no Cruzeiro afirmou categoricamente que não treinaria nenhum outro clube no Brasil por respeito à gratidão que tinha pela Raposa, viu seu discurso ruir em menos de 48 horas após o contato do Flamengo.
A tentativa de justificativa de Jardim — alegando que o "tamanho do desafio rubro-negro é irrecusável para qualquer profissional do mundo" — foi recebida com fúria em Belo Horizonte, transformando o carinho da torcida celeste em um profundo sentimento de traição. Essa quebra de promessa não apenas manchou sua imagem com os mineiros, como também colocou sobre seus ombros uma pressão imediata na Gávea: qualquer tropeço será cobrado sob o preço da ética.
Gerson: O retorno do "Coringa"
Gerson pisa no Maracanã com a camisa celeste após uma saída do Flamengo que beirou o caos. Negociado com o Zenit em meio ao Mundial de Clubes de 2025, o volante sentiu a fúria dos rubro-negros, que o acusaram de abandonar o barco. Agora, como pilar do time de Tite, ele retorna para encarar as vaias e a comparação direta com o "milionário" Paquetá.

O duelo entre os maiores reforços da última janela de transferências é o termômetro do sentimento rubro-negro. Para a torcida, a comparação é inevitável e cruel: de um lado, o antigo ídolo que saiu sob polêmicas e "traiu" a expectativa de um retorno ao Ninho; do outro, o filho pródigo que voltou da Premier League como o maior investimento já feito por um clube nacional.
No Maracanã, cada toque de Gerson na bola deverá ser respondido com vaias e cânticos que exaltam o valor de Paquetá, em uma tentativa clara de diminuir a importância do "Coringa" no passado e reafirmar que, na nova hierarquia da Gávea, o dinheiro e a lealdade agora têm um novo rosto.

