A medida foi tomada após uma publicação do dirigente nas redes sociais com declarações direcionadas à arbitragem, às vésperas do confronto entre Corinthians e Mirassol, pela 33ª rodada do Brasileirão.
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Na manifestação, a CBF solicitou a abertura de uma investigação criminal para apurar a conduta do presidente da organizada. A entidade também pediu reforço na segurança dos árbitros nos próximos compromissos do Corinthians, incluindo o duelo com o São Paulo, marcado para 4 de novembro.
A polêmica começou na quarta-feira (28), quando Alê utilizou o Instagram para reclamar da atuação dos árbitros em partidas do Corinthians. Na publicação, o dirigente afirmou que a torcida tinha informações sobre os locais de hospedagem dos profissionais e fez um alerta sobre a insatisfação dos torcedores.
"E arbitragem, a cota de vocês roubarem a gente dentro da arena já deu, viu. Recebemos muitas mensagens de até onde vocês se hospedam antes do jogo. Tenham responsabilidade fora e, principalmente, dentro da nossa casa. Isso não é ameaça, só estamos avisando que já está ficando insustentável segurar a massa!!!", escreveu Alê.
Para a CBF, as declarações apresentam caráter intimidatório e podem configurar crimes de ameaça, incitação ao crime e incitação à violência relacionada a eventos esportivos. A entidade também solicitou que o Ministério Público avalie medidas judiciais para impedir o dirigente de frequentar estádios e suas imediações em dias de jogos, além de restringir sua aproximação das equipes de arbitragem.
Procurada pela imprensa, a Gaviões da Fiel afirmou que as declarações de seu presidente foram feitas em tom de desabafo e negou que houvesse intenção de ameaçar os profissionais. A organizada também informou que aguardaria o acesso ao documento encaminhado pela CBF antes de apresentar um posicionamento mais detalhado.
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Veja a íntegra da nota da CBF
"A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informa que protocolou, na noite desta quinta-feira, junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo, representação criminal e pedido de providências contra Alexandre Domenico, presidente da torcida organizada Gaviões da Fiel, do Corinthians, em razão de declarações públicas dirigidas à arbitragem brasileira e divulgadas em rede social.
A medida foi adotada em cumprimento ao dever institucional da CBF de zelar pela integridade, pela segurança e pela independência dos árbitros e demais profissionais envolvidos nas competições sob sua organização. A entidade entende que críticas à arbitragem são legítimas e fazem parte do ambiente esportivo, mas não podem ultrapassar os limites da liberdade de expressão para assumir caráter intimidatório ou ameaçador.
Na representação, a CBF solicita ao Ministério Público a instauração de Procedimento Investigatório Criminal ou a requisição de abertura de inquérito policial para apurar os fatos e eventuais responsabilidades. A entidade também requer a adoção de medidas urgentes para reforçar a proteção das equipes de arbitragem nas próximas partidas do Corinthians, incluindo segurança nos estádios, hotéis e trajetos utilizados pelos profissionais.
Entre os pedidos formulados, a CBF requer ainda a preservação de dados relativos à publicação objeto da representação, a oitiva de dirigentes da Gaviões da Fiel, a apuração da origem de informações sigilosas sobre a hospedagem das equipes de arbitragem e a análise da aplicação de medidas cautelares cabíveis contra o líder da torcida organizada.
A representação destaca que as declarações atribuídas a Domenico, ao mencionar conhecimento sobre os locais de hospedagem dos árbitros e fazer advertências públicas direcionadas à arbitragem, podem configurar ilícitos previstos na legislação penal e na Lei Geral do Esporte, cabendo às autoridades competentes a devida apuração.
A CBF também pediu ao MP a adoção de medidas na esfera cível e coletiva contra Domenico, outros dirigentes eventualmente envolvidos e a própria Gaviões da Fiel, nos termos da Lei Geral do Esporte, inclusive com a avaliação de providências voltadas à responsabilização da torcida organizada e de seus dirigentes.
A CBF reafirma sua confiança nas instituições responsáveis pela investigação dos fatos e reitera que não tolerará qualquer ato de intimidação, ameaça ou violência contra integrantes da arbitragem, profissionais essenciais para a integridade e a credibilidade das competições do futebol brasileiro".
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